Cecília Albuquerque
Acordei estranhando totalmente aonde eu estava e foi aí que lembrei que tinha vindo pra casa do Enzo depois da nossa longa madrugada.
Olhei pro lado e ele tava desmaiado, sem nem dar sinal de vida.
Peguei meu celular embaixo do travesseiro e me assustei ao ver que já passava das 13h, totalmente explicativo toda essa fome que eu tô sentindo.
Como o Enzo falou que o pai dele tava viajando, me senti um pouco mais confortável de levantar sem ele.
Quando olhei pro espelho antes de sair do quarto, percebi que eu estava vestindo só a blusa dele, sem condições sair desse jeito pela casa.
Então resolvi pegar minha roupa do dia anterior e vestir.
Aproveitei pra ir ao banheiro lavar o rosto na intenção de disfarçar a ressaca e escovei os dentes com a escova novinha que ele me deu ontem.
Saí do banheiro, vendo que o pobre coitado do Enzo continuava desmaiado na mesma posição, me fazendo rir ao sair do quarto.
Desci as escadas morrendo de vergonha, quando me deparei com a Lara e uma mulher que parecia ser a babá dela.
Acho que o nome da babá é Flávia, lembro do Enzo ter comentado.
— Ceciiiii. - A Lara gritou correndo na minha direção, abraçando as minhas pernas.
— Oi, meu amor. - Abaixei na altura dela e retribui o abraço apertado que a pequena me dava.
— Tia Flávia, essa aqui é a Ceci, namorada do meu irmão. - A Lara falou me fazendo ficar vermelha de vergonha, arrancando uma risada da Flávia, que tinha entendido pela minha expressão que eu não sou namorada coisa nenhuma.
Ficamos uns bons minutos ali conversando, pelo tempo que fiquei papeando com a Flávia pude perceber que ela tem um carinho muito grande por essa família e faz tudo com muito amor nessa casa.
Ela aparenta ter um pouco mais de trinta anos, um amor de pessoa, gostei bastante dela.
Ela me falou que precisava comprar umas verduras que faltavam pra sopa da Lara e me pediu pra ficar olhando a pequena enquanto isso.
Obviamente concordei e respondi que ela poderia ir tranquila, a própria concordou e me passou o seu número caso eu precisasse ligar nesse meio tempo.
[...]
Fiquei assistindo Enrolados com a Lara na sala, que tava deitada no meu colo enquanto eu mexia em seus cabelos, quando escuto o irmão dela descer as escadas com cara de poucos amigos.
— E aí. - Falou se jogando no sofá deitando a cabeça no meu ombro.
— Ei, você tá atrapalhando ela a fazer carinho em mim. - A Lara brigou olhando brava pra ele, me arrancando uma gargalhada muito sincera.
— Ela é minha amiga, não sua. - O Enzo falou me abraçando pra implicar e eu bati fraco no braço dele.
— Começa a agir igual menino de quinta série não. - Repreendi e ele me olhou debochado.
— Ela é minha amiga, não sua. - A Lara respondeu deitando novamente no meu colo com o nariz empinado, nem aí pro irmão dela.
— Comeu alguma coisa? - O Enzo me perguntou depois de implicar a pequena mais um pouco.
— Não, tô branca de fome já. - Admiti e ele riu levantando.
— Eu também tô com fome. - A Lara falou levantando atrás do irmão.
— Tenho certeza que a Flávia te deu almoço. - O Enzo disse olhando desconfiado pra Lara — Falando na Flávia, onde ela tá?
— Foi ao mercado comprar algumas verduras pra Lara. - Respondi seguindo os dois até a cozinha enquanto o desenho da Lara passava sozinho na sala.
— Eu quero algo de verdade pra comer, irmão. - A Lara negou cruzando os braços quando o Enzo ofereceu biscoito.
— Meu Deus, Enzo. Tu não tem vergonha em oferecer biscoito pra criança? - Perguntei incrédula.
— Não. - Respondeu dando de ombros, comendo o biscoito que a Lara não quis — Toda vez que ela fala que tá com fome, eu dou biscoito e ela aceita.
— Você só dá biscoito pra menina? - Perguntei arregalando os olhos — Tipo, você só enche a coitada de biscoitos?
— Não né, Cecília. Também dou o leite com nescau que ela gosta. - Falou como se fosse a refeição mais completa pra uma criança, me fazendo rir de nervoso.
— Não sei o que seria da Lara sem a Flávia. - Falei sincera e ele fez careta.
— Eu cuido também, pô. Só não sei cozinhar. - Se justificou.
— Bem que o Felipe disse que você não sabia cozinhar e tu ainda negou, jogando o pano de prato nele. - Falei lembrando da vez que o Felipe cozinhou pra gente e o Enzo revirou os olhos.
— Não me fala de Felipe não, tô bem de boa desse nome. - Falou todo posturado, me fazendo olhar com os olhos estreitos — Tô falando sério, pô. Não respondo por mim se eu ver esse maluco na minha frente.
Neguei com a cabeça quando ele disse isso, sabendo que é só da boca pra fora.
— Gente? E o meu lanche? - A Lara perguntou sentada na mesa com cara de tédio, apoiando o rostinho nas duas mãos.
— Caralho, discutimos tanto que esquecemos da criança. - Ele falou surpreso e eu segurei a risada.
— Caralho? O que é isso? - Ela perguntou franzindo a testa sem entender e nós dois nos olhamos sem saber o que responder pra ela.
— Tá vendo? - Perguntei dando um tapa forte nele.
— Ai, porra. - Falou passando a mão no braço.
— ENZO. - Gritei olhando feio pra ele, apontando pra Lara.
— Vocês dois são estranhos. Vou assistir desenho, tchau. - A Lara disse correndo pra sala, fazendo a gente rir.
Fiz café e três tapiocas, uma dessas tapiocas era menorzinha pra Lara, que por sinal devorou em 5 segundos, parecendo um dragãozinho.
Nem fazer um simples café o Enzo sabia, só soube me dizer onde ficava as coisas na cozinha e olhe lá... porque tinha coisa que ele não sabia aonde ficava e eu tive que procurar sozinha.
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Aquela Pessoa
Teen FictionEm um dia comum no estacionamento da faculdade, um acidente inusitado une os caminhos de duas pessoas que, até então, eram completos estranhos. O impacto do encontro vai muito além dos carros amassados: suas vidas começam a se entrelaçar de maneira...
