Capítulo Dez: L'héritage

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            - Você é burra? – Leon perguntou com impaciência.

            - Não. – falei envergonhada. E daí se eu não sabia nada? E daí se eu e ele não falávamos a mesma língua? E daí? Aquelas fórmulas de tudo o que era lado confundia a minha cabeça.

            - Eu acho que vou desistir.

            E meus olhos marejaram. Eu odiava Leon, mas ele estava me ajudando. De acordo com suas palavras, era porque ele não queria competir com uma subalterna que nem eu. Óbvio que havia dentro de mim uma imensa vontade de dar um soco no meio da fuça branquela dele. Mas, não faria isso até passar no vestibular.

            - Ok. – e ele deu um longo suspiro cansado, como se estivesse buscando alguma força anterior. – Ah, aliás você terá uma desvantagem, você não prestou o ENEM e isso faz com que algumas faculdades você nem possa competir...

            Senti a ironia em cada palavra. Meus olhos se esbugalharam e percebi que minha lista de faculdades ia diminuir, ou seja, seria ainda mais difícil para eu passar... Talvez, eu não passasse em nenhuma pública!!! Aquele velho teria que pagar tudo para mim. Precisava ir correndo falar com ele... Mas, já eram duas da manhã. E eis minha não-vida atual. Trabalhar e estudar que nem uma louca. Aprender em três meses o que eu não aprendi em três anos. Era o meu fim.

            Leon deu um sorriso cínico. – Vamos voltar aos logaritmos.

            Era como dizer: Vamos voltar ao inferno! E lá íamos nós até as três, estudando e estudando. Me matando para uma causa sem futuro...

            Quando deu três horas da manhã, eu não suportava mais ficar acordada. Meus olhos pesavam e meu corpo estava sofrendo devido as noites mal dormidas somados a carga do trabalho. Isso porque eu não estava pegando nenhum turno noturno. Ou seria o meu fim.

            Aos poucos a minha vista ficou turva e eu adormeci.

            ---

            Acordei num impulso, pulando da cama para o chão. Meus olhos vasculharam meu celular e o acharam sobre a mesa. Caminhei até ele e olhei que eram sete e dez. Ou seja, eu estava MUITO atrasada. Me troquei que nem uma maluca e saí voando do quarto. Não lembrava de ter ido para a cama, nem lembrava de ter me despedido de Leon... Fiquei pensando se havia alguma veia da gentileza dentro dele e se havia sido ele, num ato de misericórdia, que deveria ter me posto em minha cama. Parecia uma ideia absurda. Mas, algo dentro de mim queria muito que isso fosse verdade. Só um micro pedaço falava sobre isso ser ruim.

            Acabei levando uma bronca da Elza – na hora fiquei brava, mas depois entendi que eu tinha mesmo culpa. Foi um dia duro, pesado. Sabe aquele dia que parece que você está se arrastando? Andar parece difícil, se mexer parece ruim e a sua única vontade é voltar para a sua casa? Dormir ou só ficar deitada sem fazer absolutamente nada.

            Não ia rolar estudar, eu precisava de um dia de descanso. Por isso, depois que o trabalho acabou eu fui correndo em busca de Leon. Até que o encontrei no corredor. Achei que fosse por acaso, mas ele parecia estar me procurando também.

            - Hoje não vou poder te ensinar. – foi como se ele tivesse lido minha mente. Eu sorri, mas logo disfarcei o sorriso.

            - Ah, que pena! – exclamei tentando parecer chateada...

            - Você não parece muito preocupada. – Droga de homem que sabe ler expressões.

            - Ah, estou, mas também estou cansada e penso que vou aproveitar para dormir. Hoje eu cheguei atrasada no trabalho, levei bronca! E tenho certeza que meu avô amado já deve saber que isso aconteceu. – tentei não parecer tão irônica. Mas, acho que não deu certo.

A Herdeira (Concluído)Onde histórias criam vida. Descubra agora