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Cecília Albuquerque

    Acordei estressada pra faculdade, querendo faltar a semana toda.

    To com a cabeça bagunçada desde quando fui ontem no Enzo entregar as coisas dele e rolou uma recaída.

Ainda bem que eu consegui me conter mesmo querendo ir além.

Me arrumei, tomei café e fui pra faculdade.

Vi que só tava a Amanda na lanchonete e agradeci mentalmente por isso.

— Oi, Amanda. - Falei sentando do lado dela.

— Amanda? - Estranhou — Me chamando de Amanda? Pode contar tudo que aconteceu.

— Eu e o Enzo tivemos uma quase recaída. - Falei suspirando.

— Ué, mas o Felipe disse que foi ontem na casa do Enzo e perguntou se vocês tiveram recaída depois da festa. - A Amanda falou estranhando.

— Não, realmente... Depois da festa o Enzo só me deixou em casa. - Expliquei — O problema foi ontem durante a tarde, quando fui na casa dele entregar algumas coisas.

— Que coisas? - Perguntou curiosa.

— As coisas dele que ficaram na minha casa depois do término. - Respondi.

— E por que você fez isso, amiga? Vai que vocês voltam. - Amanda questionou.

— Amiga, não tem mais volta. - Falei decidida — E outra, ele que foi no meu estágio entregar as minhas coisas primeiro.

— Gente, que loucura. - Ela falou negando — Tanta hora pra ele fazer isso, foi fazer logo no seu estágio?

— Pois é, pensei o mesmo. - Concordei com ela — No dia ele disse que era o único horário disponível dele.

— Mentira, ele quis fazer cena. - Ela contestou — Como é que ele não tem tempo se tá arrastando o Felipe todo dia de noite pra ir treinar.

— É... Não me importo mais com nada também. - Menti.

— Hum, sei. - Não acreditou em mim — Conta sobre a recaída.

— Eu fui na casa dele ontem entregar as coisas que ficaram comigo. - Contei — Aí quando eu fui me dar conta, a gente já tava se beijando.

— Então vocês voltaram? - Ela perguntou sorrindo.

— Não, claro que não. - Neguei rápido — Foi só um deslize. Eu empurrei ele e falei que as coisas não funcionavam assim.

— Então você não pensa mesmo em voltar? - Questionou.

— Não, já faz duas semanas de término basicamente. - Fui sincera — Fiquei chateada por ele ter terminado comigo, não precisava disso.

— É, entendo o lado dele, mas concordo com você. - Ela concordou e eu assenti.

— Ainda bem que você e o Felipe tão firmes, se não o nosso grupo já era. - Falei brincando com uma pontinha de verdade.

— Nem estamos tão firmes assim. - Revelou e eu olhei pra ela chocada — A gente só sabe brigar, amiga.

— Mas por que, gente? - Perguntei incrédula — Achei que tivesse tudo bem.

— Ele fica me cobrando o tempo todo falando que eu não me esforço pelo relacionamento. - Ela desabafou — Mas é porque eu ando muito cansada com tudo. Poxa, estágio de Direito é pauleira, eu chego em casa exausta.

— É, amiga. Pelo visto somos o terror desses dois, tudo que a gente faz tá errado. - Brinquei pra quebrar o clima e arranquei uma risada dela.

— Realmente. - Concordou e desviou o olhar — O Felipe tá vindo.

— Cadê o Enzo? - Felipe perguntou sentando no único lugar vago.

— Deve tá brigando com o passado dele em algum canto. - Respondi segurando uma revirada de olhos.

— O único passado que ele briga é você. - O Felipe respondeu na lata.

— Felipe. - Amanda repreendeu, descendo o tapa nele.

— Ué, to mentindo? Os dois faltam se matar por terem terminado o relacionamento. - Ele respondeu olhando pra Amanda, que não discordou do que ele disse.

— Que exagero, Felipe. - Discordei — A gente mal se fala.

— Se evitam na faculdade, mas quando se encontram ficam discutindo. - Ele teimou — E vocês dois podem parar com essa palhaçada, porque eu paguei caro pra caralho em quatro ingressos do Henrique e Juliano.

— Você é doido? - Perguntei desacreditada.

— Sério que você tá perguntando isso pro Felipe? - Amanda ironizou.

— Aqui é assim, parceira. Problema de vocês dois que terminaram, a amizade continua vocês querendo ou não. - Felipe falou grosso e eu olhei pra Amanda querendo rir.

— Vou no banheiro já que o assunto não tá me favorecendo. - Falei levantando.

— Vou com você. - Amanda falou levantando também — Tchau, vida.

Esperei ela se despedir do Felipe, que ficou esperando o Enzo, e fomos no banheiro da lanchonete.

Quando a gente tava saindo das cabines, vimos a Jade entrar no banheiro.

Entrei rápido na cabine da Amanda e nos escondemos.

— Ficou louca? - A Amanda perguntou sussurrando e eu mandei ela calar.

Passamos a ouvir escondidas a Jade conversando com alguém por ligação.

Arregalamos os olhos quando ouvimos ela falar sobre meu término com o Enzo.

Essa vaca basicamente disse que agora as coisas estavam mais fáceis pro plano dar certo. Que plano é esse?

Só saímos da cabine quando confirmamos que ela saiu do banheiro.

— Aquela filha da puta tá aprontando mais alguma. - A Amanda falou brava.

— O Enzo tinha me dito que ela deu em cima dele no dia que terminamos. - Pensei alto — Acho que essa rapariga tá querendo ele.

— Isso explicaria aquela gravidez falsa que ela inventou há três anos pra cima do Guilherme — A Amanda falou com ódio — Acho que ela aprontou aquilo pra desestabilizar nosso grupo e conseguir se aproximar do Enzo.

— Acho que isso seria muito psicopata. - Discordei e a Amanda fez careta.

— Normal aquela menina não é. - Ressaltou.

— Tá, mas quem era a outra pessoa da ligação? - Perguntei ao lembrar que ela tava falando com alguém.

— Não sei, amiga. - Amanda respondeu sincera — Mas com certeza alguém que tem interesse em você.

— Que sinistro. - Falei incrédula — Vamos sair logo daqui antes que ela volte.

— Pois eu quero que ela volte pra bater nela de novo. - Amanda falou me acompanhando pra fora do banheiro e eu gargalhei.

Aquela PessoaOnde histórias criam vida. Descubra agora