Capítulo 86 -Sussurros de amor.

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Foi como um sonho repetido, cheio de detalhes que conseguia se lembrar porque já havia chegado ao final dele. A sensação abrupta de abrir os olhos e encontrar o inesperado era conhecida, mas nenhum afogamento iminente se comparava ao que veio a seguir. Assim que abriu os olhos um clarão branco cegou a sua vista de tal forma que ela mal teve tempo de distinguir o que estava acontecendo. Seu corpo recebeu uma pancada tão forte que arremessado alguns metros e tudo o que sobrou, foi o instinto rápido de proteger a cabeça.
Natasha sentiu cada osso do seu corpo doer, e precisou se esforçar muito para não perder a consciência. Seus braços estavam esfolados, uma veia pulsava dolorosamente dentro da sua cabeça, e sentiu que havia quebrado uma costela.

-É uma pessoa! -uma voz aguda ressou dentro da sua cabeça.

-Chama a ambulância!

-Ta louca? O papai vai matar a gente!

-E vamos deixar ela morrer? Ta doidona é?

-Ela parece morta. -Sussurrou, preocupada. -A gente vai apodrecer na cadeia. Ei! Moça?! Você tá bem?

-Não toca nela imbecil!

-Eu não estou morta. -Natasha se esforçou em dizer.

-Ela ta viva! -comemorou a voz aguda.

-Aqui não pega celular! To tentando ligar!

Com um resmungo choroso, Nat reuniu tudo o que restava no seu corpo e abriu os olhos. A luz do veículo parado estava bem na sua cara, e não conseguia distinguir o rosto das duas figuras femininas, mas sabia pela voz que ambas eram novas demais pra dirigir.

-Eu estou bem. -declarou. -Não precisa de ambulância. Só preciso de ajuda pra levantar e de uma carona até a cidade.

-A gente deveria chamar ambulância, você está bem agora, mas depois pode...

Resurgir dos mortos daquele jeito nao estava nos seus planos..

-Não tem sinal aqui. -resmungou a outra menina.

-Me tirem desse lugar, e ninguém jamais saberá de nada. -falou, tentando convencê-las. -Aqui não tem câmeras, então ninguém pode acusa-las de nada. O mínimo que peço é uma carona depois de quase me matarem.

-Dar carona pra uma estranha no meio de uma estrada abandonada não é seguro, mana. -Sussurrarou uma delas. -Parece coisa de filme, e isso nunca termina bem.

-Deixar alguém ferido assim não é certo, Lily. -devolveu. -O que você estava fazendo sozinha na estrada?

-Meu carro quebrou, e eu precisei andar. Essa droga de estrada não tem sinal.-respondeu Nat. -Agora será que podemos ir? Tudo o que preciso é chegar em casa.

-Você deveria procurar um médico.-Recomendou Lily, se aproximando.

A duas meninas ajudaram Natasha a levantar, e guiaram a mulher o interior do veículo. Tudo no corpo dela doia, mas sabia que só precisava de um relaxante muscular e uns anti inflamatórios e tudo ficaria bem.
Fez um rápido exame clínico em si mesma, verificando o estado das suas costelas e a possibilidade de ter algum tipo de concussão. A priori, tudo parecia relativamente bem, e isso era um alívio.

-Qual é o seu nome? -questionou Lily, assumindo o volante novamente.

-Pode me chamar de Nat.

-Meu nome é Lily, e essa é a minha irmã Emilly.

A outra garota olhou na sua direção, e então a mulher ferida finalmente percebeu que se trava de gêmeas.

-Vocês são iguais, ou eu estou vendo em dobro?

B.M ConsanguineoHistorias para obsesionarse. Descúbrelo ahora