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TH.

— A senhora viu aquela parada que eu te pedi? — perguntei pra minha mãe

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— A senhora viu aquela parada que eu te pedi? — perguntei pra minha mãe.

— Tá falando do teste de DNA? Vi sim, meu filho — respondeu com aquele tom de quem já tava pensando nisso há muito mais tempo do que eu. — Mas fazer isso com a criança ainda na barriga é arriscado. Você sabe de quantos meses essa menina tá?

— Três pra quatro, mais ou menos... — respondi, evitando o olhar dela.

— Olha, Nathan... eu entendo sua dúvida, entendo até seu medo. Mas tem coisa que não se resolve assim, na correria, no impulso. Fazer esse teste agora pode colocar o bebê em risco. E mais que isso — ela me encarou — pode magoar profundamente essa menina. Se ela tá dizendo que é seu, escuta, conversa, acompanha. E quando a criança nascer, aí sim vocês fazem o DNA. Sem colocar mais dor no meio.

— Tem nem sentido esperar nascer. Quero saber hoje, agora. Tenho paciência pra esperar, não! — falei sério. — A senhora vê lá com a doutora, pra ver se tem como ela vir fazer aqui na favela. Tenho como descer pra pista pra fazer não.

— Você não foi criado pra viver fugindo do mundo lá fora e preso aqui dentro da comunidade como se fosse um bicho! — ela negou com a cabeça. — E também não foi criado pra sair por aí duvidando do caráter alheio sem ter certeza. Cuidado com o que você planta agora... porque vai colher tudo lá na frente. E pra completar, você engravidou ela e a Ingrid quase ao mesmo tempo. Fora o Enzo Gabriel que nem um ano tem! Você não sabe o que é preservativo, não? — minha mãe é foda, fala na cara.

— Ih, qual foi? Que papo é esse?! — rebati, Ingrid veio em nossa direção.

— Dormiu. Coloco ele onde? — perguntou com meu filho no colo. Tava rolando um churrasco na casa da coroa hoje, trouxe ela comigo.

— Pode me dar que eu vou colocar ele na cama! — minha mãe disse, pegando Enzo do colo dela. Me deu uma última olhada e se afastou. A única que sabe desse assunto da gravidez da Monique é ela. Ingrid nem sonha.

— Já comeu? — perguntei, abraçando ela por trás e alisando sua barriga.

— Sim. Afinal, tô comendo por dois, né? Sua irmã tá tão carinhosa comigo, toda hora beija minha barriga. Ela é uma querida! — falou rindo. Minha irmã tem 8 anos, e é esperta pra caralho. Meu bebê também.

— E você, já falou com teu pai? — Ingrid se virou de frente pra mim e suspirou fundo.

O pai dela não aceita de jeito nenhum nossa relação, e ficou pior depois da gravidez. Sendo que, como, não tem nada pra aceitar. Eu nunca assumi relacionamento sério com ninguém depois que terminei com a Bruna. Considero Ingrid só como ficante.

— Ah, Nathan, você sabe que... — tentou falar, mas Social chegou

— Num é querendo atrapalhar conversa nenhuma de vocês, não, mas quero falar uma parada séria contigo — ele me encarou, e eu só olhei pra Ingrid. Ela entendeu que era pra se afastar e saiu.

— Qual foi? — chamei ele pro lado de fora.

— Te considero pra caralho, tu sabe! Jamais vou aceitar que te passem pra trás. Se fizerem contigo, é como se tivessem fazendo comigo — encarei ele sem entender.

— Ih, qual foi? Dá o papo logo, maior enrolação — cruzei os braços e acendi o baseado, escaldadão já.

— Menor passou a visão que o mano Renan tá na casa da Bruna. Chegou agora lá. Desacreditado, querendo te tirar de otário assim, na casa que ela mora com teu filho. — Minha cara esquentou.

— Aqui na favela?! — ele concordou.

— E virou bagunça essa porra? Querendo me comediar dentro de onde sou cria? Qual foi? Quero nem conversa. Vou brotar lá e matar os dois. Essa porra foi longe demais já — saí andando, de cara quente. Toma no cu pra lá.

— Não vai fazer besteira antes de falar com os parceiros que tão acima de nós. Tu tá ligado que essa porra vai dar um B.O dos grandes. Talarico na favela não pode, mas ele também tem moral, assim como você — tentou me segurar pelo braço.

— Porra nenhuma! O único que pode vir contra mim é Deus. O resto é muita bala — me soltei, e entrei no carro, peguei a arma que tava no banco de trás e coloquei na cintura.

Pra eu rir, a mãe de alguém vai ter que chorar hoje.

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