Epílogo | Sebastian

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Respiro fundo pelo que parece ser a vigésima vez e continuo preso em cada movimento seu dentro do vestido preto colado e curto que Quincie decidiu usar essa noite. Minha menina exemplo passa as mãos no cabelo e tenta em vão arrumar sua franja na frente do espelho, o que acaba me fazendo sorrir por saber que sua franja nunca fica arrumada. Esse é um dos detalhes que mais amo em Quincie, a única coisa bagunçada no meio de todo seu jeito impecável. Ela se inclina para limpar o batom borrado, e automaticamente acabo caindo olhar na sua bunda. Observa-la desse jeito me faz considerar remarcar essa festa.

— Está me olhando como se quisesse me comer há meia hora, Carter — Quincie me olha pelo reflexo do espelho e escutá-la pronunciando meu desejo é algo que quase me faz suspirar.

— Que bom que não há espaços para dúvidas.

— Está pronto?

— Há meia hora atrás.

— Ótimo, podemos ir então — ela vai até a mini cômoda ao lado da sua cama e pega seu capacete, antes de vir até mim e abrir o seu sorriso que consegue acalmar e tumultuar tudo dentro de mim na mesma medida — E a propósito, você está lindo nesse suéter.

Viro um pouco a cabeça como se a pedisse para parar e em resposta recebo uma onda de risadas suas. Odeio essa roupa, mas gosto do quanto ela faz Quincie sorrir.

*

Como foi Rony quem convidou mais da metade do pessoal, deixei a missão de recepcionar os primeiros convidados com ele e no segundo que estaciono minha moto ao lado de uma fileira de outras sinto um carinho fraternal pelo cara que desde de sempre cuidou de mim, até mesmo quando sequer percebia estar fazendo isso. Desligo o motor da moto e retiro o capacete, sendo rápido em oferecer uma mão de apoio para ajudar Quincie a descer da moto. Como todas as outras vezes; ela perde um pouco do equilíbrio e aperta minha mão para recuperá-lo. Um sorriso acaba tomando conta do meu rosto e ela, ainda com o capacete, olha na minha direção. Mesmo que a sua viseira não transparente esteja fechada, consigo visualizar seu semblante de reprovação ao meu sorriso, o que só me faz sorrir ainda mais. Quincie solta minha mão e retira o capacete, revelando sua franja completamente bagunçada. Minha atenção se fixa nesse seu detalhe e tenho que reorganizar todos os meus pensamentos, enquanto desço da moto em movimentos lentos, tentando pensar em qualquer coisa, qualquer coisa menos nela. Mas isso é uma missão extremamente difícil quando seu perfume e corpo estão tão presentes que sequer preciso me esforçar para senti-los.

— Tudo bem? Parece nervoso — sua voz atrai minha atenção e tenho que me esforçar pra apenas concordar com a cabeça e me virar de frente para si, começando a ajeitar sua franja, sentindo cada músculo do meu corpo se enrijecer com a forma que estou agindo nesse segundo, ao invés de puxá-la para um lugar mais reservado a fim de fazer o que realmente quero.

Desde que começamos isso, desde que passar mais horas que o habitual com Quincie se tornou um tipo de desafio; toda vez que precisava dela de alguma maneira, me concentrava na sua franja. Porque é a única partezinha sua que me distrai de uma maneira diferente, que contrário dos seus sorrisos, olhos, corpo e voz não me atrai sexualmente. Na verdade, mexer na sua franja foi a única maneira que encontrei de não deixar transparecer a necessidade gritante que sinto toda vez que a observo por mais que alguns minutos. Foi a única coisa que descobri me ajudar a realinhar meus pensamentos. Que de certa forma me distrai e acalma.

— Estou bem, só estou contando os segundos.

— Contando os segundos? — seus lábios pronunciam sua dúvida, enquanto trilho minhas mãos até a divisa do seu maxilar e pescoço, acariciando sua pele.

— Sim, para essa festa terminar e eu poder tirar esse seu vestido — a respondo e mordisco seu lábio inferior, a sentindo sorrir antes mesmo de ver de fato o seu sorriso.

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