Cecilia Albuquerque
A Amanda, como sempre, veio pra minha casa pra gente se arrumar juntas escutando nossas músicas.
Como eu já tinha feito hidratação mais cedo, o meu cabelo já tava quase seco... principalmente por eu sempre começar pela maquiagem, é um tempo a mais pro cabelo ir secando sozinho.
Resolvi fazer uma maquiagem mais discreta, tinha em mente apenas um delineado.
— Amiga, eu tava pensando aqui uma coisa. - Falei pra Amanda enquanto eu fazia a pele — Fomos meio burras agora.
— Por quê? - Perguntou do outro lado do espelho fazendo o contorno.
— Se o Guilherme vai com a gente, era muito mais fácil eu ter ido pra sua casa pra irmos juntos do que ele ter que passar aqui pra buscar a gente.
— Meu Deus, amiga. - Ela disse parando de se maquiar e me olhando — Por que a gente não pensa antes de fazer as coisas, né?
— Ah, mas você já tá aqui mesmo. - Dei de ombros e ela riu, voltando a se maquiar.
— Coloca música do Luan, amiga. - Pediu — Pra gente já ir aquecendo.
Coloquei no aleatório da minha playlist do Luan e aumentei no máximo.
"Se a gente ficar agora
'Cê não vai lembrar desse momento
Me liga quando 'tiver sóbria
Se ainda estiver querendo"
"Vamo' deixar pra amanhã
Eu não quero tirar aproveito
Eu 'to pensando no futuro
Você é meu investimento"
Segurei um sorrisinho no rosto por lembrar do feriado em que o Felipe arrastou a gente pra um buraco no meio do nada, e quase rolou o meu primeiro beijo com o Enzo no hotel.
Eu tava muito bêbada na hora e o Enzo não deixou acontecer absolutamente nada entre a gente naquele dia por causa da bebida.
— Por que você tá sorrindo assim? - A Amanda perguntou me olhando pelo espelho.
— Lembrei do dia que eu e o Enzo quase nos beijamos naquele feriado de carnaval. - Respondi começando a me concentrar em fazer o delineado.
Tá aí uma coisa que exige concentração total.
— Eu acho vocês tão bonitinhos juntos. - Admitiu — O Enzo é de um jeito com todo mundo e diferente só com você.
— Eu nem percebo isso, amiga. - Respondi sendo sincera— Acho que me acostumei com a versão que ele é comigo.
— Já viu como ele é com o Felipe? - Perguntou me olhando e a gente começou a gargalhar alto em seguida.
— Ah, mas é o Felipe, né. Ele parece até personagem de filme, Amanda. - Falei tentando me recuperar da risada e ela respirou fundo.
— Que foi? - Olhei pra ela — Respirou fundo por quê?
Hum... Suspeito.
— Esse meu lance com o Felipe tá mexendo muito comigo, muito mesmo. - Falou sentando na cama e eu larguei a caneta delineadora, indo até ela.
— Eu achei que tava tudo bem com vocês. O que aconteceu? - Perguntei.
— Tipo, tá tudo bem mas não tá, sabe? - Perguntou e eu concordei — Depois daquela nossa briga maluca por causa da notificação do meu celular, acabamos mudando muito um com o outro.
— Eu vejo vocês de boa na faculdade e quando a gente se junta. - Eu disse estranhando, porque realmente não tinha percebido nada de diferente entre os dois.
— É exatamente isso. A gente fez as pazes e voltamos só na amizade... Só que a gente não consegue ser amigos e aí fica um clima estranho. - Explicou.
— Caraca, eu não sabia disso. - Falei chocada — Depois da briga vocês não ficaram mais?
— Não amiga, nem selinho. - Ela respondeu e eu arregalei os olhos — Ele tá diferente, sem iniciativa de nada.
— Amiga, eu acho que isso é uma forma de defesa dele. - Respondi pensativa sobre.
— Como assim? - Perguntou estranhando.
— Tá na cara que o Felipe nunca se apaixonou por ninguém, né. O Enzo que é amigão dele já me disse que achava que o Felipe tava gostando de você. Então eu penso que como ele nunca foi de sentir essas coisas, tá com medo de se permitir e demonstrar. - Tentei explicar por cima.
— Tá, até que faz sentido essa sua linha de raciocínio. Mas o que eu faço agora? - Perguntou triste.
— Primeiramente, descobre o que você sente por ele pra poder dar algum passo. - Respondi calma.
— Eu não sei o que eu sinto. - Ela disse me olhando confusa.
— Não sabe ou não quer admitir? - Olhei desconfiada.
— Não quero admitir. - Falou se jogando em cima de mim e rindo.
— Pelo menos você já sabe o que sente, agora só conversar com ele. - Falei triscando no nariz dela, que levantou rápido olhando as horas.
— Vamos terminar de se arrumar logo antes que a gente se atrase. - Falou terminando de passar o iluminador e eu fui terminar o meu delineado.
Fiz babyliss em mim e na Amanda, vestimos nosso look e passamos quase 1l de perfume.
Minutos depois o Guilherme ligou avisando que tava lá embaixo e eu coloquei a minha carteira e a minha chave na bolsa da Amanda.
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Aquela Pessoa
Ficção AdolescenteEm um dia comum no estacionamento da faculdade, um acidente inusitado une os caminhos de duas pessoas que, até então, eram completos estranhos. O impacto do encontro vai muito além dos carros amassados: suas vidas começam a se entrelaçar de maneira...
