116

3.6K 230 37
                                        

Cecília Albuquerque

— É sério mesmo que a gente vai ficar assim? - Perguntei parando na frente da Amanda — A viagem é amanhã e você quer mesmo que a gente vá brigadas?

— Não estamos brigadas, Cecília. - Ela falou indiferente, tentando passar por mim.

— Claro que estamos, Amanda. Você nem falou comigo a semana toda. - Contestei.

— Você sabe o que fez. - Falou parando, olhando pra mim.

— Sim, eu sei. Mas poxa... te pedi desculpas e você nem quis me ouvir. Eu tava enfiada em uma péssima situação, a Jade me fez prometer segredo. - Falei chateada.

— Fodase o que a Jade te fez prometer, Cecília. Você deve lealdade a mim e ao Enzo. Além de não ter me contado nada, ficou escondendo dele também. - Ela falou brava e eu vi que a nossa conversa não adiantaria.

— Quando eu tava "escondendo" o segredo, como você diz, ele optou por confiar em mim e esperar que eu contasse no tempo certo. - Argumentei começando a me estressa por ela envolver o Enzo na história.

— Bom pra vocês dois. - Respondeu revirando os olhos, passando por mim.

— O que aconteceu? - Enzo se aproximou, observando a Amanda sair voada.

— Tentei me resolver com ela. - Respirei fundo, tentando manter a paciência.

— Amor, deixa ela. - Ele falou me dando um selinho.

— Eu deixei, amor. Faz uma semana que ela não conversa comigo. - Falei cansada dessa situação.

— Quando ela quiser, ela vai se resolver contigo. - Falou passando as mãos no meu pescoço, segurando meu rosto.

— Nossa, mas que coisa chata. Odeio ficar brigada com as pessoas. - Reclamei.

— Ninguém disse que seria fácil. - Ele falou me olhando como se fosse óbvio.

— Tá bom. - Bufei — Dorme lá em casa hoje?

— Durmo. - Concordou e eu sorri.

— Alguém pode me dizer por que a minha namorada quase me deu uma voadora quando eu fui cumprimentar ela agora? - Felipe perguntou aparecendo do nada.

— Cecília tentou se resolver com ela. - O Enzo respondeu por mim.

— Ah... então tá explicado. - Felipe falou fazendo cara de tédio — Bem que as duas podiam resolver isso logo.

— Eu tentei, ela não quer resolver. - Falei contrariada.

— E você vai deixar ela te desculpar no tempo dela. - O Enzo falou me encarando e eu concordei.

— Tá, agora vamos ao que interessa. Tudo certo com as passagens? - Felipe perguntou ansioso — Porra, essa viagem vai ser foda.

— É capaz de você tacar fogo no Rio de Janeiro. - Enzo implicou o Felipe e eu gargalhei.

— As vezes eu preferia que teu namorado fosse mudo, Cecília. - O Felipe reclamou — Mas e os ingressos do festival? Já compraram?

— Sim. - Respondi dando um gritinho de felicidade.

— A Cecília comprou o meu e o dela. - O Enzo falou cruzando os braços, me dando vontade de rir.

— Isso que é namorada boa. Eu tive que comprar o meu ingresso e o da Amanda. - Felipe reclamou negando com a cabeça.

— Minha namorada boa comprou o meu ingresso e o dela no meu cartão, Felipe. - O Enzo falou com cara de paisagem e o Felipe começou a gargalhar.

— Continuo sendo uma boa namorada, ué. Imagina se você esquecesse de comprar, amor. - Falei da forma mais sonsa possível e ele me olhou feio.

— Cuidado viu, Felipe? Imagina se a Amanda pega os dados do seu cartão igual a Cecília fez com o meu . - O Enzo alertou e eu dei uma cotovelada nele.

— Porra, irmão. Será? - O Felipe começou a pensar todo preocupado, me fazendo rir.

— Tua sorte é que ela não tá falando comigo, quando fizermos as pazes vou dar essa ideia pra ela. - Falei sorrindo de canto e o Felipe deu um pulo.

— Vou fazer lavagem cerebral e impedir que ela te desculpe. - Ele falou tenso e o Enzo riu.

— É bom impedir mesmo, porque chega notificação das compras da Cecília todo dia no meu celular. - O Enzo começou a desabafar — O banco me mandou uma mensagem falando que detectou uma ação suspeita.

— A ação suspeita sou eu. - Falei sorrindo meiga.

— Caralho, muito visionária. - Felipe falou batendo na minha mão — Tomara que sua amiga não aprenda contigo, se não vou a falência.

   

                                       [...]






— Amooor. - Gritei o Enzo, que tava pegando as coisas dele no banheiro pra colocar na mala.

— Que foi? - Gritou de volta.

— Responde direito. - Falei me aproximando dele.

— O que foi, amor da minha vida? - Falou irônico e eu segurei o riso.

— Tem certeza que pegou tudo? - Perguntei vendo ele colocar o resto das coisas na mala.

— Tenho. - Falou com certeza, fechando a mala.

— Opa, olha quem tá aqui. - O pai do Enzo falou entrando no quarto e eu gelei — Quanto tempo...

    Já vi ele uma vez na apresentação da Lara. Porém, eu era só amiga do Enzo na época.

— Oie, tudo bem com o senhor? - Perguntei cumprimentando ele, que sorriu gentilmente.

— Não precisa me chamar de senhor, dispenso formalidades. - Ele falou educado e eu sorri — O Enzo vai achar ruim da minha pergunta mas eu preciso perguntar, você continua sendo só amiga dele ou virou minha nora?

— Pai. - O Enzo brigou olhando feio e eu dei risada.

— Uai, filho. Você é todo na sua, não me conta nada. Quero ver se a moça fala alguma coisa. - O pai dele falou e eu gargalhei da situação.

— Hoje posso me apresentar como nora. - Falei mostrando a aliança pro meu sogro, que abriu um sorrisão.

— Eu já desconfiava que vocês iam namorar desde o dia que te vi. - O Fernando, pai do Enzo, falou — Pra onde vocês vão?

— Pro Rio. - O Enzo respondeu colocando a mala no chão.

— Meus pais moram lá. - Complementei o que o Enzo disse.

— Bacana... O Rio é muito bom, boa escolha deles. - O Fernando respondeu e eu assenti.

    Ficamos conversando um tempo com o meu sogro.

— Achei que ele não ia mais sair do meu quarto. - O Enzo falou bufando, se jogando na cama.

— Não fala assim dele, Enzo. - Falei sentando perto dele.

— Não consigo me acostumar com essa versão dele, amor. - O Enzo falou indiferente, alisando minha perna.

— Que versão? - Perguntei.

— Essa versão pai legal. - Ele respondeu e eu fiz bico — Vamos?

— Vamos. - Falei levantando — Acho injusto.

— O que? - Ele perguntou franzindo a testa.

— Acho injusto vocês homens conseguirem viajar com uma mala tão pequena, enquanto nós mulheres levamos duas malas enormes. - Falei analisando o tamanho da mala dele.

— Você vai levar uma mala só de perfumes, que eu te conheço. - Falou com tom de desaprovação, pegando a mala pra irmos pra minha casa.

Aquela PessoaOnde histórias criam vida. Descubra agora