Monique.
— Parabéns, mamãe...é uma MENINA! — a médica falou alto
Naquele instante, foi como se o mundo parasse por alguns segundos. Eu coloquei as mãos no rosto e comecei a chorar, sem conseguir conter. Felipe me abraçou de lado, me apertando com cuidado, e sussurrou no meu ouvido:
— Uma princesinha, parabéns! — eu só conseguia balançar a cabeça, ainda chorando. Não de tristeza, nem de medo... era um choro de alívio, de emoção, de alegria por finalmente saber que eu teria uma menina, minha Merliah.👶🏽💖
A médica continuou mostrando os detalhes do exame, o coraçãozinho batendo forte, as perninhas agitadas, e eu ali, mergulhada naquele momento mágico, sentindo tudo ao mesmo tempo. Não era só uma imagem no monitor. Era minha filha. Minha vida! Uma pena Nathan não tá aqui participando desse momento tão especial, descobrindo o sexo da tão sonhada filha menina que ele tanto sonha em ter. Uma pena saber que ele preferiu duvidar de mim, pedindo um DNA, que não tem sentido algum.
Mas enfim, a médica finalizou o exame e me entregou as fotos da ultrassom. Nem fiz nada de suspense, mandei para as meninas e para minha mãe.
— E aí, mamãe da Merliah... — Felipe falou enquanto caminhavamos pra fora do consultório — Vai querer almoçar oque? — perguntou
— Nada! Hoje eu vou querer ir pra casa, tudo bem? — perguntei receosa, ele concordou
— Te levo lá então! — disse com aquele jeito gentil de sempre, sem hesitar.
— Tem certeza? — perguntei, mesmo sabendo a resposta, ele concordou — Mas olha, você me deixa na entrada do morro mesmo, pode ser? Para não ficar tão perigoso pra você voltar sozinho depois. — expliquei
— Fechado! Mas só se você prometer que vai me mandar mensagem quando estiver dentro de casa. — ele disse, me olhando com aquele olhar protetor, concordei
O caminho até minha casa foi silencioso, mas não de um silêncio constrangedor. Era um silêncio confortável, onde a presença dele já dizia muito. De vez em quando ele olhava pra mim e sorria, e eu devolvia o sorriso meio sem jeito, ainda tentando processar o turbilhão de emoções do dia.
Assim que o carro parou na entrada do morro, senti uma pontinha de tristeza por aquele momento estar chegando ao fim. Felipe desligou o motor, virou o rosto na minha direção e ficou me olhando por uns segundos, em silêncio, como se estivesse guardando cada detalhe.
— Chegamos! — ele disse sem ânimo, e eu fui me preparando para sair, peguei as fotos da ultrassom, o buquê de flores, ajeitei minha bolsa no colo e encarei ele
— Obrigada por estar comigo! Você não imagina o quanto isso significou pra mim! — falei sincera.
Ficamos nos olhando por alguns segundos. Ele se aproximou devagar, e meu coração começou a bater mais rápido. Eu sabia o que estava prestes a acontecer, e não recuei. Ele se aproximou mais, os olhos fixos nos meus, como se pedissem permissão, mas ao mesmo tempo dizendo tudo que ele não conseguia colocar em palavras. Eu não disse nada. Só fiquei ali, com o coração acelerado, sentindo meu corpo inteiro reagir àquela proximidade.
Felipe levantou a mão devagar, tocando meu rosto com delicadeza, e deslizou os dedos até a base do meu pescoço, fazendo um carinho suave que me arrepiou por completo.
— Você merece viver momentos bons, Monique... — ele sussurrou, a respiração quente batendo na minha pele. — E eu quero te dar todos eles, se você deixar.
Antes que eu pudesse responder, ele se inclinou e encostou os lábios nos meus. Foi um beijo calmo, cheio de cuidado. Mas ao mesmo tempo intenso, como se ele estivesse tentando me mostrar, ali, naquele gesto que suas intenções era as mais boas possíveis.
Fechei os olhos e me deixei levar. Não pensei em Nathan, não pensei na confusão da minha vida. Só senti. Senti o gosto dele, a firmeza dos seus braços quando me puxou mais perto, a batida do meu coração se misturando com a dele. Era como se, por alguns segundos, tudo ao redor tivesse desaparecido.
Quando o beijo acabou, ele encostou a testa na minha, sorrindo de leve...antes que eu abrisse a porta do carro.
— Te mando mensagem quando chegar, prometo! — falei quando finalmente sai
— Eu vou esperar! — ele respondeu, com aquele sorriso que sempre me fazia sentir segura. — E vou continuar torcendo pra esse não ter sido o último beijo.
Sorri sem graça, mordendo o lábio inferior. Eu não sabia o que o futuro reservava, mas naquele momento, eu tinha certeza de uma coisa: Felipe tinha me dado algo que há muito tempo eu não sentia... paz.
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Intensidade.
General FictionQueria que tivessem dito à menina doce que fui, que seu coração era grande, e por isso sofreria. Que muitos a amariam menos do que ela merecia ser amada, e que, por isso, não deveria aceitar migalhas. Que perderia pessoas, e tudo bem, desde que não...
