Queria que tivessem dito à menina doce que fui, que seu coração era grande, e por isso sofreria. Que muitos a amariam menos do que ela merecia ser amada, e que, por isso, não deveria aceitar migalhas. Que perderia pessoas, e tudo bem, desde que não...
Nem fui trabalhar! Hoje é o dia da ultra, para descobrir o sexo do meu filho, e eu confesso que nem dormir direito de tanta ansiedade. Eu nunca tive uma preferência, oque vier tá ótimo para mim, o importante é que venha com saúde, e o resto só Deus sabe.
Minha mãe teve que ir trabalhar, e minhas amigas querendo ou não, também tem a vida delas. Hoje eu iria sozinha para a consulta, mas também zero problemas, já que elas várias vezes abriram mão dos compromissos dela para ir comigo.
Como eu sou super ansiosa, não quis fazer esse negócio de chá revelação nem nada. Fiquei até sabendo por Camila que o filho que Nathan vai ter, é menino. Até imagino o quanto ele ficou frustado, já que ele queria muito uma menina! Deus que me perdoe, mas bem feito.
Enfim, cheguei 1h antes do que era para eu chegar na clínica, aproveitei para ficar zanzando pelo shopping, já que a clínica era aqui perto, e me lembrei que o Felipe tinha comentado comigo aquele dia que saímos juntos para jantar, que a empresa do pai dele é aqui pertinho.
Monique: to pertinho de onde vc trabalha Felipe: veio me ver?🙊 Monique: engraçadinho vc né? kkkk Monique: mas eu vim fazer pré natal, hj é dia de descobrir o sexo do meu bebê. Felipe: ta sozinha aí? Monique: estou sim! Pq? Felipe: me diz o local exato de onde vc tá, vou com vc.
PUTA QUE PARIU!!!! Esse bofe é louco, não é possível. E eu como sou mais louca ainda, encaminhei a localização! Aí gente, que mal tem? Ele é gente boa, sabe conversar, me trata bem. Óbvio que eu não estou dizendo que quero ter um relacionamento sério com ele, a última coisa que eu quero nesse momento é isso, mas que mal tem a gente se conhecer melhor?
Demorou mais ou menos uns 10 minutos, ele chegou, mas não chegou de mãos vazia, veio em minha direção com um buquê de flores lindíssimo que me fez ficar sem reação por uns segundos. Era um daqueles buquês caprichados, cheio de flores coloridas e perfumadas, coisa que eu só tinha visto em filme ou quando alguma influenciadora postava no Instagram. Fiquei ali, parada, com um sorriso bobo no rosto, tentando não me emocionar. (Spoiler: falhei miseravelmente)
— Pra você, futura mamãe mais linda desse lugar! — ele disse me entregando com aquele sorriso torto que me dá uma raivinha boa, sabe?
— Você é doido mesmo, né? — falei rindo, tentando disfarçar a emoção. — Tudo isso só pra mim?
— É que eu gosto de ver você sorrindo!— ele respondeu, simples assim, sem rodeios.
E aí, pronto. Minha perna já ficou mole. Mas enfim, controlei. Porque apesar de tudo, meu foco era outro: descobrir o sexo do bebê. Pegamos o elevador juntos e fomos conversando muito. Ele me perguntou como eu estava me sentindo, se o bebê estava mexendo muito, e até comentou que, independente do sexo, esse bebê já era sortudo só por ter uma mãe tão forte como eu. Dá pra acreditar?
Chegamos na recepção da clínica, e o pessoal já me olhou meio torto quando viu aquele homem lindo segurando flores e todo atencioso comigo. Eu? Orgulhosa, claro. Dei meu nome, fiz a ficha rapidinho, e em menos de quinze minutos já estavam me chamando. Olhei pra Felipe, ele olhou pra mim, e eu perguntei:
— Você quer entrar comigo? — Ele só assentiu com a cabeça e segurou minha mão. E eu, que achei que ia viver esse momento sozinha, ali estava eu, com um cara gentil, me apoiando num dos dias mais especiais da minha vida, parecia até um sonho.
Entramos na sala, e eu já fui direto me deitar na maca, enquanto a médica preparava o aparelho. Felipe ficou ao meu lado, segurando minha mão e fazendo carinho com o polegar, sem dizer nada, só me olhando com um olhar calmo que me dava segurança.
— Vamos ver esse bebê lindo agora! — disse a médica, sorrindo, enquanto passava o gel gelado na minha barriga.
Na tela, o coraçãozinho batendo forte já apareceu de cara, e eu senti aquele nó na garganta. Ver aquilo nunca deixava de ser emocionante.
— E aí, o papai tá ansioso pra descobrir o sexo? — perguntou a médica, ainda sorrindo, sem tirar os olhos da tela.
Eu e Felipe nos entreolhamos na hora. Por uns segundos, ficamos em silêncio. Eu senti minhas bochechas queimarem, e ele coçou a nuca com a mão livre, com aquele sorrisinho sem graça no rosto.
— Então... na verdade eu não sou o pai — ele respondeu, educadamente, mas com um tom leve, como quem não queria deixar o clima estranho.
— Ah! Perdão, desculpa! — disse a médica, um pouco sem graça também. — Acontece bastante, viu? Nem se preocupe, vocês parecem tão próximos que acabei deduzindo.
— Tá tudo bem — respondi rindo de leve
— Olha só... já dá pra ver direitinho! — disse a médica, animada. — Vocês estão preparados?
— Nasci preparada — brinquei, tentando segurar o choro.
@mouuranique
Meu tudo!❤️
Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.