TH.
Cheguei na favela puto e bolado, Ingrid me ligando pra caralho, provavelmente alguém falou pra ela que me viu chegar, nem atendi. Fui direto na casa da Bruna, ela ainda tá morando na mesma casa que nós dois morávamos juntos, no começo de tudo.
Cheguei arrombando o portão, abrindo a porta com tudo, meu filho dormindo no sofá, Bruna olhando tudo assustada pelo barulho, mas ficou um pouco aliviada quando viu que era eu.
— Tá maluco porra? Tá invadindo minha casa assim por qual motivo? — falou estressada, encarei ela
— Tu pensou que eu nunca ia descobrir né? Querendo tirar o vagabundo como otario, pegando o parceiro, desfilando com ele pra cima e pra baixo como se eu fosse cego. — tirei a arma da cintura, ela arregalou os olhos, a expressão mudou completamente
— Vai me matar? É isso? Quer bancar o brabo dentro da casa onde teu filho dorme? — me olhou assustada
— Vagabunda, é isso que você tá sendo, se envolvendo com o parceiro que fecha na mesma facção que eu, desfilando com ele pra todo canto, tá pensando que sou oque? Pra você se envolver com outro, só se me matar primeiro. — me aproximei dela
— E você que come várias por aí, é oque? Quer vir falar de quem eu tô me envolvendo agora? Quem te contou isso? — o rosto mudou completamente. Não era mais susto, era raiva.
— Quem eu me envolvo não te interessa em nada pô, eu me envolvo com quem eu quiser, quem não pode é você. — passei a mão no pescoço dela, e apertei
— Nathan, me solta! Respeita pelo menos seu filho, mas nem isso você faz. Você não acha suficiente o inferno que você me fez durante a minha gravidez não? — encostei a arma de leve na testa dela — Você é muito narcisista cara, só você pode ser feliz, só você pode seguir em frente com outra pessoa..— ela falou com a voz fraca, o olhar fixo no meu, sem conseguir esconder o ódio.
— A questão é que você quer pagar de esperta, quer amostrar pra geral que tá me dando troco pegando o parceiro lá, mas você esquece que quem tem o controle sobre você sou eu, não você que tem sobre mim! Pra você seguir a sua vida, só se eu deixar, e eu não vou. Já manda aquele filha da puta se preparar, eu vou na direção dele, e você sabe que não sou de falar, sou de fazer. — falei seco, olhando nos olhos dela, deixando ela sentir o peso de cada palavra.
— Tu acha que pode ameaçar todo mundo, mas tu é só um covarde. Um moleque mimado com uma arma na cintura. Pode ir tranquilo, ele não vai abaixar a cabeça pra você! — eu apertei mais seu pescoço, e pressionei a arma, pronto pra atirar, mas eu não consegui.
Aquelas palavras dela me acertou diferente. Não porque era mentira, mas porque doeu ouvir.
— E mesmo assim, tu me amou, e ainda teve um filho comigo, agora aguenta! — me afastei.
— Tu vai acabar sozinho, Nathan. E nem vai ser porque alguém te matou... vai ser porque ninguém mais vai querer ficar do teu lado. — os olhos cheios d’água, mas ainda cravados em mim com uma mistura de ódio. Encarei ela apenas uma última vez antes de ir embora, e eu vi em seus olhos que realmente ela estava cansada de mim.
Sai dali cheio de parada na mente, doido pra chegar até esse Renan, papo reto! Eu poderia ir na direção dele agora, e acabar com ele. Mas eu não vou agir na emoção, vou chegar nele na melhor. Ele não vai me tirar como otario dessa forma.
— Oi amor, você nem atendeu minha ligação! — Ingrid falou quando entrei dentro de casa
— Tu sabe que eu tava resolvendo umas paradas, começa não! — falei ignorante passando por ela e indo diretamente para o quarto, ela veio atrás de mim, nós num tá morando junto não, mas depois que engravidou, vive mais aqui em casa do que na dela.
— Mudando de assunto, fui resolver com a sua mãe hoje a questão do chá revelação, aí eu estou tão feliz! Compramos bastante roupa para o baby no shopping também! — disse animada tentando cortar o clima, ela tá de 4 meses, e eu ansioso pra caralho pra saber se tá vindo uma menina por aí, mas ela cismou com essa parada de chá.
— E marcou pra quando? — perguntei tirando a camisa
— Não tem uma data definida, depende se vamos conseguir descobrir o sexo né, da última vez o neném estava com a perninha fechada, lembra? — concordei — Mas espero que dessa vez de tudo certo, não aguento mais de tanta ansiedade. — riu
A minha torcida era pra que fosse menina, papo reto! Meu sonho ser pai de menina, amo o Enzo pra caralho, e agradeço a Deus sempre por ter um moleque, mas agora preciso de uma menina pra equilibrar. Pra trazer leveza, me tirar do eixo, me fazer sorrir nas horas mais pesadas. Já imaginei várias vezes ela correndo pela casa, com aqueles vestidinhos coloridos, me chamando de “papai” com aquela voz fininha que só criança tem.
— E se for menina, já pensou em nome? — perguntei, jogando o corpo na cama, ainda sem tirar os tênis.
— Já pensei em vários, mas tem um que não sai da minha cabeça... — ela falou com aquele brilho no olhar — Lara. O que você acha?
— Lara? — repeti, encarando o teto. O nome caiu bem. Tinha uma vibe de paz, diferente do caos que me cercava todos os dias.
Encarando a barriga da Ingrid, me veio vários flashback de quando era a Bruna grávida do meu primeiro filho. Fiquei pensativo pra caralho, essas paradas é foda.
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Intensidade.
General FictionQueria que tivessem dito à menina doce que fui, que seu coração era grande, e por isso sofreria. Que muitos a amariam menos do que ela merecia ser amada, e que, por isso, não deveria aceitar migalhas. Que perderia pessoas, e tudo bem, desde que não...
