Veio o inverno e o seu coração estava tão pesado. Não havia espaço para céus azuis e manhãs de domingos. Ele estava tão cansado de tudo que nem quis ler um poema meu. Esqueceu sobre a mesa,o papel dobrado. Poucas linhas,onde escrevi sobre nós. Palavras que ele preferiu esquecer.
Disse-me que seu coração parecia uma bola de canhão,arremessado para destruir tudo em seu caminho. E que ele não queria mais nada.
Ele partiu sem um beijo. Uma andorinha desgarrada,sofrendo com o vento forte demais,curvando suas asas pequenas. Fez suas malas,pôs dentro toda a minha graça,poesia e pequenas felicidades. E se foi.
Mas levou consigo meu poema. Tão pequeno e simples. Dizendo-lhe que morava sob a minha pele,percorria meu sangue e que eu sempre soube que ele era a minha andorinha.
Ele sempre retornaria ao ninho dos meus braços.
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Ensaios sobre sangue, ferrugem e fogo
Short StoryFlores no meu jardim, enfeitam a solidão. Borboletas amarelas morrem tão rápido, quanto aparecem, no meu peito cansado. Estou tecendo histórias, escrevendo verdades e invenções,enquanto espero o amor. Ainda estou aprendendo.