(LEON)
Eu estava no escritório lendo. Não era nenhuma papelada específica. Ultimamente eu não conseguia parar e isso estava me deixando um pouco irritado. Sinceramente, não ligava de trabalhar até tarde. Mas, com o escândalo da lavagem de dinheiro as coisas andavam fora do comum. Parecia que não haveria paz. Sem falar em Carolina... Aliás, eu preferia não falar sobre Carolina. Eu preferia pensar sobre ela. Isso estava indo além do que eu desejava.
Entretanto, por mais que existisse toda a história sobre a Herança, eu não conseguia ter tanto controle sobre mim quanto pensava ter. Toda vez que ela passava, eu sentia seu cheiro. Agora que não tinha como visitá-la, só de passar por ela no corredor do Hotel, conseguia decifrar o cheiro dela. Tinha que fazer um certo esforço para não deixar o investidor, com quem eu havia tido uma reunião de negócios, de lado e correr até essa garota. Puxá-la pela mão até o quarto dela e fazer ela gemer meu nome, como costumava fazer quando estava comigo.
Coloquei o queixo sobre a mão, os cotovelos apoiados na mesa. Precisava parar e respirar um pouco. Vê-la também significava tomar uma decisão sobre o que eu faria no Natal. Minha mãe estaria aqui... O vovô estaria aqui... E não saberia dizer se ele iria convidar a neta para a ceia. Provavelmente não. Aquele homem era muito teimoso quando queria. De certa forma, como eu mesmo era.
Deveria ser um mal de família.
Escutei batidas na porta e olhei no relógio. Era nove da noite. Estava tarde. A minha secretária já havia ido embora. Suspirei e pedi para a pessoa entrar. Era um homem. Eu o reconheci de algum lugar. Pelas vestes, percebi que trabalhava na cozinha. Lugar que ele deveria estar nesse exato momento.
Levantei as sobrancelhas. – Pois, não? – falei o encarando.
- Desculpa, - o homem disse de forma tímida. – tentei falar com outras pessoas, mas... Não sei o que fazer.
Não podia acreditar: um doido. Suspirei cansado. Era só o que me faltava... Continuei em silêncio pensando que ele ia falar mais. Mas, ficou calado. Suspirei novamente.
- Sim? – eu falei tentando o encorajar a continuar falando. Se ele pudesse simplesmente falar logo e sumir. Eu seria grato. Imensamente grato.
- Carolina sumiu.
Eu fiquei o encarando sem compreender realmente o que essas palavras de fato queriam dizer. – Não entendi. – falei com certa delicadeza que não me era própria. Esse homem veio até a minha sala falar asneiras.
- Carolina saiu no horário de descanso dela, só que ela não voltou. Eu tentei procurá-la, mas meu chefe...
- Quem é o seu chefe? – questionei com paciência. Como poderia Carolina sumir? Eu deveria imaginar que ela havia feito isso para fugir da labuta? Estaria ela decaindo novamente? Agora que pensei que Carolina estava mudando... Ou será que eu estaria a julgando mal?
- Romulo Lebisky. – ele falou.
Lembrava muito do chef da cozinha. Romulo era um bom homem. Mas, podia realmente ser um carrasco. Não era para se espantar desejar fugir durante a sua pausa no trabalho. Afinal, ele podia fazer a vida de qualquer um infernal. Até a minha, se ele pudesse. O que ele não pode, obviamente. Porque eu sou seu chefe, afinal.
- Certo. Continue. – pedi.
- Ele não acha que ela tenha sumido assim. Acha só que ela se aproveitou desse momento para fugir da responsabilidade. – ele comentou olhando os próprios pés.
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A Herdeira (Concluído)
Chick-LitCarolina nunca pensou que a sua vida poderia mudar da água para o vinho - Literalmente. Ela só queria ir para a academia, fugir do trabalho, sambar e ser Madrinha de Bateria, apesar de saber que não tinha influência nenhuma para ser uma. Mas, depoi...
