65

2.1K 130 21
                                        

Monique.

Segunda-feira bateu na porta, e aqui estou eu trabalhando

Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.

Segunda-feira bateu na porta, e aqui estou eu trabalhando. Só porque engravidei não significa que vou largar o trabalho. Infelizmente, ainda não tenho estrutura financeira pra isso. No momento, sou eu e minha mãe segurando as pontas. Meu pai até ajuda financeiramente, mas não é o suficiente para que eu possa parar de trabalhar, ainda mais agora que Merliah está vindo aí.

Na gravidez, a gente fica dez vezes mais sensível, com os hormônios à flor da pele. Estou me esforçando muito pra manter a rotina normalmente. Acho que a coisa mais difícil da vida adulta é essa, você tem que continuar, não importa o humor ou a situação.

Fiquei no bronze até cinco da tarde, montei o biquíni de fita das últimas clientes do dia, e fui embora. Na volta, passei na padaria, comprei umas coisas pro café, e guiei direto pra casa. Minha mãe já tinha chegado do trabalho também.

— E o resultado do DNA, sai quando? — ela perguntou de costas lavando a louça

— Amanhã. — respondi me sentando em uma das cadeiras da cozinha — A mãe dele até mandou mensagem perguntando se eu posso passar no laboratório pra pegar! — minha mãe virou pra mim secando as mãos no pano de prato, com aquele olhar preocupado

— Eu espero que quando esse resultado sair, ele comece a te ajudar financeiramente. Fico tão preocupada... você grávida, trabalhando o dia inteiro. — negou com a cabeça

— Ah, mãe... — suspirei cansada — eu nem quero ajuda financeira dele, sabe? A única coisa que eu quero é que esse resultado saia logo. Apesar de que... quando Nathan saber que é menina, ele vai surtar! — dei uma risadinha sem humor, me dá até um frio na barriga só de imaginar, vai ser o caos

— Eu tô doida pra cruzar com ele por aí! — falou estressada — Tô doida, viu? Depois dessa história de DNA que ele inventou, nunca mais tive notícia dele aqui na rua. Quero perguntar na cara dele se vocês se conhecerem no brega, pra ele achar que o filho não é dele. — disse daquele jeito dela

— Mãe, tá tudo bem, de verdade! Eu já entendi que eu só posso contar comigo, com a senhora, e com as minhas amigas, e isso basta. — falei sincera

— Você não merece passar por isso sozinha! Não merece! — falou indignada sentando ao meu lado pra fazer carinho em minha barriga, ela ficou ali conversando horrores com Merliah, vovó babona.

Depois fui para o quarto tomar um banho, e me deitei na cama, lendo algumas mensagens em meu celular. Até entrei na minha conversa com Nathan, a última mensagem foi a que ele me enviou no sábado, perguntando se eu queria brotar na Rocinha! Zero respostas da minha parte, até hoje.

Camila: irmã???
Camila: to obrigando ellen falar uma coisa urgente e seria q aconteceu sábado pra vc 
Monique: oi amiga
Monique: pq vcs n vem aq em casa hj?
Camila: a Ellen foi pra facul, não dá
Monique: pq não fala logo por mensagem se é tão urgente?
Camila: é algo muito delicado pra falar por aqui.

Revirei os olhos! Camila é muito estranha às vezes, sério. Ao invés de falar logo, fica fazendo rodeios. E ela sabe que odeio isso. Deixei o celular de lado por um instante, tentando não surtar. Mas, claro, a curiosidade de saber oque é, era maior.

Voltei a rolar os status do WhatsApp, e acabei parando no do Felipe. Ele tinha postado há cinco minutos uma foto, com uma legenda dando a entender que estava mal.

Felipe vinha sendo um alívio no meio desse turbilhão. A gente tinha conversado bastante nos últimos dias, até chamada de vídeo rolava. Não que eu estivesse iludida, nem nada. Eu só estava gostando de ter alguém que realmente se importava. Que perguntava se eu já tinha comido, se estava descansando, ou mandava mensagem só pra desejar boa noite, porém eu ainda fico muito na defensiva com ele, tenho medo de me decepcionar.

Monique: oq aconteceu, gente?
Monique: tá doente?
Felipe: Tô malzao 🤒
Felipe: Era só vc cuidando de mim aq agora
Monique: onde vc tá?
Felipe: No meu apê aqui na barra da tijuca (localização)
Monique: vou chamar o Uber
Monique: to indo p aí agora cuidar de vc, rs.

Peguei minha bolsa às pressas colocando algumas coisas dentro, meu coração batendo acelerado, passei a mão pela barriga, como se pudesse acalmar a mim mesma, e a Merliah ao mesmo tempo. Talvez fosse loucura, talvez fosse o certo, mas nesse momento, tudo que eu queria era ir até ele, e eu segui meu coração!

Intensidade. Onde histórias criam vida. Descubra agora