Penso em escrever.
Sento-me ereto,confortável, minha xícara de café próxima e encaro a tela branca. Penso em escrever sobre nós e todo esse desencontro, mas não quero cutucar em feridas ainda abertas e revirar em sangue,ferrugem e fogo. A tela continua vazia. E uma sensação de invalidez inquieta meu peito.
Tento escrever sobre coisas felizes,lapsos de memória de um tempo de honrarias. Lembro do nosso primeiro beijo e de quando você vinha visitar-me de repente,sem avisar. Lembro do calor do teu corpo,teu perfume gostoso e tua risada livre.
Percebo que não estou vazio ou sem inspiração,não sou um rio cujo leito secou, simplesmente evito acordar essa sensação de perda. Não quero lutar contra eu mesmo,sempre saio vencido.
Desisto. Não quero despertar pensamentos alvoroçados como pássaros em chamas. O tempo irá curar sozinho esse buraco que ficou. Sempre será amor,mesmo que negado.
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Ensaios sobre sangue, ferrugem e fogo
Short StoryFlores no meu jardim, enfeitam a solidão. Borboletas amarelas morrem tão rápido, quanto aparecem, no meu peito cansado. Estou tecendo histórias, escrevendo verdades e invenções,enquanto espero o amor. Ainda estou aprendendo.