69

2.1K 119 20
                                        

Monique.

Passei metade do meu dia com a Bruna, e a mãe do Nathan. Em um momento da conversa, a dona Nívea falou sobre a Ingrid (atual dele) disse que não é muito a favor desse relacionamento. Que o pai dela não aprova, e que ela se afastou da própria família por causa disso, que já tentou alertar os dois, mas Nathan diz que não tem nada sério com ela, e Ingrid continua cega por ele.

Elas falaram que passaram o comando da rocinha para Nathan. Quando dona Nívea contou, o clima mudou, ela tentou disfarçar, mas eu vi. Era tristeza, era medo de perder o filho para algo que ela não consegue mais controlar.

Ela tinha pedido que ele não aceitasse. Tinha implorado, com a força que só uma mãe tem quando tenta salvar um filho que já fez a própria escolha. Mas ele não escutou, achou que precisava assumir, que já estava envolvido demais pra recuar.

Ouvir aquilo mexeu comigo, porque por mais que Nathan tenha me machucado, por mais que tenha duvidado de mim, ele ainda é o pai da minha filha. E de um jeito que eu não gosto de admitir, eu ainda me preocupo com ele.

O que vai ser da Merliah se algo acontecer com ele. Como vou explicar? Como vou proteger ela disso tudo? E pior....como vou proteger meu próprio coração desse medo que nasceu em mim: perder alguém que eu ainda queria ver mudando, mesmo que ele não mereça.

Camila: a Ellen e eu estamos aqui em frente a sua casa te esperando!!!!

Me despedi de Bruna e Dona Nívea, agradecendo por todo o apoio e pela honestidade delas. Sai dali seguindo em direção à minha casa. Quando cheguei perto, vi as meninas no portão.

— Oi, amiga, demorou! — Cami disse me dando um abraço, enquanto Ellen me cumprimentou com um beijo na bochecha. Entramos em casa, e eu senti um clima estranho, sabe?

— O que aconteceu, gente? — perguntei, elas trocaram um olhar quase imperceptível, mas eu percebi

— Tem algo que a Ellen precisa te contar....e não vai ser fácil, mas você tem que saber! — Camila falou rápido

— Pode falar, irmã. Você sabe que entre a gente nunca teve segredos! — respondi sincera. Ellen me encarou, ela estava visivelmente desconfortável, mas permaneceu em silêncio

— Eu nem sei como começar, Monique. Mas você precisa saber... — Camila hesitou mais um pouco, e o silêncio entre a gente parecia pesar ainda mais. — A Ellen... ela ficou com o Nathan.

O ar ficou pesado. Eu senti o sangue gelar nas veias. Olhei para Camila, depois para Ellen, tentando entender se eu tinha escutado certo. As palavras ainda ecoavam na minha cabeça, mas a realidade não fazia sentido.

— O quê? — foi tudo o que consegui dizer com a voz falhando. Eu sabia o que tinha ouvido, mas não conseguia acreditar

— Eu fiquei com ele, irmã. — a voz da Ellen saiu num fio, quase como um pedido de desculpa sufocado

— Quando? — perguntei com a voz trêmula

— No sábado! — meu peito apertou como se tivesse acabado de levar uma facada

Eu só consegui olhar pra ela, pra aquele rosto que eu conhecia desde sempre, que tantas vezes enxugou minhas lágrimas,  inclusive por causa dele.

— Como você teve coragem, sabendo de tudo? Sabendo da Merliah, meu Deus... — botei a mão na cabeça, ainda sem acreditar

— Eu me senti um lixo depois. E olha que não passou de um beijo, eu juro! Eu não sabia como te contar, me deu nojo de mim mesma, amiga! — disse desesperada

— Amiga? — soltei uma risada sem humor. — Eu não tô surpresa por ele. Eu conheço o suficiente pra saber que o Nathan é capaz de tudo. Agora você? — falei ainda em choque, eu estava em êxtase

— Ele ficou me olhando, veio até mim, me beijou... ele se aproveitou — Ellen disse tentando se justificar, como se isso diminuísse o que fez

— Não tenta jogar isso só nas costas dele não, você podia ter empurrado, dito que não queria. Se você ficou, foi porque sempre existiu vontade! — falei estressada, Camila continuava em silêncio, mas dava pra ver que ela também estava abalada

— Eu errei! — Ellen chorava — Eu me odiei desde o segundo que aconteceu. Eu não planejei! Foi tudo muito rápido — se aproximou como se quisesse me tocar, mas eu me afastei.

— Não, não encosta em mim! Vai embora da minha casa, some da minha frente! — falei firme.

Ela hesitou, mas Camila a puxou levemente pelo braço. As duas caminharam em direção à porta, mas antes de sair, Ellen me olhou uma última vez.

— Me perdoa, por favor... eu te amo, Monique — disse desesperada.

Eu não respondi. Não tinha mais nada ali. Só o silêncio.

Assim que a porta se fechou, eu desabei. Camila ficou ao meu lado, me abraçando em silêncio enquanto eu chorava sem conseguir me controlar. Meu peito ardia, como se a dor estivesse queimando por dentro. Uma traição é uma coisa... mas quando vem de quem a gente mais confia, parece que rasga a alma

Intensidade. Onde histórias criam vida. Descubra agora