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Maratona 02/04

Monique.

— Quer um copo d'água? — a mãe do Nathan perguntou pela milésima vez pra mim. Neguei com a cabeça, forçando um sorriso.

— Será que ele vai demorar muito? — perguntei, tentando esconder minha aflição. Eu vim pra casa dela fazer o tal "teste de DNA". E claro que ele, sempre querendo ser diferente, não quis ir até a clínica. Pagou uma fortuna pra uma moça vir aqui só pra fazer a coleta. A desculpa? Não pode se arriscar descendo pra pista.

— Não sei, já era pra ele estar aqui — ela respondeu, olhando o celular pela terceira vez em menos de cinco minutos. — Deve tá sendo horrível pra você enfrentar essa situação toda, né? — ela disse num tom sincero.

— Tá sendo... estranho. — olhei pro chão, tentando organizar meus sentimentos. — Eu nem sei explicar. Ao mesmo tempo que quero resolver logo isso, também não queria estar aqui. Me sinto exposta, desacreditada. — ela soltou um suspiro e se aproximou, sentando ao meu lado no sofá.

— Eu conheço meu filho. Ele é cabeça dura, desconfiado... mas é só o jeito dele se proteger. Não tô dizendo que ele tá certo em duvidar de você, mas... só tô pedindo paciência. A vida que ele leva endurece o coração, Monique. — concordei quieta, é complicado.

Não demorou para o cheiro forte do perfume dele invadir a sala, anunciando sua chegada antes mesmo de ele aparecer. Logo depois, Nathan entrou pela porta com aquele mesmo ar de sempre, calmo demais, como se tudo aquilo fosse apenas mais um dia comum.

— Boa pra nós! Cheguei, vamos resolver isso da melhor forma logo. — falou sério, sem me encarar

A moça do laboratório estava lá, ajeitando a maleta e se preparando para a coleta. Tudo parecia tão impessoal. Como se estivéssemos apenas realizando um procedimento médico qualquer, quando, na verdade, aquilo era o reflexo de tudo o que tínhamos vivido. O reflexo do que ele ainda não queria entender: que meu bebê é sim dele.

— Já vamos começar? — perguntei com um nó na garganta

— Vamos começar sim! — ela disse de forma calma, enquanto ajustava a maleta ao lado do sofá. — Como você ainda está grávida, o procedimento é um pouco diferente do tradicional! — começou explicar, enquanto calçava as luvas descartáveis. — O exame de DNA durante a gestação pode ser feito de forma não invasiva, coletando apenas o seu sangue, Monique. Isso porque o DNA do bebê já circula na sua corrente sanguínea, misturado ao seu. — assenti em silêncio, ainda com o nó na garganta, tentando me concentrar nas palavras dela.

Me ajeitei no sofá, respirei fundo e estendi o braço. Tentei não tremer, mas a ansiedade já estava em cada canto do meu corpo. A moça preparou o material com agilidade: álcool, agulha, tubo de coleta. Tocou suavemente no meu braço, procurando a veia, e logo senti a picada da agulha.

Enquanto o sangue enchia o tubo, Nathan permaneceu quieto, encostado na parede, braços cruzados, observando tudo. A moça terminou a coleta, retirou a agulha com cuidado e colocou um curativo no meu braço, e iniciou a dele, que também foi rapidinho, e aparentemente zero dor.

— Agora é só aguardar os resultados! — disse fechando sua maleta com um leve sorriso

— E sai quando, tu sabe dizer? — Nathan perguntou sério

— Depende do processo do laboratório, mas em média 2 semanas! — a moça respondeu fazendo ele concordar com a cabeça, ela recolheu as coisas dela e foi embora.

— Espero que esse resultado saia logo! — suspirei cansada me levantando

— Vai dá tudo certo! — a mãe dele disse me dando um abraço, eu ainda não a conhecia, essa foi a primeira vez que nos falamos, e ela é muito gente boa! Trocamos contato e tudo. Logo depois me despedi dela e saí, ele veio atrás de mim.

— Ta precisando de alguma coisa você? — perguntou me puxando pelo braço, encarei ele

— E você se importa? — arqueei a sombrancelha

— Se eu tô perguntando, talvez sim! — deixou no ar

— A única coisa que está me faltando é paz, coisa que você não tá me dando com essa história de DNA, dá licença! — me soltei dele e sai.

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