59 - Olívia

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- Como ele tá?

- Você tá em Congonhas?

- Tô! O Fred precisa de mim! Por que cês não me atendem o caralho do telefone? Sua filha de uma puta! Você sabe que eu preciso de informação.

- Desculpa, mas não precisava vir, o Fred vai ficar bem!

- Que tom de voz é esse? - pergunto enquanto atravesso o aeroporto.

Detesto pousar aqui, é mais perto, mas eu morro de medo!

- Olívia a garota decidiu interromper a gravidez.

A voz da Vi quase se apaga porque consigo ouvir até meu próprio pulso. Não tem chance do Fred não estar arrasado.

- Nos falamos mais tarde. - desligo o celular e vou ao balcão da companhia aérea, tentei reservar online, mas não consegui.

Quase duas horas depois consigo embarcar, em época de férias todos os aeroportos são uma muvuca sem fim. Coloco a cabeça no encosto e fecho os olhos, a viagem anterior foi horrível, fiquei imaginando o Fred com outra mulher, pai de um filho que não é meu. A criança não teria meus cachos e seus olhos, parecia um pesadelo! A aeromoça me ofereceu calmante algumas vezes, mas eu não preciso de medicação, preciso corrigir meus erros, ser perdoada e começar meu feliz para sempre.

Eu me sinto na sala de espera da vida, e não acho que exista nem um jeito de sair por conta própria, terei de ser chamada, o amor da minha vida precisa me chamar. Ou é o Frederico ou não quero mais ninguém!

- Você tem cerveja?

- Não moça, pode ser café?

- Valeu, mas não preciso ficar mais agitada, obrigada.

A mulher segue com o carrinho pelo corredor minúsculo e eu pergunto aos céus como elas conseguem voar diariamente, passo por isso na marra, se dependesse de mim não sairia de São Paulo para lugar nenhum, muito menos de avião. Papa também não gosta, sábio homem. Eu não tenho dificuldade de fazer cálculos para que um prédio tenha vários e vários andares, mas me pergunta como é que essa joça pesada voa que eu não sou capaz de entender. É mágica!

Escovo os dentes no banheiro do aeroporto, meu cabelo tá o caos depois de horas de voo e não tenho um corretivo, então basicamente vou chegar lá como zumbi. Pegaria um ônibus para economizar, mas nunca aprendi a rodar em brasília, pego um táxi e no percurso tento dar um jeito nos meus cachos, mas acho que pioro as coisas. O porteiro me deixa subir quando não atendam o interfone, toco a campainha umas seis vezes até que a porta seja aberta.

- Meu Deus! Vocês foram atacados de novo? - grito imediatamente.

- O que você tá fazendo aqui? - ele pergunta fazendo cara de dor e tentando mover o braço em movimentos circulares.

- Eu soube que do que aconteceu e vim por você.

- Foi ontem à tarde, como você já está aqui?

- Vim quando soube que a tal mulher estava grávida, eu não sabia que vocês decidiriam não ter.

- Entra, Olívia!

Abandono a mochila no chão e abraço Frederico, logo sou envolvida nos seus braços fortes, descanso no seu peito pensando que esse é meu lugar, o Fred é meu futuro. Ele geme quando o aperto, então tento soltar, mas ele não deixa.

- O que aconteceu?

- Eu e meu pai.

- O tio fez isso?

- Vem – Fred segue para o quarto e encontro na cama uma mochila grande e roupas espalhadas.

- Que tralha é essa?

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⏰ Última atualização: Dec 22, 2024 ⏰

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Fred 2.0Histórias para pegar e não largar. Descubra agora