Queria que tivessem dito à menina doce que fui, que seu coração era grande, e por isso sofreria. Que muitos a amariam menos do que ela merecia ser amada, e que, por isso, não deveria aceitar migalhas. Que perderia pessoas, e tudo bem, desde que não...
Chegamos na minha casa, e eu estava muito nervosa, sério! Não esperava que fosse encontrar justo com Nathan, mesmo sendo óbvio que isso poderia acontecer. Mas uma coisa é imaginar... outra é encarar de verdade. Ver com os próprios olhos ele ali, com a outra, como se nada tivesse acontecido. Como se não tivesse ignorado minha mensagem.
— Gente, eu tô em choque ainda! Eu juro que pensei que meu coração sairia pela boca quando vi ele ali. — falei tirando minha bolsa e me sentando no sofá
— A gente percebeu, miga. Tu ficou branca igual papel — Ellen falou sentando de frente pra mim
— Ele mandando mensagem perguntando se estou grávida, como se eu não tivesse tentando avisar...— passei a mão no rosto e ri sem humor
— Ele que escolheu se fazer de cego, agora quer correr atrás só porque viu tua barriga — Paulo completou. — Homem é bicho previsível, sinceramente.
— Mas vocês viram a cara dele? Ele ficou surpreso, gente! A menina que tava com ele nem percebeu, eu tenho pra mim que ele não imagina que a mensagem que você enviou pra ele foi pra falar justo de uma gravidez! — Camila disse
— Pode até ser! — falei tentando respirar fundo — mas isso não muda o fato de que ele ignorou. Ele leu, Camila. Leu, e escolheu não responder. E agora quer se fazer de chocado?
— Aí amiga, verdade! Mas... — Camila tentou falar, sendo interrompida por uma buzina de carro do lado de fora. A gente se entreolhou. Aquele barulho insistente, como quem não tem paciência de esperar.
— Tu tá esperando alguém? — Ellen perguntou, já se levantando pra olhar pela janela
— Não... — respondi meio confusa, com o coração já acelerando de novo.
— Puta merda... — Ellen murmurou, depois virou pra mim de olhos arregalados. — É o Nathan.
— O quê??? — todos disseram ao mesmo tempo, inclusive eu, levantando tão rápido que quase tropecei na minha própria bolsa.
Eu respirei fundo, o coração batendo tão forte que parecia que ia sair pela boca. A vontade era me esconder no quarto e deixar ele falando sozinho, mas alguma coisa dentro de mim dizia que eu precisava encarar, não dá pra ficar fugindo, é uma vida que está crescendo dentro de mim, não é um boneco.
— Eu vou lá falar com ele! — falei baixo, como se nem eu mesma acreditasse
— Tem certeza? — elas me olharam, concordei.
Abri a porta e fui descendo os poucos degraus da minha casa. Nathan tava encostado no capô de um carro preto, com o celular na mão, todo trajado com a roupa do flamengo. Quando ele me viu seu olhar foi diretamente para minha barriga que estava completamente exposta, apesar de ainda está pequena, tava nítido que eu estava grávida.
— Você tá grávida, caralho...— falou impressionado, colocando a mão sobre minha barriga e alisando, meu corpo arrepiou, parece que ali caiu a ficha que eu vou ser mãe de um filho dele
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— Oque você quer? — perguntei me afastando, incomodada pelo contato repentino
— Tu me mandou mensagem aquele dia lá falando que queria falar comigo, qual foi? — cruzou os braços
— Quer saber agora por qual motivo? Quando eu te mandei mensagem você não respondeu. — balancei os ombros indiferente
— Você tá achando que eu sou oque? Sou nenhum desocupado não! Eu num tô aqui agora? Então pronto, dá o papo! — falou sério
— Era sobre isso! — apontei pra minha barriga com firmeza,completamente nervosa
— É meu? — concordei, e ele me encarou, visivelmente em choque. A boca abriu como se fosse dizer algo, mas nenhuma palavra saía de verdade. Os olhos dele iam da minha barriga pro meu rosto, e de volta pra barriga. A respiração dele ficou pesada.
Nathan passou a mão na nuca, deu um passo pra trás e riu... mas foi aquela risada nervosa, que não tem nada de graça.
— E como você tem certeza que realmente é meu? — na hora meu corpo inteiro travou. Era como se eu tivesse levado um soco no estômago. Era só oque me faltava!
Essas palavras bateram em mim como uma avalanche. Eu não sabia se ria, se chorava ou se virava as costas ali mesmo. Era como se todo o esforço que eu tava fazendo pra me manter firme tivesse sido jogado no lixo em um segundo.
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