Esse tempo, desperdiçado, escorrendo como areia entre os dedos,enquanto eu mantenho minha cabeça ocupada com desculpas enfeitadas de pequenas verdades, eu não vejo outra saída. Esse tempo que eu gastei, toda a minha busca, tanta fome de ser alguém, tanta sede de conquistar algo, eu não notei, mas só seguia outros passos. Não estava no caminho certo. Cada vez mais longe de casa, de um lugar para chamar de meu, não quero ser precipitado, mas estou perdido. Esse menino, que fez promessas, que abandonou sua cidade natal, eu o vejo chorar,tem sido duro crescer sozinho. Ouço sua prece, ouço suas desculpas, acolho suas ilusões. Mas não me reconheço nele. Toda essa calmaria enquanto a água vai subindo até o meu queixo. Estou cansado. Onde eu começo a realmente viver?
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Ensaios sobre sangue, ferrugem e fogo
Short StoryFlores no meu jardim, enfeitam a solidão. Borboletas amarelas morrem tão rápido, quanto aparecem, no meu peito cansado. Estou tecendo histórias, escrevendo verdades e invenções,enquanto espero o amor. Ainda estou aprendendo.