Monique.
— O que você tá fazendo aqui? — perguntei ao abrir o portão e me deparar com o Nathan
— Vim saber de você e nossa filha! — analisei ele da cabeça aos pés. Estava um pouco diferente, com uns cordões enormes no pescoço
— Vai embora, pelo amor de Deus! — revirei os olhos e já ia fechando o portão, mas ele empurrou, me impedindo. Não é possível que nem no meu dia de folga eu tenha paz.
— Tu aceitou fazer o DNA por quê, então? Sabia que uma hora o resultado ia sair, e se eu realmente fosse o pai, é lógico que ia vir atrás de você! Tô nem te entendendo. — falou sério — Quero saber de você, da nossa filha… te pedir desculpas por ter duvidado da sua palavra. — o encarei incrédula, muito cínico, que isso
— Cara de pau! Você me diz que a filha não é tua, depois fica com minha amiga… e agora aparece aqui pedindo desculpas pra mim? Você se acha o dono do mundo! — falei puta cruzando os braços e mantendo o corpo na frente da portão, impedindo qualquer tentativa dele de entrar.
— Ih, qual foi? Tô te pedindo desculpa, pô — ele disse, meio sem jeito, mas tentando manter a pose. — Eu sei que vacilei, fui filha da puta pra caralho com você, fui covarde, tá ligado? Mas desde que saiu aquele resultado…eu sempre quis ter uma menina, segurar ela no colo, ensinar a andar, proteger ela do mundo mesmo com a vida errada que eu vivo. — fiquei em silêncio por um segundo, aquilo me pegou desprevenida, mas não deixei transparecer.
— Nathan, eu não quero criar a Merlia cercada de promessas vazias. Eu não quero que ela conheça esse teu mundo, e também não quero suas desculpas. Só quero paz pra mim e pra ela! — falei sincera
— Não tô mais na gerência aqui do Jaca, passaram o comando da Rocinha pra mim! Vou mandar os parceiros procurar uma casa pra você lá, quero vocês duas perto de mim, acompanhar cada fase da sua gravidez. — ele falou tentando passar a mão na minha barriga, mas eu o afastei imediatamente
— Você acha mesmo que isso é motivo de orgulho? — perguntei, rindo de nervoso. — Você não entende que cada passo que você dá nesse mundo aproxima ela do perigo? Que a Rocinha ser “tua” só me dá mais motivo pra manter distância? O que pra você é prêmio, pra mim é pesadelo! — Nathan me encarou sério, como se estivesse buscando paciência no fundo da alma.
Em seguida, o celular dele tocou. O nome Ingrid brilhou nitidamente na tela, e assim que ele atendeu, sua expressão mudou na hora.
— Tenho que ir. Ingrid tá sentindo dor, minha coroa tá indo, mas eu também tenho que ir! — disse apressado desligando. E antes que eu pudesse reagir, ele segurou meu rosto e me beijou.
Fiquei completamente sem reação, paralisada pelo atrevimento e pelo absurdo do momento. O som de um carro parando do outro lado da rua me fez virar a cabeça. Era o Felipe. Ele ainda segurava a chave, prestes a descer, mas parou ao nos ver. Nem esperou dois segundos, ligou o carro de novo e arrancou dali.
— NÃO, FELIPE! — gritei, correndo até a calçada, mas era tarde demais. Nathan veio em minha direção — Olha o que você fez! — esmurrei o peito dele, tomada de raiva. — Você vive destruindo tudo que eu tento reconstruir! Tudo! Eu tava tentando seguir, me permitir de novo… e você aparece, força um beijo e estraga tudo!
— Quem é aquele? — perguntou sério, cheio de autoridade
— Meu namorado! — menti com firmeza — Agora sai daqui. Vai cuidar da Ingrid, vai viver tua vida! — falei estressada, ele me encarou por alguns segundos e então entrou no carro.
— Eu vou... mas ainda quero conversar contigo — disse sério, antes de partir.
Entrei de volta em casa com tanto ódio que vocês não têm noção. Mal sabia como ia consertar aquilo com o Felipe… se é que ainda tinha conserto.
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Intensidade.
General FictionQueria que tivessem dito à menina doce que fui, que seu coração era grande, e por isso sofreria. Que muitos a amariam menos do que ela merecia ser amada, e que, por isso, não deveria aceitar migalhas. Que perderia pessoas, e tudo bem, desde que não...
