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Cecília Albuquerque

Eu já perdi as contas de qual era esse copo que eu tava enchendo, parei de contar no sétimo.

    Voltei pra perto da Amanda e dançamos animadinhas até o chão.

— Acho que vocês duas já beberam demais. - Felipe falou olhando pra gente.

— Nem vem com essa, porque eu não tenho mais namorado pra chamar minha atenção. - Reclamei com o Felipe — Briga só com a Amanda.

— Não, não briga comigo. - Ela respondeu — Vai brigar com o Enzo.

— Não me mete na parada. - Ele respondeu olhando pra Amanda — Sou o que menos bebeu de vocês três, até porque eu to dirigindo.

    Senti uns olhares sobre mim e era de uns amigos bonitos do Guilherme.

    Não contive o sorriso e comecei a me empolgar na dança.

    Um deles se aproximou de mim sorrindo e eu continuei dançando.

— Qual seu nome? - Ele perguntou, parando do meu lado.

— Cecília. - Tentei responder, mas o Felipe aumentou o som e não tava dando pra ouvir nada.

— Qual? - Perguntou sem conseguir entender.

    Pedi o celular dele e escrevi no bloco de notas o meu nome.

    Ele riu e concordou, puxando mais assunto comigo.

    Alguém chegou e esbarrou nele, fui olhar quem fez isso e obviamente era o Enzo.

— Qual o problema desse cara? - O amigo do Guilherme me perguntou, encarando o Enzo.

— Eu. - Respondi — O problema dele sou eu.

    Fui até o Enzo e me aproximei de braços cruzados.

— Não to te entendendo. - Falei e ele me olhou com indiferença.

— Não tem nada pra entender. - Falou grosso.

— Se não tem nada pra entender, por que esbarrou em alguém que tá conversando comigo?

— Eu esbarrei sem querer, não vi ele. - O Enzo mentiu e eu ri nervosa.

— Aquilo ali foi tudo, menos sem querer. - Teimei.

— Pô, se tá achando tão ruim assim volta pra lá. - Ele falou apontando pro cara — Continua passando teu número pra ele.

— Eu não passei meu númer... - Fui responder mas percebi que eu não tinha que me explicar — Eu faço o que eu quiser, a gente não namora mais.

— Sim, mas não esquece que vale pra nós dois isso. - O Enzo falou encarando alguém e eu percebi que era uma garota que não tirava os olhos dele.

    Meu coração acelerou, a respiração foi ficando mais pesada e eu saí de perto dele.

   Voltei pra onde eu tava e o amigo do Guilherme já tinha saído daqui.

— Que cara é essa, amiga? - A Amanda perguntou no meu ouvido, pelo excesso de barulho.

— Cara de quem vai explodir se ver o ex ficando com alguém. - Respondi começando a sentir dor na barriga só de imaginar essa hipótese.

— Por que ele faria isso? - Ela perguntou sem entender, procurando o Enzo pelo olhar.

— Porque eu tava conversando com um amigo do Guilherme. - Respondi indo encher meu copo, que tava quase acabando.

— Acho que ele tá só te provocando. - A Amanda disse mantendo os olhos no Enzo — Ele não tá nem conversando direito com a menina.

— Se tá querendo provocar, tá conseguindo. - Falei dando dois goles longos na minha bebida.

— Olha ali, acabou de dar um fora nela. - A Amanda falou se divertindo com a situação e eu fui conferir.

    Olhei discretamente pra onde o Enzo tava e a menina saiu de perto dele com a cara toda fechada, parecendo realmente ter levado um fora.

    Uma parte de mim ficou aliviada com isso, já a outra tá implorando pra eu voltar pra ele por se sentir ameaçada.

— Vamos dançar, esquece isso. - Ela falou me puxando e a gente voltou a dançar com as meninas em uma rodinha.

    Depois do dono encrenca esbarrar no único menino que chegou em mim, decidi não deixar ninguém se aproximar mais.

    Acho que passei do ponto em relação à bebida, porque eu já to vendo as coisas se movendo.

    Sentei um pouco no sofá, me afastando de todo mundo.

   Fiquei uns minutos sentada com os olhos fechados, pra ver se esse enjoo ia embora.

   Sou muito fraca com bebida mesmo, toda vez que bebo fico assim.

— Tá bem? - Escutei a voz do Enzo e olhei pra cima.

— To, só to sentindo enjoo. - Respondi normal.

— Quer que eu te deixe em casa? - Perguntou — A Amanda e o Felipe não vão embora tão cedo.

— Não precisa, eu peço um uber. - Neguei rápido, procurando minha bolsa.

— Você sabe que eu não vou te deixar ir de uber. - Ele falou decidido e eu já sabia que ele ia dizer isso.

— Tá, só porque eu to passando muito mal. - Falei tentando levantar e ele me ajudou.

   Peguei minha bolsa e saímos da festa, indo em direção ao carro dele.

    Sentei no mesmo lugar que eu vim, do lado dele.

    Não sei em que momento eu dormi, mas só acordei quando senti ele me colocar na minha cama.

— Por que você não me acordou? - Perguntei sentando na cama — Eu conseguia subir.

— Eu tentei te acordar, mas você não deu nem sinal. - Respondeu mexendo no meu guarda roupa — Aqui, veste isso. Vou pegar uma água pra deixar do seu lado.

    Eu tava com tanto sono, que não falei nada, apenas assenti.

    Ele voltou com o copo de água, deixando do lado da minha cama.

   Não vi ele indo embora, porque eu tava com tanto sono que acabei dormindo em questão de minutos.

Aquela PessoaOnde histórias criam vida. Descubra agora