Ele apaixonou-se pela estrela mais distante.
E sofreu a impossibilidade de um amor malogrado pela distância. Inventou maneiras de fuga,de encontro,de ter seu sentimento saciado.
Todos os dias o viajante admirava-a,além de uma janela estreita demais,de uma vida estreita demais,onde o vazio sempre estava no final de cada curva e atalho.
Chorou a tristeza de um amor natimorto. A incerteza do sabor,do toque,do calor. Quis anistia,mas o amor tem vontade própria e nunca morre.
E a estrela brilhava,noite após noite,exceto quando o céu estava nublado e chovia.
Então,desesperançado o viajante,num acesso de fúria pelo destino que se descortinava,arrancou seu coração pulsante e puro e lançou-o aos céus. Sem um coração,ele ficou vivendo pelo simples fato de que não saberia fazer outra coisa.
Mas ao olhar para o céu,de noite,notava uma nova estrela,tão radiante,ao lado da sua amada.
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Ensaios sobre sangue, ferrugem e fogo
NouvellesFlores no meu jardim, enfeitam a solidão. Borboletas amarelas morrem tão rápido, quanto aparecem, no meu peito cansado. Estou tecendo histórias, escrevendo verdades e invenções,enquanto espero o amor. Ainda estou aprendendo.