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Enzo Martins

     Pegamos o bolo e fomos direto pra casa da Jade, que a irmã dela tinha mandado a localização pra Cecília.

— Puts, esqueceu de comprar as velas? - Amanda perguntou depois de terminarmos a decoração.

— Meu Deus, as velas. - Cecília arregalou os olhos.

— Porra, vou lá comprar rápido antes que as pessoas cheguem. - Felipe avisou — Vi uma padaria do lado daquele bar famoso que tem aqui perto.

— Corre lá, cara. - Falei e o Felipe concordou, saindo da casa.



   [...]



— Gente, preciso falar com vocês. - Felipe disse se aproximando com a respiração ofegante.

— O que foi, vida? - Amanda perguntou preocupada.

— O que saiu do controle? - Perguntei arqueando a sobrancelha.

— Quando eu tava voltando da padaria, vi a Jade bebendo com uns amigos naquele bar que eu falei pra vocês. - Ele soltou e eu franzi a testa.

— O que você tá dizendo, Felipe? - Amanda perguntou com a sobrancelha arqueada.

— To dizendo que vi a Jade bebendo. - Ele respondeu rápido - Pronto, falei.

— Isso é impossível. - A Cecília disse - Ela tá grávida, não pode beber.

— Tem certeza que você viu direito, Felipe? -
Perguntei desconfiado.

— Tenho, porra. - Ele respondeu irritado - To falando, cara. Eu vi.

— Não deve ser a Jade. - A Amanda falou com uma certa dúvida.

— Com certeza não era ela, gente. Ela tá grávida. - A Cecília reforçou como se fosse óbvio.

    Não demos nem atenção pra esse absurdo que o Felipe disse e voltamos a organizar as coisas.

    As pessoas foram chegando e o Felipe recebendo.

   A irmã da Jade disse que nos avisaria quando ela tivesse voltando pra casa.

    Felipe conectou a playlist dele na caixinha de som e as pessoas foram se soltando aos poucos.

— Eu acho que o Felipe contrata figurantes nessas festas que ele dá. - Falei pras meninas — Não é possível que ele conheça todo mundo.

— Ele conhece, pode acreditar. - Amanda afirmou rindo, bebendo um drink.

— Felipe é pior do que prefeito. - A Cecília falou — Olha ali, ele consegue ser sociável com todo mundo.

— Deus me livre. - Falei fazendo careta — Não tenho paciência pra conversar com alguém além de vocês.

— Quem vê pensa que você tem paciência com a gente. - Amanda ironizou.

— Ah, Amanda. Vai pra lá, vai. - Falei empurrando ela na brincadeira.

— Primeira vez que o Felipe não coloca música tão alta. - Cecília observou.

— Porque não é na casa dele, amor. - Respondi.

— Imagina se a gente fosse expulso antes da surpresa por conta do som alto. - Amanda ironizou — Eu matava o Felipe.

— Todo esse esforço que a gente fez em cima da hora seria em vão. - Complementei.

— Ai, to ansiosa pra surpresa. Será que a Jade vai demorar? - Cecília falou sem conseguir parar quieta.

— Psicóloga não pode ter ansiedade, amiga. - Amanda falou e a Cecília revirou os olhos.

— O rabo de vocês. - Cecília respondeu e eu ri.

— Porra, que demora do caralho. - Felipe falou se aproximando — Não aguento mais fazer sala.

— Ninguém mandou ser carismático. - Cecília implicou.

— A irmã da Jade não falou mais nada? - Felipe perguntou e a Cecília negou com a cabeça — Porra.

— Vamos beber enquanto a Jade não chega. - Amanda falou nos levando até a mesa das bebidas.

— Ninguém exagera hoje, beleza? - Perguntei um pouco traumatizado com o caos do Rio.

    Ficamos bebendo e curtindo as músicas enquanto a irmã da Jade não dava notícias.

— Alguém chamou meu irmão? - Amanda perguntou.

— Eu coloquei ele no grupo. - Felipe respondeu — Ele confirmou presença.

— Estranho ele ainda não ter chegado. - Amanda disse estranhando.

— Se brincar teu irmão chega primeiro que a Jade. - Ironizei e eles riram.

— Não duvido. - Amanda respondeu negando.

— E como tá o clima lá na sua casa, amiga? - Cecília perguntou.

— Ah, amiga. Tá pouca coisa melhor, mas ainda sim muito desconfortável. - Amanda respondeu.

— Eu entendo teus pais. - Fui sincero — Seu irmão é muito novo pra ser pai.

— Também acho, claro. - A Amanda concordou — Foi uma puta irresponsabilidade deles.

— Eu nem sabia que eles ficavam desse jeito. - A Cecília admitiu.

— Pensei que eles só se viam nas festas, davam uns amassos e pronto. - Felipe falou — Quase morri quando eles deram a notícia da gravidez.

— Nossa, imagina como eu fiquei guardando o segredo por três meses. - Cecília falou sentando no meu colo — Parecia que eu ia explodir a qualquer momento.

— Acho que a ficha ainda não caiu que eu vou ser tia. - A Amanda falou pensativa.

— Se você vai ser a tia, então eu vou ser tio? - Felipe perguntou e a gente mandou ele calar a boca.

— Me erra um pouco, vida. - Amanda respondeu rindo.

— Bora animar isso aqui, porque tá muito parado. - Felipe falou mudando a música e todo mundo gritou animado.


Cecília me puxou pelo braço pra irmos dançar com todo mundo.

    Tinha um cara estranho puxando uns passinhos doidos.

— Certeza que isso foi uma queda e ele tá fingindo que faz parte da coreografia. - Falei no ouvido da Cecília, que gargalhou jogando a cabeça pra trás.

— Também acho. - Ela respondeu.

Ficamos dançando juntos por um tempo.

— Amanda, seu irmão chegou. - Cecília apontou pra porta.

— Vem, gente. Vamos lá. - Amanda chamou a gente pra irmos até o Guilherme.

— E aí, rapaziada. - Ele cumprimentou a gente.

Pela primeira vez não fiquei com ciúmes quando ele cumprimentou a Cecília.

— E aí, papai do ano. - Felipe falou com o cunhado e a gente riu.

— Pô, achei que a surpresa já tinha rolado. - Guilherme observou que a Jade não tava aqui.

— A gente comentou zuando que você ia chegar antes dela e acabou acontecendo mesmo. - A Amanda respondeu.

— Pelo menos cheguei na hora certa. - Guilherme falou.

— Gente, a irmã da Jade acabou de mandar mensagem falando que ela tá vindo. - A Cecília falou concentrada no celular.

— Porra, até que enfim. Achei que íamos levar bolo da aniversariante. - Felipe comemorou.

— Vocês dois escondem todo mundo, que eu e a Cecília vamos lá no quarto da Jade pegar as velas que o Felipe comprou. - Amanda avisou, arrastando a Cecília com ela.

Aquela PessoaOnde histórias criam vida. Descubra agora