Então ouço o som do teu coração.
Dentro da noite mais escura,eu perco-me. Nada além de muito barulho,meu peito está afogando-se em espuma de rebentação. Eu afasto tempestades e evito transbordamentos. Mas sou um caos,acabo destruindo-me sozinho.
Dentro de outros braços,eu padeço. Sou intruso. E nego outra pele,não sinto desejo por outro cheiro,são toques sem calor. Mas teus braços estão abertos,abraçando o mundo. E cabe um oceano.
Dentro do meu sonho,eu colho estrelas. Mesmo assim escureço. Brinco entre luzes,escondo-me de ausências que não consigo lidar. E vivo como se não houvessem saídas de emergência. Apaixono-me por fantasias,tecidas na solidão.
Peço que não te demores,pois o esforço de conter abraços partidos,choros,risos sem motivos,sóis morrendo,silêncios pesados,atalhos e desencontros,cansou-me demais.
Então ouço o som do teu coração.
E acordo.
Sou um estranho do teu lado. Cativo de um sonho. E de um amor inventado.
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Ensaios sobre sangue, ferrugem e fogo
Short StoryFlores no meu jardim, enfeitam a solidão. Borboletas amarelas morrem tão rápido, quanto aparecem, no meu peito cansado. Estou tecendo histórias, escrevendo verdades e invenções,enquanto espero o amor. Ainda estou aprendendo.