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Ingrid.

Passei a madrugada toda sentindo fortes dores na barriga. Quando amanheceu, as contrações diminuíram um pouco, me dando uma falsa sensação de alívio. Me convenci de que poderia ser só mais um incômodo normal da gestação. Mas agora, no meio da tarde, a dor voltou. E junto com ela, um sangramento que me fez gelar por dentro.

Estava sozinha em casa, então tentei manter a calma, mas as mãos tremiam. Respirei fundo, mesmo com o medo apertando o peito, e peguei o celular. A primeira coisa que fiz foi mandar mensagem para a mãe do Nathan, e ligar pra ele também logo em seguida.

Desliguei o telefone e levei a mão até a barriga, tentando sentir algum movimento, qualquer sinal do meu filho. Mas naquele momento... tudo parecia silêncio. Não demorou nada para que a mãe dele chegasse desesperada ao me ver pálida e encolhida no sofá.

— Eu vim o mais rápido que pude, deixei a Nataly na casa da vizinha e vim! — ela disse, se agachando ao meu lado, tentando me ajudar a levantar com todo cuidado — Meu Deus, o que tá acontecendo? Você tá apenas com seis meses…

— Tô com dor… e tá sangrando — respondi com a voz trêmula, tentando segurar o choro que já me arranhava a garganta

— Nathan ainda não chegou? — neguei com a cabeça — Ele disse que já estava a caminho....meu carro tá aí fora, preciso te levar pra emergência, URGENTE! — me ajudou a levantar com dificuldade, cada passo era um esforço

Pegamos meus documentos e minha bolsa. Ela avisou ao Nathan que estávamos descendo pra pista, e então entramos no carro às pressas. O caminho foi longo, tenso, eu chorava muito, não estava conseguia me acalmar.

Assim que chegamos ao hospital, fui rapidamente colocada em uma cadeira de rodas. Dona Nívia falava com a recepcionista enquanto eu apertava a barriga com as mãos, tentando conter o desespero.

Fui levada direto para a sala de emergência, fizeram o exame de toque, me conectaram aos aparelhos, e o monitor que deveria exibir os batimentos do bebê emitia um silêncio ensurdecedor. O olhar da médica mudou. Ela passou o aparelho de novo, e de novo... até finalmente me encarar.

— Infelizmente… o coraçãozinho parou! Você entrou em trabalho de parto prematuro, houve um descolamento da placenta. Sinto muito… o bebê não resistiu! — por um segundo, não entendi. Ou talvez só não quisesse entender, mas quando ela repetiu, com mais firmeza, meu mundo desabou.

Eu gritava desesperada, lágrimas escorriam pelos meus olhos sem que eu pudesse controlar, meu peito apertava a cada respiração, como se algo estivesse me sufocando. Sentia o vazio invadindo meu corpo inteiro. Meu filho já não estava mais comigo, eu tinha que passar pela angústia de deixá-lo ir de uma forma que jamais imaginei.

Dona Nívia estava ao meu lado chorando, ela tentava ser forte, tentava me acalmar, mas nem ela sabia o que dizer. Não havia palavras que pudessem trazer alívio para a dor de perder um filho antes mesmo de tê-lo nos braços. E eu conheço bem a dor do luto, já perdi minha mãe.

Lorenzo tava tão grandinho, seis meses!  Faltava tão pouco para tê-lo nos braço. Isso só pode ser um pesadelo.

*a história vai entrar na reta final, as coisas vai começar a entrar em seus eixos agora, intensidade não será uma história grande e não terá segunda temporada 🥺

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