•Por Rodrigo
"Onde os senhores pensam que vão?"
Respira e Encara!
Era o que eu pensava antes de falar qualquer coisa.
—Roberto, então, nós acabamos de receber a notícia de que o meu ex-sogro faleceu—menti. —e nós precisávamos muito ir ajudar a filha dele. Eu sei que eu tinha que levar esses gringos agora pra fazer turismo e que os meninos têm muito trabalho pra fazer, mas não vai dar, nós realmente precisamos ir...
—Que isso Rodrigo, você está achando que aqui é a casa da mãe Joana? Que vocês entram e saem quando querem? As coisas não são assim não. Eu entendo que o assunto é sério, mas não vai dar pra despensa-los. Primeiro que tem um monte de gringo aí esperando pra fazer o turismo. Segundo que semana passada você já ficou todos os dias sem trabalhar e terceiro que tem muita coisa da parte administrativa e financeira pra fazer. Desculpa, mas eu não tenho como despensa-los.
Olhei para os dois e nós nos falamos no olhar. Nós iríamos ajudar a Juliana.
—Desculpa, mas nós realmente precisamos ir. —saímos andando.
—Se vocês saírem por essa porta, considerem-se pessoas desempregadas.
—Você que sabe. —Felipe falou.
Saímos dali de nariz empinado e ouvindo ele gritar de longe.
—Vocês vão se arrepender disso seus vagabundos. A ficha de vocês vai ficar tão feia, que não vão conseguir emprego em nenhum lugar.
Entrei no meu carro, juntamente de Felipe e Bruno foi no dele. Fizemos o caminho direto pra casa de Yanna.
—Acho que essa vai ser uma das minhas atitudes que eu nunca vou me arrepender. Não aguentava mais o Roberto. Não aguentava mais aquele trabalho. —eu falei.
—Nem me fale cara. Eu também. Já fazia tempo que eu queria sair de lá, mas não tinha coragem. —Fi disse. —a única coisa que me preocupa é onde vamos encontrar outro emprego... A crise tá feia hoje em dia cara.
—Vai tranquilo cara. Vai dar tudo certo, se Deus quiser. Foi arriscado? Foi, mas eu não me arrependo de nada.
Chegamos na casa de Yanna e dividimos os carros. Mariana veio no meu carro; e Yanna e Fernanda foram no carro de Bruno.
No caminho, Felipe contou para Mariana o que havia acontecido há alguns minutos atrás e ela ficou completamente espantada.
—Meu Deus gente, quanta coragem.
—Nós já vínhamos querendo sair dali já faz tempo Mari. Foi ótimo isso ter acontecido.
—Nossa, ainda estou sem acreditar.
—Pois é... A única coisa que eu não entendi Rod foi, porque você falou pro Roberto que quem tinha morrido havia sido seu ex- sogro? —deu ênfase no 'ex-sogro'. Filho da mãe.
—Ué, porque eu achei que isso quebraria o gelo né. Ele não iria relevar se eu falasse que seria o pai de uma amiga. Mas foi só por isso mesmo. Uma mentirinha que não adiantou de nada.
—Uhum, sei...
[...]
O corpo havia chegado no local e Juliana começou a chorar. Quando o colocaram no local, fomos, junto da Ju, ver o corpo.
Juliana chorava de soluçar. Fui a acompanhando e quando chegamos até o corpo, ela me agarrou num abraço.
—Você não precisa estar aqui. Pode ir pra sua casa. —ela se separou de mim, assim que percebeu que era eu a pessoa em que ela havia abraçado.
O meu coração se despedaçava ao vê-la daquele jeito, apesar dela ter me tratado mal daquela vez. A questão era que eu havia feito uma promessa para o Gil e eu faria de tudo, independente da situação, para conseguir realizá-la.
—Ei, eu estou aqui pra te ajudar.
—Não preciso da sua ajuda e nem que você fique no meu pé.
—Você pode reclamar, me bater ou até espernear, mas eu não vou sair daqui.
Passamos a noite toda por ali. Juliana estava com os olhos pequenos, fundos e inchados de tanto chorar e por estar com sono. Falamos a ela para irmos pra casa para poder descansar, mas sem sucesso, não adiantou nada. Ela queria ficar ali.
Ela não parava quieta. Às vezes ficava sentada, às vezes ficava ao lado do cachão, enfim.
[...]
O momento menos esperado do dia havia chegado, o fechamento do cachão e o enterro. Antes, fizeram alguns comentários a respeito de Gil.
Foi doloroso, mas devia acontecer. A Ju, incrivelmente, já estava melhor. As lágrimas ja haviam secado, acho que deveriam ter acabado. Ela estava triste, mas consolada. Enterraram-no e nós seguimos para casa.
Lá, ela se despediu de alguns familiares e só restou nós ali, o qual já estávamos indo pra casa também.
—Vanessa, eu só tenho a agradecer por todo esse tempo em que você passou aqui, cuidando do meu pai.
—Que isso dona Ju, você sabe que era mais que um prazer poder ter ajudado a ele. Eu só queria saber se você me deixaria ficar aqui por mais um dia?! Com toda essa correria eu não consegui arrumar as minhas coisas...
—Então, eu tenho uma noticia pra você. Eu pensei, conversei com algumas pessoas e decidi que você pode ficar por aqui mesmo. Pode usá-la e não precisa se preocupar em pagar aluguel nem nada.
—Aí dona Ju, sério?! —ela disse emocionada.
—Mas tem uma condição, você precisará parar me de chamar de dona. Não sou velha pra ser chamada de dona. —elas riram. —apenas Ju.
—Tá bom então. Mas é porque é força do hábito.
—então esqueça-o comigo. —ela deu um abraço na Ju.
—Se quiser mudar as coisas por aqui, fique à vontade. Só peço pra que não mexa nas fotos lá de fora. Ainda vou decidir o que vou fazer com elas.
—Pode deixar. Não mexerei.
—Ju, agora você tem que ir atrás das coisas da herança de seu pai. —falei, na melhor das intenções.
—Aí Rodrigo, eu estou aqui sofrendo com a perda do meu pai e você vem me falar em herança? Me poupe né... —falou alto.
—Ju, calma. O Rod tem razão. Você tem uma responsabilidade gigantesca agora. Tudo que era do seu pai, agora é seu e você precisará saber administrar tudo. —Yanna completou.
—Ju, venha comigo ate o escritório de seu pai por favor. —Vanessa a chamou.
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Juliana anda tão ruim com o Rod né... Tadinho.
Segurem o forninho que sexta eu estou de volta.
Beijocas
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Boas Mentiras
FanfictionMentiras. E mais uma mentira. E mais uma, e mais uma... Todos são acostumados a mentir. Mesmo sendo algo ruim e que não nos agrade, insistimos neste erro. Mas será que existem as boas mentiras? Ou mentira é mentira e ponto final? Digamos que depe...
