A madrugada soprava um vento frio pela floresta, e as poucas roupas que o casal tinham para emprestar pareciam insuficientes, principalmente porque Natasha preferiu que o filho recém nascido tivesse o máximo de proteção possível. O dia já estava amanhecendo, quando ela espiou pela janela e percebeu que o guarda do dia anterior continuava ali, numa vigília que seria facilmente vencida se ela estivesse realmente em condições de lutar. Seu corpo ainda estava se recuperando, e isso nem era um problema importante, a questão é que jamais poderia expôr o filho recém nascido as consequências de uma fuga. Precisava sair dali, mas tudo deveria ser extremamente planejado, porque havia um longo caminho até chegar a cidade.
Acomodou o pequeno Christopher no colo, de forma que o bebê soltou um resmungo baixinho de satisfação e continuou dormindo. Desde que saiu da sua barriga, ele tinha acordado somente duas vezes por conta da fome e do intestino solto. Mas no geral, era o mais calmo do seus filhos.
-Aslan...-sorriu minimamente, traçando os detalhes do rosto dele com o indicador. -Vamos sair dessa, e você vai conhecer o seu pai...ele vai desmaiar de susto.
O som de passos na cozinha chamou a sua atenção para o casal que tinha acabado de levantar, e um aceno de cabeça foi o suficiente para cumprimenta-los.
-O café da manhã acontece no refeitório.-Informou Fernando. -Mas assim que sair daqui, o chefe vai querer falar com você.
-Que tipo de conversa posso esperar?
-Não sei...-suspirou. -Não é comum a chegada de mais empregados, e o bebê classifica a sua mão de obra como...inútil...ele é recém nacido e precisa da sua total atenção.
-O que pode acontecer? Vão me expulsar?
-Você sabe a localização da nossa comunidade. Pode denunciar, e todo mundo aqui vai pagar o preço. É bem provável que receba um serviço flexível.
-E por que isso parece ruim?
-Porque quanto menor for a sua carga horária, menor será o seu salário.
-Quantos quilômetros estamos do muro?
-Dos muros? -franziu a testa. -Isso está a oeste.
-Me perdi da minha família na confusão, mas marcamos um ponto de encontro lá perto.
-Estamos longe, e você não pode andar tanto com essa criança no colo.
-Vocês tem algum veículo?
-Não tente roubar. Já tentaram isso antes, e as consequências não vão ser boas.
-Tem ou não? -frizou.
-É difícil chegar lá. -suspirou. -Por favor, esqueça essa idéia absurda.
-Agradeço o conselho, mas não posso passar a vida aqui, e aparentemente nem vocês estão felizes de viver nesse lugar. Não é?
-Não temos muitas opções.
-Ouviu falar da queda dos muros?
-Queda dos muros? -ergueu uma sobrancelha.-Isso é impossível.
-É real.
-Como pode ter certeza?
-O nosso acampamento não era tão isolado assim. -apontou ao redor.
-Está falando sério?
-Aham. Os rumores indicam que o governo caiu.
-Então nós podemos entrar?!
-Não exatamente. -enrrugou o nariz. -Mas ouvi falar de famílias que conseguiram.
-Então as chances são baixas.
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B.M Consanguineo
CasualeNatasha Morgan nunca acreditou que isso fosse realmente acontecer na sua vida, de todas as loucuras que já viveu, aquela parecia ser a mais insana. Talvez estivesse morta, ou delirando na cama de um hospital? quem sabe? ela não sabia e nem tinha a m...
