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Monique.

— Até que fim irmã que susto, TIA ELA ACORDOU! — Camila falou correndo pelo quarto, fui me levantando da cama meio zonza, minha mãe veio em minha direção com um copo D'água e me entregou

— Tá sentindo alguma coisa? — perguntou preocupada, neguei com a cabeça procurando o teste de gravidez com os olhos, será que Camila contou pra ela? — Sim, eu já sei da sua grávidez. Monique, quem é o pai dessa criança? — meu coração acelerou, que situação chata

— Mãe, eu nem sei por onde começar a te contar isso, eu estou muito envergonhada, sério! — falei sincera, ela nem sabe que mesmo depois de todo aquele rolo com Nathan, eu fiquei com ele novamente.

— Me tire apenas essa dúvida, é do Nathan? — concordei com a cabeça, ela me encarou como se já soubesse, é tão óbvio que é dele — Minha filha, como você deu esse mole sabendo da vida que esse menino tem? Sabendo quem ele é, oque ele faz...e ele não tá em outro relacionamento, com uma moça que pra completar também está grávida? Monique, que loucura foi essa? Você planejou essa gravidez para não ficar por baixo? — me perguntou apreensiva, meu coração apertou

— Claro que não, eu fui pega de surpresa tanto quanto vocês, eu nem esperava, e muito menos queria ter filho agora! — passei a mão no rosto, meus olhos encheram de lágrimas, minha mãe não pode virar as costas pra mim, não agora que eu mais vou precisar dela.

— Filho é presente de Deus, se ele enviou essa criança agora, algum propósito ele tem nisso. — Camila falou tentando amenizar

— Eu espero que você esteja preparada para lidar com a responsabilidade e as consequências dessa loucura que você fez! — minha mãe falou comigo, e saiu do quarto, nossa, eu desabei no choro.

Eu estou grávida, meu Deus...tem uma vida dentro de mim.

Não consigo parar de repetir isso na minha cabeça. Minhas mãos tremendo, meu coração parecia que ia sair pela boca, e eu me sentindo completamente perdida. Isso não estava nos meus planos. Não agora. Não assim.

Quando vi o teste dar positivo, meu mundo girou. É como se tudo que eu conhecia até agora tivesse se desfeito em silêncio, e o que ficou foi um vazio cheio de medo. Medo de não estar pronta. Medo de como vou contar pra o Nathan, medo do que ele vai pensar de mim. Medo do futuro, do meu trabalho que posso perder, da vida que talvez nunca mais volte a ser como era.

— Amiga, não fica assim! Na minha opinião você deveria mandar mensagem pra ele e contar tudo, eu conheço você! Tu só vai ficar tranquila quando souber oque ele vai dizer sobre isso. — Cami me aconselhou, ela me conhece como ninguém.

— Eu não vou mandar mensagem, ele não merece! — relutei, mas então eu pensei na vida que estava crescendo dentro de mim, não é justo comigo lidar com isso sozinha.

Peguei meu celular, entrei no contato dele, e escrevi a seguinte mensagem: Oi, será que a gente pode conversar? É importante.

Já tinha escrito e apagado a mesma frase pelo menos umas cinco vezes. O coração estava acelerado, como se cada batida dissesse “vai, manda logo”, e ao mesmo tempo “não faz isso, você vai se machucar” Suspirei fundo, reli as palavras uma última vez, e apertei enviar com os olhos fechados, como se isso pudesse mudar oque viria depois.

Alguns minutos depois: visualizado.

Eu esperei. Esperei mais um pouco o digitando...e esse digitando não apareceu. Nada. O silêncio dele foi como um tapa. Um vazio seco. Uma ausência que gritava.

— Ele viu, mas não respondeu nada. — falei meio sem graça — E olha que eu nem falei nada sobre a gravidez ainda, e pelo visto ele nem vai me permitir falar. No fundo, eu já esperava...— ri sem humor 

Confesso que eu estava esperando um “oque aconteceu?" "estou indo aí agora!" Qualquer coisa, mas nem isso, ele não respondeu nada.

— Olha pra mim....Eu tô com você, em cada consulta, em todas as madrugadas que o medo bater, e em todas as batalhas que você enfrentar, a gente passará por tudo juntas, ok? — concordei, e ela me puxou pra um abraço. Eu nem sei oque seria de mim sem a Cami.

Passei metade do dia xoxa, capenga, me sentindo fraca e derrotada. Acabou pra mim!

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