Queria que tivessem dito à menina doce que fui, que seu coração era grande, e por isso sofreria. Que muitos a amariam menos do que ela merecia ser amada, e que, por isso, não deveria aceitar migalhas. Que perderia pessoas, e tudo bem, desde que não...
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— Qual foi, tem como você mandar o parceiro adianta lá? Tenho o dia todo não, e ele tá demorando pra caralho! — falei com um menor que tava por ali, ele concordou saindo.
Brotei em outra favela a mando do chefe, o fortão da hierarquia, dono da porra toda. O antigo que comandava aqui morreu a pouco tempo em uma operação, e o gerente que tá na frente da comunidade, é o mesmo que nada. Chegou droga e armamento hoje, me pediram pra dá uma assistência, eu não ia negar.
Os grandes da facção confia pra caralho em mim. Tenho minha postura, sei entrar e sair de qualquer lugar, e resolvo qualquer kô de frente, não vejo bicho com polícia e enfrento a morte guerreando, geral sabe da minha caminhada, e quem não sabe, já ouviu falar.
— Satisfação irmão! — o parceiro que tava na gerência daqui falou me cumprimentando, levantei pegando na mão dele
— Demorou muito você, tenho o dia todo não. — falei meio ignorante
— po foi mal, as paradas também como, atrasou pra caralho no meio do caminho, aí você já sabe né...— tentou se explicar, olhei pra ele meio escaldado, menor com maior cara de empolgado, estranhão
— Tu fez a contagem? Conferiu tudo? — perguntei analisando um papel que ele me deu com a quantidade de droga e arma que chegou
— Tá tudo muito mais que correto, TH! Se tá desconfiando de alguma parada pode conferir aí, tem ko nenhum não, tenho nem necessidade de passar a perna no chefe. — fechou a cara
— Tá falando besteira aí menor, segura tua onda! Se eu tô aqui é por que mandaram, vai achando que sou teu fã pra ficar redendo pra você, rum! — falei bolado — E só por ter se alterado, vai ter que conferir de novo, e na minha frente, quero ver se realmente tem essa quantidade que tu tá dizendo. — cortei a onda dele, botei pra conferir tudo de novo, tá achando que sou oque pra pagar de brabo pra cima de mim.
Tava concentrado prestando atenção nos moleques contando os armamento, até chegar duas mensagens em meu celular.
Bruna: Vem q hrs pegar Enzo? N vem tarde, pra ele não dormir.
Monique: Oi, será que a gente pode conversar? É importante.
Respondi apenas a da Bruna, e fiquei escaldadão com a mensagem da Monique, estranho pra caralho ela me mandar essas mensagens, maior tempo que nós não se fala, fiquei tão escaldado que nem respondi, vou chegar nela pessoalmente depois.
— Algum problema? — perguntei pra um dos meninos que tava ali fazendo a contagem, desde que cheguei aqui que ele tá me encarando, e eu sou muito desconfiado.
— Nenhum! — falou baixo
— Coe menor, fala aí, tô vendo na tua cara que você quer falar alguma coisa! — ele colocou o boné pra trás meio nervoso
— Chega aí! — se levantou e me chamou pra um canto — Você ainda tá com a ruiva?
— Quem mano? — perguntei sem entender
— Você, com a do cabelo vermelho, mãe do teu filho! — encarei ele
— To separado, mas foi qual foi? — mudei a postura, ele me olhou meio assim
— Eu não gosto dessas paradas de fazer fofoca não tá ligado, mas eu te admiro pra caralho, e não acho justo. Ela tá ficando com um parceiro que fortalece nós aqui, e eu não acho isso correto! Geral sabe que a mina é mãe do seu filho, direto ele desfila com ela por aqui, maior talarico. — minha cara esquentou, filha da puta
— Qual é o nome do parceiro, tu sabe? — perguntei bolado, vagabundo perdeu o respeito mesmo, comendo minha ex.
— É o mano Renan po, tu conhece! — falou baixo, quase arrependido de ter me contado.
Fiquei boladão, nem tive mais pique pra saber de contagem nenhuma, o parceiro falou que tinha tanto, e nesse tanto mesmo fechou lá, nem quis mais saber. Só assinei por assinar, larguei os bagulho na mão dele e saí fora. Minha mente já tava em outro lugar.
Tô ligado na caminhada desse Renan, nunca fui com a cara dele, e ele também nunca foi com a minha. Sempre teve aquele clima estranho, aquele olhar torto de quem se incomoda com tua presença. Sempre me destaquei mais, subi mais rápido, conquistei respeito onde ele só forçava presença. E no tráfico, inveja mata. Quem vive essa vida, sabe bem do que estou falando.
Agora junta isso com a talaricagem. Menor vacilão pra caralho, sabia muito bem quem era a Bruna, sabia da história toda, e mesmo assim meteu o louco. Como se fosse normal. Como se eu fosse otario, e fosse deixar isso passar abatido.
Bruna também tá achando que é esperta. Tá achando que vai me tirar de palhaço assim, como se eu não soubesse de nada, como se geral não comentasse. Esquece que a favela tem olho em tudo, que todo beco fala, que toda lugar tem alguém que me conhece.
Pode passar anos que nós separou, pra ela seguir a vida dela com alguém, só se eu morrer primeiro. Se envolveu com o vagabundo e teve filho por que quis, agora sustenta. Fiquei possuído de ódio, Bruna com outro, rum, brabão.