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Monique.

Salmos 127:3 Os filhos são herença do senhor, uma recompensa que ele nos dá.

Já se passaram algumas semanas desde que descobri a minha gravidez, e hoje foi o dia da minha primeira ultrassom, descobri que estou com 3 meses.❤️🥺

Após todo aquele caos da descoberta, minha mãe me pediu perdão, disse que foi pega de surpresa, que o medo falou mais alto do que o amor naquele momento. Pela primeira vez, senti que não estava sozinha nessa. Não posso esquecer também do apoio do meu pai, que mesmo distante se fez presente, e das minhas amigas que me apoiou muito.

Às vezes ainda acordo assustada, me perguntando se vou dar conta. Mas nesses momentos eu respiro fundo, coloco a mão na barriga e sinto como se, de alguma forma, esse serzinho dentro de mim me dissesse: vai dá tudo certo, mamãe. Por enquanto continuo com a minha rotina normalmente trabalhando lá no bronze, conversei com a dona e ela foi muito compreensiva, fiquei com tanto medo de perder meu emprego, mas deu tudo certo, não tenho contato com o sol e nem com os produtos, pois só fico na parte da montagem do biquíni de fita.

— Será que é menino ou menina? — Paulo o viado, falou tocando no assunto, logo após a consulta viemos almoçar no shopping, eu, ele e as meninas, só faltou Duda e minha mãe que infelizmente não conseguiu vir, ela começou trabalhar faz pouco tempo.

— Eu tenho quase certeza que é uma menina, homem safado sempre tem que ter uma filha menina, só de raiva! — Camila disse rindo

— Mas não vamos esquecer que a outra lá também está grávida né, talvez a dela seja menina, e a de Monique menino...— Ellen comentou, as meninas rapidamente a repreendeu com o olhar, por causa de mim.

— Nunca se sabe, mas eu quero muito que seja uma menina, tô com 0 ideia de nome de menino, gente! — tentei quebrar o clima pesado que ficou.

— Mas esse filho de vocês vai ser lindo, porque eu acho Nathan bonito, apesar de não valer um real! — Paulo falou descontraído, me arrancando uma risada sinceramente, realmente, feio ele não é.

Almoçamos e conversamos bastante, passamos nas lojas, vimos algumas coisinhas de bebê, mas tô preferindo não comprar muitas coisas no momento, quero começar quando descobrir o sexo. E depois pegamos um Uber pra o morro, e descemos na entrada.

Como as meninas queriam passar no açaí ainda, optamos por subir andando mesmo, hoje a favela estava bem movimentada pelo fato de que está tendo jogo do Flamengo. Quando chegamos na praça, eu vi de longe Nathan sentado com a menina que também está grávida dele dentro de um bar super conhecido aqui, estava lotado de bandido, por sinal.

Meu coração acelerou, desde a mensagem que enviei para ele no dia que descobri a gravidez, e ele não respondeu. Então automaticamente não tivemos mais contato, nem nós viemos na rua. Nada. Minha barriga ainda não está enorme, mas por eu está de cropedd, estava completamente a amostra. E ele não sabia que eu estava grávida ainda, na verdade quase ninguém sabia, além de quem é próximo de mim. Eu não permiti nem que a Camila contasse para o Social, para não chegar no ouvido do Nathan, quem menos deveria saber agora.

— Quer voltar? — Paulo perguntou baixinho, se aproximando de mim. Camila e Ellen também pararam, sem dizer nada.

— Não... tá tudo bem. — menti, mesmo sentindo tudo, menos isso.

A gente seguiu andando, tentando ignorar. Mas parecia que o mundo tinha parado ali. A risada dele, o copo na mão, os braços apoiados na mesa, e a menina colada. Eles estavam ali como casal. Como se nada tivesse acontecido. Como se ele não tivesse ignorado minha mensagem.

— Ela tá com a barriga maior que a tua, né? — Ellen comentou, assenti com a cabeça, engolindo seco.

— Mas tua luz é outra, amiga. Tu tá linda demais, olha pra ti! — Camila disse alisando minha barriga

— Cara, eu tô sentindo que ele vai olhar pra cá...— Paulo falou baixo

E como se fosse cena de novela... ele olhou. De longe, mas olhou. Os olhos dele foram direto pra minha barriga. Depois pro meu rosto. E congelaram ali.

Deu pra ver que a expressão mudou. A mão dele travou no copo. A menina ao lado continuava falando, rindo, mexendo no celular, sem perceber nada.

A gente passou reto pela praça. Meu coração batendo descompassado, mas minha cabeça erguida, por dentro um nervoso que não tinha fim!
Eu não consegui definir se foi questão de segundos, minutos, sei lá. Mas Nathan começou ligar sem parar pra mim, e eu ignorando todas as ligações, tentando fingir costume com algo que tava me virando do avesso por dentro.

O celular vibrou de novo. Não era ligação dessa vez, era uma mensagem.

TH: vc tá grávida?

Fiquei encarando aquelas três palavras por alguns segundos. Senti a garganta fechar. O dedo coçando pra responder um “tô sim, e daí?”, mas não. Respirei fundo e bloqueei a tela. Eu não vou responder, ele não merece saber.

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