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TH.

— Máximo respeito ao novo chefe da Rocinha, tudo nosso, nada deles! — O DJ falou no microfone fazendo o baile todo gritar

— É o patrão da favela, porra! — o menor gritou dando um tiro pro alto

"Quem diria hein, TH?
Hoje tu é patrão,
De fuzil na mão,
O sistema tentou te derrubar,
Mas o crime te abraçou,
E hoje é tu que manda na quebrada!"

Meus parceiros levantando o fuzil pra cima gritando meu nome. O baile todo comemorava, a favela tinha um novo dono. E eu como, feliz da vida! Não era soberba, era sentimento de missão cumprida. O respeito que a vida me negou, eu arranquei na marra.

— Cadê meu filho, Nathan? — Bruna perguntou toda arrumada, analisei ela de cima a baixo, Renan tava com ela

— Ficou em casa ele, com minha coroa e a Ingrid! — falei sério, nem dei confiança, ela se afastou

— Tá de patrão agora você né. — ele falou me encarando

— Sempre fui, só faltava o reconhecimento. — respondi encarando ele também — Agora tô na sua favela, vai ter que me aturar ou surtar — debochei me afastando

Rum, menor mandado! Come minha ex, e quer pagar de maluco pra cima de mim! Tá fudido agora, vou marcar encima, ainda mais que ele tráfica aqui na favela, virei patrão dele.

Marquei dali conversando pra caralho com uns menor daqui! Até que meu olhar encontrou com uma amiga da Monique, a loirinha do cabelo cacheado. Toda linda ela, me encarando de volta. Fiquei até observando por um tempo, senti a maldade no olhar dela.

Ellen.

Camila nada de voltar, e eu ali sozinha, super desconfortável. Eu sabia como ela era, por isso não queria vir sozinha. Quando gruda no bofe pra soltar é um sacrifício, esquece até das amigas. Nunca para com essa mania péssima.

E pra completar, TH não parava de me encarar. Eu tentava disfarçar, fingir que estava curtindo a vibe, mas a cada olhar que eu dava pra ele, percebia que o dele ainda estava fixo em mim. Meu sorriso surgiu sem querer, quase imperceptível, mas... ele viu. E eu sabia que ele viu. Ele sorriu de volta, como se a distância entre nós não fosse nada.

Por um instante, me senti a pior pessoa do mundo! Minha amiga, grávida do cara, em casa, e eu aqui, fazendo essa mancada. Eu sabia o que aquilo significava, e mesmo assim não conseguia parar de me sentir atraída. Meu coração batia acelerado, a culpa me corroía. Sai do camarote e fui pra fora do baile, entrando numa rua com pouco movimento.

— Tá fugindo de que você? — aquela voz surgiu atrás de mim, meu coração acelerou. Não acredito

— Não estou fugindo de nada! — me virei pra ele nervosa

— Tá nervosa por qual motivo? Sou nenhum bicho não! — TH falou sério, me analisando

— O que você quer? — perguntei passando a mão no cabelo, toda sem graça, eu nunca tinha falado com ele, essa é a primeira vez

— O que eu quero? Sei lá, me diz você! Ficou me encarando pra caralho lá dentro, cheia de vontade, pensei que queria alguma coisa... — deu um sorriso de canto se encostando num carro próximo

— Eu acho que você confundiu as coisas! — tentei desconversar, juro que tentei

— Coe, tá querendo tirar o vagabundo como doido? Qual foi? Chega aí! — me chamou pra perto, me aproximei dele meio tímida e apreensiva. — Vai dizer que você não quer? — provocou, me puxando pela cintura, colando meu corpo ao dele

Nathan é surreal de tão cheiroso, sério! Agora entendi o motivo de Monique ser tão apaixonada. So de ter encostado em mim, ele me desconfigurou toda, imagina fazendo além

— Melhor eu voltar lá pro baile! A Nique está esperando um bebê seu, e... — tentei falar, mas ele me cortou, iniciando um beijo

Do nada, sem mais nem menos. E eu não consegui recusar. Na verdade, nem deu tempo, porque era simplesmente o melhor beijo que eu já tinha dado em toda a minha vida.

*vou ter q colocar a outra parte em outro capítulo, não deu nesse😩

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