Enzo Martins
A semana tinha sido uma correria fudida. Era semana de provas e tava todo mundo louco com isso.
Como ainda era quarta, tinha mais dois dias de prova pela frente pra fechar a semana.
Terminamos a primeira prova do dia e o professor liberou todo mundo pro intervalo pra dar uma descansada.
Levantei junto com o Felipe e saímos da sala em direção a lanchonete.
O Fábio passou me olhando debochado e eu ri desse cara.
Felipe percebeu e começou a rir junto, sem falar nada.
— Qual foi a tua resposta da 4? - Felipe perguntou e me interrompeu antes mesmo de eu responder — Pensando bem não quero saber não, guarda pra você.
Eu ri das ideias de maluco desse moleque e neguei com a cabeça.
Vimos as meninas sentadas conversando e fomos até elas.
Deixei um beijo na cabeça da Amanda e um na cabeça da Cecília, que fez bico de beijo pra eu dar um selinho nela.
Sentei do lado dela e ela deitou no meu ombro, me fazendo abraçar ela de lado.
— Eu não aguento mais prova. - A Amanda reclamou deitando em cima da mesa.
— Muito menos eu. - O Felipe concordou — Não quero nem saber, parceiro. Sexta-feira bora encher o cu de cachaça pra comemorar o término das provas.
— Sexta é aniversário da Ceci. - A Amanda falou olhando pra Cecília e eu dei uma leve franzida na sobrancelha por não saber que seria aniversário dela.
— Bicha fofoqueira. - A Cecília resmungou e a gente riu.
— Então fechou, porra. A gente faz um festão com muita cerveja e todo mundo segue feliz. - Felipe sugeriu e eu neguei com a cabeça rindo.
— Não começa não, Felipe. - A Cecília falou levantando do meu ombro apontando na direção dele.
— Não começa você, Cecília. - A Amanda olhou séria pra ela — Vai ter festa sim, não é todo dia que se faz 20 anos.
— 20 anos? - Perguntei olhando pra Cecília — Muito nova, pô. Tem muito o que viver ainda.
— Tu tem vinte também, animal. - O Felipe falou comigo e eu dei dedo pra ele.
— To sem criatividade pro meu aniversário, gente. - A Cecília falou fazendo careta — To com a cabeça tão cheia com essas provas que não consigo pensar em nada.
— Pode deixar comigo, loira. - O Felipe falou tomando frente — Vou fazer algo bem maneiro pros teus 20 aninhos.
— Tenho até medo disso. - Amanda falou olhando desconfiada pro Felipe.
— O erro de vocês é não confiarem em mim, porra. - Felipe reclamou e eu ri irônico.
— Toda vez que a gente confia, a gente se fode. - Falei e ele me chutou por debaixo da mesa.
— Tu não conta, se eu acertar é capaz de você falar que eu errei. - O Felipe argumentou.
— Você acertar em alguma coisa é impossível, fora de lógica. - Falei olhando pra fila da lanchonete vendo que tava pequena — Vou lá comprar um salgado, alguém quer algo?
Os três filhos da puta me exploraram e pediram pra eu pegar lanche pra eles.
Fui lá na fila e comprei os salgados, levando lá pra mesa em seguida.
Terminamos de lanchar e deu o horário pra voltar pra sala.
Me despedi das meninas e subi com o Felipe pra voltarmos pra sala.
Sentamos nos nossos lugares e esperamos o professor entrar com as provas.
Respirei fundo, já cansadão de fazer prova, e destampei minha caneta.
Peguei a prova e esqueci o resto do mundo, focando só nas questões.
Felipe leu a primeira questão e olhou pra mim com os olhos arregalados, me dando uma puta vontade de rir.
Parei de olhar pra ele antes que o professor percebesse e comecei a responder as perguntas.
Não vou mentir, tava um pouco difícil mesmo, mas respondi o que achei que seria e é isso.
Levantei pra entregar minha prova pro professor e meter o pé dessa faculdade por hoje.
Saí da sala e peguei meu celular no bolso, vendo que tinha dado 11h.
Fiquei pensativo se eu ia pra casa ou pro shopping pra comprar o presente de aniversário da Cecília.
Optei por ir no shopping e já mandei mensagem pra Amanda responder assim que sair da prova dela.
O caminho até o shopping não foi tão demorado, deixei o carro no estacionamento do shopping e peguei o celular vendo que a Amanda tinha respondido.
Falei pra ela ficar atenta ao celular e não deixar a Cecília ver as mensagens, caso elas se encontrem.
Imagina se a Cecília vê o presente pelo celular da Amanda... Acaba com a surpresa.
Rodei o shopping todo e finalmente encontrei a tal da Vivara que a Amanda tanto me falou que teria alianças bonitas.
Entrei na loja e falei pra funcionária que eu queria ver modelos de alianças.
Peguei o anel da Cecília dentro da mochila pra comprar do tamanho certo e mandei foto dos modelos pra Amanda.
Ela respondeu quais modelos eram mais bonitos e eu fui pelo o que ela falou.
Paguei as alianças e rodei o shopping de novo pra comprar outro presente com o intuito de esconder a sacola da Vivara dentro e fazer a Cecília achar que seria outra coisa.
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Aquela Pessoa
Teen FictionEm um dia comum no estacionamento da faculdade, um acidente inusitado une os caminhos de duas pessoas que, até então, eram completos estranhos. O impacto do encontro vai muito além dos carros amassados: suas vidas começam a se entrelaçar de maneira...
