Queria que tivessem dito à menina doce que fui, que seu coração era grande, e por isso sofreria. Que muitos a amariam menos do que ela merecia ser amada, e que, por isso, não deveria aceitar migalhas. Que perderia pessoas, e tudo bem, desde que não...
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O motorista chegou exatamente às 19h. Dentro de um Corolla preto. Eu estava vestida com um vestido colado e um salto médio só pra dar aquele charme, e o cabelo solto. A barriga aparecia pouco, dava pra disfarçar de boa.
— Boa noite, Monique? — o motorista perguntou, concordei. Ele abriu a porta pra mim com um sorriso educado.
— Boa noite! — respondi entrando no carro.
O caminho foi silencioso, mas confortável. Quando chegamos ao restaurante, quase engasguei. Era um lugar chique, com a fachada toda de vidro, completamente diferente dos lugares que estou acostumada, fiquei até um pouco desconfortável.
Felipe me esperava ao lado de dentro muito bem vestido, com aquele sorriso lindo que ele tem. Ele é um gato, isso não dá pra negar.
— Você tá linda — disse, puxando a cadeira pra mim. — Sério... eu sabia que você era bonita, mas hoje você tá tipo... surreal.
— E você tá exagerando — respondi rindo sentindo meu rosto esquentar de vergonha.
— Pensei que nunca mais ia te ver! — falou em um tom descontraído
— Mas eu estou aqui, né? E você, como tá? — encarei ele me sentando
— Tô resolvendo bastante coisa na empresa do meu pai, daqui a algumas semanas eu já estou voltando pra São Paulo! — sentou também — Quer beber oque? Vinho? — sugeriu
— Hmm... — murmurei, meio sem jeito. — Pra mim, só um suco de uva mesmo. Pode ser? — Felipe olhou pra mim, arqueando uma sobrancelha.
— Suco? Tá dirigindo? — disse rindo
— Não...é que eu não tô bebendo mais! — falei sem graça
— Ih, tá grávida? — concordei com a cabeça. Ele me olhou por alguns segundos, piscando devagar como se o cérebro estivesse processando, e ficou quieto por alguns segundos — Desculpa. Eu só... fui pego de surpresa. Você é a última pessoa que eu imaginaria... —parou no meio da frase, percebendo que podia soar errado. — Você disse que era solteira, ou estou errado?
— Não, você tá certo. Eu sou solteira. — respondi, firme, mas sem perder a calma. — Só que... nem tudo na vida acontece como a gente planeja, né? — ele assentiu lentamente, ainda me olhando como se tentasse reorganizar os pensamentos.
— E o pai... ele tá presente? — perguntou com um pouco mais de cuidado, como se temesse invadir um espaço que não era dele.
— Não. — falei simplesmente. — E sinceramente? Nem quero que esteja. Tô seguindo minha vida, do meu jeito! Desculpa por ter te assustado soltando essa bomba assim, do nada...
— Assustar? — ele repetiu dando um sorriso — Talvez um pouco... mas não do jeito que você tá pensando. É só que... eu não esperava. Mas saber disso só te fez parecer ainda mais forte pra mim.
— Forte? — arqueei a sobrancelha
— Sim. Tem muita mulher que esconderia, ou que nem sairia de casa com medo de julgamento. Mas você veio. Com a cabeça erguida, linda, sincera... — ele sorriu de novo. — E grávida.
— Não sei se isso é um elogio ou se você tá tentando me convencer a não levantar da mesa. — brinquei, mas no fundo aquilo me tocou
— É um elogio. E também um aviso: isso não vai me impedir de tentar te conhecer melhor, meu interesse por você continua! — falou firme, encarei ele surpresa
— Então vamos ver se você aguenta uma grávida cheia de vontades e hormônios à flor da pele. — brinquei, pegando o cardápio.
— Pode vir com tudo, Monique! — falou me fazendo rir.
A noite foi calma, leve, com aquele clima bom de encontro que não exige pressa. Conversamos sobre tudo, trabalho, família, filmes, música. Era impressionante como, mesmo com tanta coisa diferente entre nós, o papo fluía como se nos conhecêssemos há anos.
Felipe não tocou mais no assunto da gravidez, mas me tratava com tanto carinho e naturalidade que nem precisava. Meu brilho sumiu completamente ao me deparar com a seguinte mensagem;
Nathan: amanhã pela manhã, nósvai realizar aquela parada lá, o DNA.