Capítulo 84

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-Você está em silêncio desde que acordou.

Ela não se importava muito com o silêncio, mas sabia que qualquer pessoa naquelas circunstâncias poderia pirar se continuasse guardando as palavras pra si. Depois de tantos anos, aprendeu uma regra básica que se aplicava perfeitamente nessa situação: quando tudo está difícil, pensar demais pode tirar a sanidade de uma pessoa. Theodor já estava em silêncio a muito tempo, e a mulher ao seu lado temia que isso terminasse em revolta.

-Você mentiu pra mim.

Ele estava aberto a conversas, e isso era um alívio.

-Sobre o meu nome? -adivinhou.

-Sobre quem você é.

-Eu disse que tinha uma agência. -se defendeu. -E o que você esperava? Uma confissão pública da minha identidade? Seu pai teria me matado no mesmo instante, só pra não ter mais problemas debaixo do seu teto.

-É, mas eu jamais teria contado a realidade pra eles.

-Então acha que eu deveria ter confiado em um estranho? E arriscar a segurança do meu filho? -ergueu uma sobrancelha.-Não me entenda mal Theodor...-suspirou. -Você não parece ser uma pessoa ruim, mas nos conhecemos a pouquíssimo tempo.

-É, mas eu estava...-negou com a cabeça.-Deixa pra lá.

Ela sabia extremamente o que estava torturando a mente dele, porque se encarregado pessoalmente de plantar esse tipo de sentimentos no seu coração, e sentiu o peso daquela decisão pairando no ar.

-Se quiser falar, estou ouvindo.

-Você tem uma família... -bufou, cauteloso. -Eu achei que...nos poderiamos...pensei que tinha encontrado alguém pra viver...ai caramba. -negou com cabeça. -Não dá mesmo pra dizer isso.

Theo parecia extremamente envergonhado.

-Eu era um fã do seu marido, sabia? Quer dizer, ainda sou! Ele tá vivo? Né?

-Aham.

-Merda, como posso olhar na cara dele agora?

-Nós não fizemos nada, Theo. -franziu a testa. -E não temos nenhum tipo de relacionamento além da amizade.

-Eu...-gaguejou. -Eu pensei que a gente tinha. -suspirou. -Acho que não entendo nada de mulheres mesmo. -Coçou a cabeça. -Me desculpe por isso.

-Não se sinta responsável por isso. -aconselhou. -Foi uma situação esquisita de convivência...

A culpa estava corroendo o interior dela. Uma coisa era enganar pessoas ruins, mas fazer isso com o historiador a fez se sentir um péssimo ser humano.

-Bem que o seu rosto parecia conhecido.-confessou. -Mas nunca associaria as duas pessoas.

-Está com raiva?

-Não. -pausou por alguns segundos. -Nos conhecemos a tão pouco tempo, não sei porque eu fiquei tão confuso assim...desculpe por toda essa cena desnecessária.

-Está tudo bem, Theo. Vamos esquecer isso e seguir em frente, você quer parar um pouco? O sol está ficando quente demais.

-Não. -negou. -Só estou um pouco assado, mas dá pra continuar.

Desde que o pequeno Chris ficou com a sua camiseta, o homem tinha lhe oferecido a dele, por ter certeza de que não era uma boa idéia permitir que ela andasse por aí tão exposta. Mas sua pele estava claramente sofrendo com aquela decisão.

-Agente precisa de uma moto. -suspirou.-Estamos quase entrando na cidade, e existe uma chance enorme de tudo estar uma bagunça por lá.

-Não existem veículos disponíveis na cidade. -explicou Nat. -Essas coisas são muito raras.

B.M ConsanguineoHistorias para obsesionarse. Descúbrelo ahora