-Você está em silêncio desde que acordou.
Ela não se importava muito com o silêncio, mas sabia que qualquer pessoa naquelas circunstâncias poderia pirar se continuasse guardando as palavras pra si. Depois de tantos anos, aprendeu uma regra básica que se aplicava perfeitamente nessa situação: quando tudo está difícil, pensar demais pode tirar a sanidade de uma pessoa. Theodor já estava em silêncio a muito tempo, e a mulher ao seu lado temia que isso terminasse em revolta.
-Você mentiu pra mim.
Ele estava aberto a conversas, e isso era um alívio.
-Sobre o meu nome? -adivinhou.
-Sobre quem você é.
-Eu disse que tinha uma agência. -se defendeu. -E o que você esperava? Uma confissão pública da minha identidade? Seu pai teria me matado no mesmo instante, só pra não ter mais problemas debaixo do seu teto.
-É, mas eu jamais teria contado a realidade pra eles.
-Então acha que eu deveria ter confiado em um estranho? E arriscar a segurança do meu filho? -ergueu uma sobrancelha.-Não me entenda mal Theodor...-suspirou. -Você não parece ser uma pessoa ruim, mas nos conhecemos a pouquíssimo tempo.
-É, mas eu estava...-negou com a cabeça.-Deixa pra lá.
Ela sabia extremamente o que estava torturando a mente dele, porque se encarregado pessoalmente de plantar esse tipo de sentimentos no seu coração, e sentiu o peso daquela decisão pairando no ar.
-Se quiser falar, estou ouvindo.
-Você tem uma família... -bufou, cauteloso. -Eu achei que...nos poderiamos...pensei que tinha encontrado alguém pra viver...ai caramba. -negou com cabeça. -Não dá mesmo pra dizer isso.
Theo parecia extremamente envergonhado.
-Eu era um fã do seu marido, sabia? Quer dizer, ainda sou! Ele tá vivo? Né?
-Aham.
-Merda, como posso olhar na cara dele agora?
-Nós não fizemos nada, Theo. -franziu a testa. -E não temos nenhum tipo de relacionamento além da amizade.
-Eu...-gaguejou. -Eu pensei que a gente tinha. -suspirou. -Acho que não entendo nada de mulheres mesmo. -Coçou a cabeça. -Me desculpe por isso.
-Não se sinta responsável por isso. -aconselhou. -Foi uma situação esquisita de convivência...
A culpa estava corroendo o interior dela. Uma coisa era enganar pessoas ruins, mas fazer isso com o historiador a fez se sentir um péssimo ser humano.
-Bem que o seu rosto parecia conhecido.-confessou. -Mas nunca associaria as duas pessoas.
-Está com raiva?
-Não. -pausou por alguns segundos. -Nos conhecemos a tão pouco tempo, não sei porque eu fiquei tão confuso assim...desculpe por toda essa cena desnecessária.
-Está tudo bem, Theo. Vamos esquecer isso e seguir em frente, você quer parar um pouco? O sol está ficando quente demais.
-Não. -negou. -Só estou um pouco assado, mas dá pra continuar.
Desde que o pequeno Chris ficou com a sua camiseta, o homem tinha lhe oferecido a dele, por ter certeza de que não era uma boa idéia permitir que ela andasse por aí tão exposta. Mas sua pele estava claramente sofrendo com aquela decisão.
-Agente precisa de uma moto. -suspirou.-Estamos quase entrando na cidade, e existe uma chance enorme de tudo estar uma bagunça por lá.
-Não existem veículos disponíveis na cidade. -explicou Nat. -Essas coisas são muito raras.
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B.M Consanguineo
RomanceNatasha Morgan nunca acreditou que isso fosse realmente acontecer na sua vida, de todas as loucuras que já viveu, aquela parecia ser a mais insana. Talvez estivesse morta, ou delirando na cama de um hospital? quem sabe? ela não sabia e nem tinha a m...
