Monique.
Nathan demorou de notar a minha presença ali pelo fato de que eu estava em um lugar mais afastado. Mas quando notou, olhou surpreso, meses que não me via mais por aqui por aqui, com certeza nem esperava me ver. Em momento algum largou da mona que tava com ele, pelo contrário, se divertia com os amigos, mas não desgrudava dela, aquilo tava me incomodando bastante.
O ano virou, mas o Cabelinho ainda não tinha cantado, ele cantaria por volta das 3h da manhã. Sinceramente eu estava sem ânimo nenhum pra curtir, e eu não sei disfarçar. Confesso que me surpreendi com a Bruna mãe do filho dele, esperei uma reação negativa da parte dela ao ver ele com outra, mas a mona tava plena, descendo até o chão sem descer do salto, bebendo e curtindo com as amigas dela, como se ele nem estivesse ali, arrasou muito.
— Camila, manda teu bofe conseguir algum amigo gostoso dele pra mim, to solteira, quero transar! — escutei Ellen falar
— Matheus sabe disso? — perguntou, Matheus é um ficante de Ellen
— Só se você contar, amiga é sério! — deu risada
— Social tinha dito que Gago gostou de você, aproveita! — falou baixo, pra ninguém escutar
— Você tem direito de ficar com o bonito e eu tenho que ficar com o pior que tem, não achei minha xereca no lixo, deixa pra lá então! — fechou a cara
— Deixa de ser chata, vou desenrolar um maneirinho pra tu. — falou rindo, Ellen se afastou indo até Paulo e Duda, Camila veio até a mim — Vamos curtir amiga, você não tá aproveitando nada! — veio para o meu lado
— Vai ficar de casal com teu bofe mana vai! — falei rindo, eu estava de canto real
— Você é mais importante! — fez biquinho, fofa. — Não quero te ver triste por causa de, Nathan! Vamos curtir. — insistiu
— Ok, mas daqui a pouco vou pra casa! — falei me levantando, ela bateu palmas me puxando pra onde as meninas estavam
Comecei misturar umas bebidas, quero esquecer de quem eu insisto em lembrar, fiquei tonta rápido.
— E aí, quer ir agora? — Social falou com Camila
— Sim, vou chamar as meninas! — ele concordou e ela veio até a gente — Ele trouxe já gente, vocês vão querer fumar? Bora! — na lógica ela falou com todas, menos comigo, eu não fumo.
— Também quero. — me ofereci
— Tu nem fuma mona, larga de fofoca! — Duda falou rindo
— Hoje eu quero, posso não? — perguntei ignorante, ninguém falou nada, só saíram andando, eu fui atrás
Fomos pra um local que o som não tava tão alto assim, gostam de fumar conversando e o som não permitia isso. Quando o baseado chegou até a mim, me enrolei um pouco, mas consegui fumar direitinho, quando a lombra bateu, fiquei leve e muito pensativa.
Quando voltei Nathan ainda estava lá sentado, os bandidos ao redor, e a mona no colo dele. Eu poderia beber toda cachaça do mundo, e ainda assim aquilo não deixaria de me incomodar. Fui me afastando aos poucos, sai sem que as meninas percebessem, elas não me deixariam sair.
Não consegui controlar o choro, parece que com cachaça a gente sente tudo 10x mais intenso. Eu ia passando pelas pessoas e nem pedia desculpas, só queria sair dali logo. Escutei alguém me chamar, mas ignorei completamente! Entrei em uma rua que eu ainda não conhecia, e me dei conta que eu estava perdida, droga! Não acredito nisso, que cachaça miserável. Voltei indo por outra rua, quando ouvi novamente a mesma voz me chamar, dessa vez mais próxima.
— Ei, garota? — me virei pra olhar, um cara me chamou de dentro de um carro, lindíssimo
— Tá falando comigo? — perguntei enquanto limpava as lágrimas
— Contigo mesmo, passou esbarrando em mim no baile, chorando pra caralho..— falou preocupado, só de olhar eu percebi que que não era envolvido, nunca que esse bofe é daqui, maior estética de playboy
— Ah, me desculpa! — respondi sem graça
— Não tem problema não, entra aí. — destravou a porta do carro e me chamou com a mão, neguei com a cabeça
— Nem te conheço cara, eu estou bebada mas ainda não fiquei louca não! — debochei
— Meu nome é Felipe, não vou te fazer mal, percebi que tu tá perdida, eu também! É a minha primeira vez pisando em uma favela. — riu sem graça
— Legal? Mas eu não estou perdida, tô muito achada, muito obrigada. — me virei pra sair
— Toma pelo menos meu número, me avisa se não conseguir achar o caminho de casa! — jogou um cartãozinho encima de mim e saiu com o carro, nem me deu chances de responder.
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Intensidade.
General FictionQueria que tivessem dito à menina doce que fui, que seu coração era grande, e por isso sofreria. Que muitos a amariam menos do que ela merecia ser amada, e que, por isso, não deveria aceitar migalhas. Que perderia pessoas, e tudo bem, desde que não...
