Capítulo NOVE
•Por Rodrigo
Infelizmente aquele dia o trânsito não cooperou conosco. Por ser feriado, o Rio de Janeiro estava um movimento só. Tinha mais carro que o normal.
—Vem cá, já que o trânsito não vai cooperar com a gente agora, que tal você me contar mais sobre você... —puxei assunto.
—Quer saber o que dá minha vida? —ela perguntou.
—Você já é daqui do Rio?
—Não. Quer dizer, não diretamente do Rio de Janeiro, mas nasci em Teresópolis. Vim embora pro Rio faz um ano.
—E o porquê você resolveu vir pra cá?
—Primeiramente porque meu pai quis que eu começasse a ter uma vida mais minha. Ter as minhas próprias coisas. E também porque eu precisava ajudar o meu pai num problemas aí, então vim pra cá.
—E você já conhecia a Yanna e a Mariana?
—Na verdade não, as conheci depois de um mês que estava aqui.
—E como que foi essa história? Como que tudo começou?
—Na verdade foi assim, o meu pai queria que eu começasse a ter uma vida minha, como já disse, e lá em Tere ele criou um hotel e fez algumas filiais aqui no Rio. Ele me colocou num cargo no hotel daqui e eu acabei morando ali mesmo. Tinha um quartinho nos fundos e eu ficava lá.
—E qual é o Hotel do seu pai?
—É o Copacabana Palace.
—Caraca, então o Copacabana Palace é do seu pai?!
—Sim...
—Mas e porque você não entrou num cargo maior? Num cargo de supervisora, gerente, essas coisas? Poxa, você é a filha do dono.
—Sim, mas a "filha do dono" —fez a expressão em aspas —é uma pessoa normal como qualquer outra. E por conta de algumas coisas e pessoas—ela reforçou o 'pessoas'— eu resolvi começar numa coisa simples e devagarinho ir conquistando o meu espaço. Não quero conquistar nada porque sou filha do dono, mas sim pela minha capacidade.
—Não entendo, mas concordo. Parabéns.
—Continua sem entender, vai ser melhor. E obrigada, de qualquer forma. Ah e não conta pra ninguém sobre eu ser filha do dono, tá?! Melhor deixar quieto essa história aí...
Eu a deixei em seu trabalho e fui para o meu o que era, literalmente, na frente do dela.
O dia passou como todos passam. Incrivelmente os nossos horários eram quase os mesmos e na mesma hora em que eu estava saindo, ela saia também.
—aceita carona? —perguntei.
—adoraria. —ela respondeu.
Bom, aquela semana passou um tanto que devagar. No sábado, minha mãe inventou uma janta e queria muito que a Ju fosse.
Mandei mensagem à ela.
"Ei, minha mãe quer um jantar em família. Esta livre hoje?"
Ela logo respondeu.
"Assim em cima da hora? 'Cê' quer acabar comigo né..."
"Tinha que marcar com antecedência?"
"Na verdade precisava marcar com antecedência sim, mas como é um caso extremo, eu aceito."
"Que bom, já estava pensando numa mentira pra dar pra minha mãe caso você não pudesse"
"Nunca recusaria um convite da minha sogrinha 🌚😂"
"bom saber 😏... Passo aí as 20:00. Sem atrasos por favor. Agradecido"
Ela nem respondeu mais. Acho que já estava começando o processo de embelezamento, pois já eram sete e vinte cinco. Avisei um pouco tarde, talvez muito, mas tudo bem.
Oito horas e eu estava já na porta do prédio dela. Minha mãe odeia atrasos, então me fez sair de casa no horário combinado.
Mandei uma mensagem dizendo que já havia chegado e que mamãe estava dentro do carro. Ela respondeu dizendo que já estava no elevador e que faria o que estava combinado.
Pouquíssimo tempo depois ela chegou. Estava linda. Até demais. Estava com um vestido preto que ia até a metade das suas coxas. Me controlei, até porque nosso namoro era falso. Foco Rodrigo, foco.
Ela veio chegando perto e nos cumprimentamos com um selinho. Abri a porta do carro pra ela entrar e logo segui para o meu lugar.
Chegamos no restaurante que havíamos reservado e entramos. Percebi que muitos homens olhavam na nossa direção e lembrei da roupa que a Juliana estava.
—Ei, precisava vir de vestido? —perguntei sem pensar, baixinho em seu ouvido.
—Se liga, nas minhas roupas quem manda sou eu. —respondeu.
Depois que me liguei sobre o que havia comentado. Resolvi ficar na minha pra ela não pensar que estava com ciúme dela e se gabar da situação.
Sentamos na mesa e ela ainda atraía os olhares do povo. Realmente ela estava linda, mas precisava daquela produção toda? Agora aqueles homens não parariam de olhar pra ela.
Durante o jantar, tentei me distrair, puxava assunto pra ver se aquele estresse saia de mim. Sem sucesso.
—Nossa, aqueles homens não se cansam de olhar pra cá não?! —falei alto.
—Que isso filho, ciúmes?! —Mamãe perguntou.
—Não, só está me irritando isso. Não param de olhar pra você. —eu disse pra Ju.
—Relaxa moreno. —ela respondeu. —olhar não tinha pedaço não.
—Quem vai tirar um pedaço da cara deles daqui a pouco sou eu. —estava perdendo a paciência já.
—Ei, relaxa. Pensa que eles só podem olhar, você não... —fez um carinho no meu cabelo.
Estranhei o carinho, mas lembrei que estávamos na frente da minha mãe e que precisávamos 'atuar'.
Graças a Deus aqueles homens, finalmente, foram embora dali e as minhas dores de cabeça passaram.
Depois tudo ficou ótimo. Graças a Deus minha mãe estava se dando bem melhor com a Ju, do que da última vez na minha casa. Conversavam animadamente.
Quando já era tarde, voltamos pra casa. Deixei a Ju em sua casa e quando minha mãe questionou o porque dela não dormir lá em casa, ela respondeu que seu pai estava no Rio e que precisava dar atenção à ele.
—Poxa Ju, não sabia que seu pai estava por aqui. Se soubesse, adiaria esse nosso jantar. —falei já me despedindo.
—Não tem problema Rod... —me abraçou. —meu pai não está bobinho, isso é apenas uma boa mentira. —falou ao meu ouvido.
—podia ser atriz ein... Acreditei muito nessa boa mentira. —respondi baixinho.
—Eu sei. —saiu do abraço. —Boa noite Ana. Fique com Deus. Obrigada pela noite. —falou com minha mãe pela janela do carro.
—Obrigada você!!
Ela entrou para dentro do prédio e nós seguimos caminho para casa.
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Como combinado!
Nos vemos na semana que vem!
BESOS
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Boas Mentiras
Fiksyen PeminatMentiras. E mais uma mentira. E mais uma, e mais uma... Todos são acostumados a mentir. Mesmo sendo algo ruim e que não nos agrade, insistimos neste erro. Mas será que existem as boas mentiras? Ou mentira é mentira e ponto final? Digamos que depe...
