Capítulo DOZE

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•Por Juliana

Eu não posso perder o único que me resta dessa vida. Meu pai é tudo pra mim. Desde quando nasci somos só eu e ele. Cresci o tendo como exemplo. Exemplo de homem. Exemplo de pai. Exemplo de tudo. E eu prometo que farei de tudo para o deixar vivo.

Corremos em casa para pegar algumas roupas e óbvio que fui recebida com várias perguntas.

—Olha, finalmente a Cinderela resolveu aparecer. —Yanna falou.—Um pouco tarde, talvez muito, mas né...

—Não posso explicar em detalhes, mas só fiquem avisadas que ficarei a semana fora. —Entrei correndo em casa e fui direto para o quarto.

—Que isso... Chega, pega roupa, fala que vai ficar uma semana fora e fica por isso mesmo?! —Tia Fernanda reclamou. —Não sei se você se lembra, mas, mesmo você já sendo maior de idade, eu ainda sou a responsável por você. Preciso saber onde anda, com quem vai... —ela me seguiu até o quarto.

—Desculpa tia. Mas é que a Vanessa, a enfermeira particular do meu pai, me ligou agora falando que ele passou mal o dia todo e que a situação é delicada e que pode se agravar. Então, eu preciso ir o mais rápido possível pra lá ver como ele está. —respondi, enquanto guardava algumas roupas dentro de uma das minhas bolsas.

—Nossa Juju... —Yanna disse.

—Mas como você vai pra lá a essa hora? Não tem ônibus pra lá agora e táxi é muito caro.—ela me questionou.

—O Rod vai me levar e ficar lá comigo. Fica tranquila, tá tudo bem. —fechei minha bolsa, assim que terminei de pegar tudo.

—Tá bom, pelo menos fico mais tranquila sabendo que está com ele. Cuidado nessa estrada hein.

—Tá bom, pode deixar. —fui indo em direção à porta.

—Qualquer notícia, me liga. Boa sorte por lá. —ela me deu um beijo na testa e eu desci para a recepção.

Na estrada Rodrigo decidiu avisar seu patrão que iria viajar com a suposta namorada.

Por conta da ligação estar no viva voz, ouvi tudo. Principalmente a parte do

"Manda um beijo pra Juliana... Ué, achei que fosse a Juliana Ramos, estavam juntos até pouco tempo atrás..."

Então quer dizer que o Rod tem outra pessoa?! E ela também se chamava Juliana...

Achei melhor começar a me afastar. Nós já tínhamos ficado umas duas vezes, e eu não queria e nem poderia me iludir. Sem contar que ele também já tem outra, então, quanto mais longe, melhor.

Durante o caminho conversamos pouco. Logo chegamos na cidade e na casa de meu pai também.

—Vanessa, Papai, cheguei. —disse, entrando na casa.

—Ju... Quanto tempo. Tudo bom?—Vanessa me recebeu.

—Mais ou menos. Bastante preocupada com meu pai. Como ele esta Vane?

—Ele tá bem melhor Ju. Está até andando. Só que seu coração está bem fraco. Depois de amanhã vão começar os tratamentos e esperar os resultados dos exames que ele fez hoje.

—Entendi. E cadê ele?

—Está no escritório com o Doutor Márcio.

—O que que o Márcio tá fazendo aqui?

—Ele foi a primeira pessoa em que seu pai pediu pra que eu ligasse. Pediu pra que ele viesse pra cá pra resolver algumas questões jurídicas com ele. Já estão nessa sala tem duas horas. E ele veio como advogado...

—nossa... —estranho.

Doutor Márcio era o advogado de meu pai e o braço direito dele também. Ele é o gerente do Hotel lá do Rio, ou seja, ele é meu patrão. Mesmo eu sendo a filha do dono, preciso obedecer às ordens dele e pode-se dizer que ele não vai muito com a minha cara e nem eu com a dele. Já batemos boca várias vezes e ele sempre ameaça me despedir e acabar com o coração do meu pai.

—Bom, e esse é seu namorado?! —namorado? Jura que ela perguntou isso?

—não não, apenas meu amigo. —Ri de seu comentário. —Rodrigo, Vanessa. Vanessa, Rodrigo. —os apresentei.

—Muito prazer Rodrigo. —ela o cumprimentou com dois beijos.

—Prazer Vanessa.—ele retribuiu.

—Bom, fiquem a vontade. Querem comer alguma coisa? —ofereceu.

—Não precisa fazer nada Vanessa, essa casa também é minha. Fica tranquila. —respondi.

Vanessa era uma espécie de enfermeira e empregada lá de casa. Contratamos ela justamente pra colocar o meu pai na linha com relação a comida, pois ele tinha os seus cuidados, então era dois em um.
Logo em seguida, a porta do escritório de meu pai se abriu, mas apenas o Márcio saiu dali.

—Juliana? O que faz aqui? Não sei se você se lembra, mas é recepcionista de um Hotel e que logo cedo precisa estar lá para cumprir seu horário. —falou autoritário. Ai que ódio daquele homem.

—Não sei se você se lembra, mas o meu pai mora aqui e a saúde dele está em risco... —falei irônica. Ai desculpa, mas eu precisava falar assim.

—seu emprego também...

—Ei, quem você acha que é pra falar assim com ela? —Rodrigo se levantou rapidamente.

—Rodrigo não se mete. —falei entre dentes.

—Juju, meu amor, você está aqui!!! —meu pai nos interrompeu. Graças a Deus.

—Pai, quantas saudades. —fui até o seu encontro e nos abraçamos. Como eu estava com saudades daquele abraço. —Oh pai, como eu sinto a sua falta.

—eu também minha filha, eu também. Tudo que acontece aqui me lembra você. Penso em você vinte quatro horas por dia e está sempre em minhas orações. —me abraçou novamente.

Aquele abraço era único. Ninguém me abraçava como meu pai. Haviam várias coisas naquele abraço. Amor, saudade, amizade, compaixão. Eu sei que era ruim ficarmos longe um do outro, mas era necessário.

—Márcio, dê uma semana de folga para a minha menina. Preciso matar a saudade dela.

—Mas seu Gil...

—Apenas obedeça Márcio. E sem descontar do salário dela. —disse firme. Aí que orgulho desse homem.

—Tudo bem senhor. —Toma troxa. —Bom, eu já vou indo, pois ainda tenho que voltar para o Rio de Janeiro. Boa noite pra vocês.

—Igualmente. —papai o respondeu. —Vanessa, o acompanhe até a porta.

—Claro.

—Filhota, como estou feliz por te ver aqui.

—Eu que estou feliz por te ver assim. Quando a Vanessa me ligou contando tudo o que aconteceu, vim pra cá correndo, desesperada.

—Percebo que trouxe mais uma pessoa. Seu namorado, talvez? —perguntou, se inclinando e percebendo Rodrigo atrás de mim.

—Amigo pai. Amigo. Rodrigo, Gilmar, meu pai. Pai, Rodrigo, meu amigo.

—Muito prazer meu querido. Você que a trouxe pra cá? —ele o cumprimentou.

—Prazer é todo meu seu Gilmar. —o cumprimentou de volta. —Fui eu sim. Eu sou o culpado. —sorriu sem graça.

—se é assim, obrigado por trazer a minha felicidade.
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Até sexxta!
Beijocas

Boas MentirasOnde histórias criam vida. Descubra agora