Ainda Espero

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  Sento-me e espero. Vejo a roda que movimenta o mundo girando,girando e girando.... Amanheço,sem perceber. Não há tanta escuridão,aqui dentro,embora existam ainda muitas portas trancadas e medos infantis. Permaneço o mesmo,com algumas peles a mais,sobressalentes. Mas já não tenho chorado a cada anoitecer uma ausência imposta,vejo pequenos lampejos de esperança e beleza na solidão,de outrora. Apenas sento-me e espero. Viver tem sido uma aventura e tanto. Mas prometo-lhe cuidar do meu jardim até a tua chegada,pois há tantas borboletas debaixo da minha pele e pequeninas luzes dentro de mim. E apenas espero. Vejo chuva e fogo,sóis morrendo e rostos passando depressa,prédios altos,céu encoberto,cansaço,abraços fugazes,encontros e desencontros,através de um caleidoscópio maluco. Parece ser a vida de outro,entretanto,esse sentimento dói na minha carne. Guardo o melhor de mim,bem seguro,em cada palavra que escrevo,cada transbordamento,cada pedacinho verdadeiramente meu,para entregar-te por inteiro. Não poderia nem cogitar em ser teu pela metade,em pertencer com incompletude. Seria injusto,vens de tão longe,de um lugar tão tortuoso,sem amor. Não haviam flores ou poesia pelo trajeto? Chegará de mãos vazias,com muitos machucados? Esqueça isso. Irei cuidar de você, Por isso,sento-me e espero,acalmando tempestades e amansando oceanos. Eu era um viajante,buscando a si mesmo,mas escolho sentar-me e esperar. Não irei alimentar ou inventar amores,eu me rendo. Entregarei espada e escudo,erguendo minha bandeira branca da rendição e esperarei. Esperarei alguém. Ou o amor chegar. Ainda espero.

Ensaios sobre sangue, ferrugem e fogo Onde histórias criam vida. Descubra agora