Monique.
Abri os olhos lentamente sentindo uma dor de cabeça absurda tomar conta de mim, não acredito que estou de ressaca, eu nem bebi muito.
Fui me levantando aos poucos, até me dá conta de que eu estava em um quarto completamente desconhecido! As janelas estavam abertas e o sol batendo todo em meu rosto, do outro lado uma sacada com uma vista perfeita para a praia, eu nem sei como vim parar aqui. Assim que coloquei meus pés no chão, o vômito preso na garganta veio, corri rapidamente para um banheiro que tinha ali, e vomitei muito, de uma forma que eu nunca havia vomitado antes, e olha que meu estômago estava completamente vazio.
Lavei minha boca, joguei uma água no rosto e prendi o cabelo, quando me olhei no espelho o desespero bateu firme. Comecei a lembrar que ontem eu saí da balada com um completo desconhecido, e estou em um lugar que sabe lá Deus que lugar é esse, e pra piorar, cadê meu celular, minha bolsa?
Escutei o barulho da porta do quarto se abrindo, e logo em seguida ouvi alguns passos, eu estava muito apreensiva, que loucura eu fiz, meu Deus!!!!!!
— Bom dia, princesa. — o mesmo Homem de ontem a noite falou ao me ver
— Eu preciso ir pra casa, eu nem sei como vim parar aqui, eu nem te conheço, nem sei onde está meu celular, meu Deus! — fui falando rapidamente enquanto andava pra lá e pra cá
— Ah, qual foi! Tu não se lembra de nada? — perguntou como se fosse óbvio
— Como assim nada? — arregalei os olhos e coloquei a mão no coração, cara não acredito que eu me envolvi com um desconhecido, e pra completar não lembro de nada, ele só conseguia rir muito de mim.
— Calma, não é nada disso que você tá pensando! Não rolou nada entre a gente, apenas conversamos ontem a noite lá no vitrinni, fomos para o meu carro na intenção de nos conhecer melhor, mas você acabou desmaiando. Na hora fiquei confuso com oque fazer, acabei te trazendo para minha casa, nós estamos em Copacabana, é um pouco longe de onde você mora, mas pode ficar tranquila. — ele me explicava super calmo e sereno, e eu ate me perdi no meio da explicação reparando na beleza do bofe.
— Eu preciso ir pra casa, minhas amigas com certeza estão loucas atrás de mim, minha mãe vai me MATAR!!! — falei preocupada passando a mão no rosto
— Sua bolsa tá ali! Realmente seu celular não para de tocar desde ontem. — apontou para o criado mudo, levantei rápido indo em direção, várias e várias ligações perdidas, as meninas estavam loucas atrás de mim, e eu super nervosa escrevendo várias mensagens pedindo para que elas não falassem nada com minha mãe.
— Felipe? — alguém bateu na porta
— Pode entrar! — falou
— Passando para avisar que o café já está na mesa......e eu não sabia que você estava com visita, seja bem vinda! — a senhora falou sorrindo pra mim, eu encarando super envergonhada. Pelo uniforme deduzi que fosse a empregada!
Logo lembrei do que a Duda disse que ele é empresário, mas também com um quarto desses e uma casa em Copacabana, não é pra menos. Não posso esquecer do carro perfeito que ele estava ontem, isso não tem como eu não lembrar.
Mas é óbvio que eu não criei interesse nisso, até porque Nathan também tem carro, moto, casa bonita, os melhores relógios, roupa de marca e cordão de ouro da melhor qualidade! Tudo que o tráfico proporcionou, mas tem. E nunca encheu meus olhos, ninguém nunca me viu falar sobre isso como motivo de orgulho.
— Já vamos descer dona Selena, obrigada! — respondeu, e ela concordou saindo.
— Eu preciso ir pra casa, vou tentar chamar um Uber! — calcei meu salto, peguei minha bolsa, e fui até a porta na intenção de sair dali o mais rápido possível, e não voltar nunca mais.
— Eu vou levar você, vamos só tomar um café lá em baixo e...— o interrompi, vamos?
— Eu não vou tomar café nenhum, e não quero que você me leve, eu sinceramente nem sei oque estou fazendo aqui, nem te conheço! Era pra ser apenas uns beijinhos lá na balada, e só. — falei tentando passar, ele segurou em meu braço firme
— Eu trouxe você pra cá, então eu vou te levar de volta até a sua casa! Se você se sentir segura eu faço questão de enviar uma foto minha, meu endereço e meus dados pra suas amigas, sua mãe, sei lá.....quem você quiser! — o encarei surpresa
— Eu só quero ir pra minha casa, me dá licença! — fiz a linha me soltando, eu super interessada depois que ele falou isso, mas precisava manter o teatro. Já estava pronta para sair, quando o mesmo me puxou novamente, dessa vez para mais perto.
— Eu não quero te sequestrar, e nem te fazer mal, quero apenas te conhecer melhor! Não foi pra isso que fomos para o meu carro ontem? Se eu deixar você ir agora, talvez eu nunca mais te veja, e perca essa oportunidade que eu tanto quero desde quando te vi pela primeira vez aquele dia do baile! Eu realmente me interessei de verdade por você, e as minhas intenções são as melhores. — falou olhando em meus olhos, fiquei sem reação alguma por alguns segundos. Eu não tive palavras, apenas o beijei.
Sabe quando seu corpo se arrepia por inteiro, e você sente uma sensação diferente com um desconhecido, que nem você sabe explicar?
Pela primeira vez depois de um tempo eu me senti livre de toda bagunça, confusão e mentira que alguém me causou, mesmo sabendo que essa felicidade é momentânea, apenas naquele momento, e que depois disso voltarei a sentir tudo de novo, foi libertador beijar outra boca. Parece que fogos de artifício tivesse se explodindo dentro de mim. Finalmente!
Esse foi o primeiro beijo que eu dei em alguém diferente depois que eu conheci o Nathan. Olha quanto tempo se passou desde que a gente se conheceu. A maior loucura que eu fiz foi colocar ele acima de mim, dos meus princípios e da minha felicidade, foi a partir daí que eu me perdi, nunca mais foi sobre oque eu realmente mereço.
“Sempre há novos ares, novas pessoas, novas histórias, e elas ainda precisam acontecer, liberte-se do que já passou. Para de olhar para vida com revolta, o destino não te deve nada.
Você precisa entender que alguns amores existem para que a perda deles nos ensine a lição que mais precisamos aprender na vida. E entender que você vai ser feliz no amor, não importa quantas lágrimas já tenha derramado você ainda vai amar alguém, e esse alguém te amará de volta! Apenas continue vivendo, siga sua vida.”
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Intensidade.
Narrativa generaleQueria que tivessem dito à menina doce que fui, que seu coração era grande, e por isso sofreria. Que muitos a amariam menos do que ela merecia ser amada, e que, por isso, não deveria aceitar migalhas. Que perderia pessoas, e tudo bem, desde que não...
