Capítulo Quatorze: A Entrevista - Parte II

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            - Olá, meus queridos, - Adam falou animado e sorrindo. Mas, o que era um sorriso de felicidade para os outros para mim era um sorriso me satirizando. – voltamos com a mais badalada das herdeiras do Brasil! – e ele me olhou, os seus olhos brilhando e rindo de mim. Senti minhas bochechas queimarem.

            - Carolina, depois de sabermos a sua história fascinante, ficamos comovido. Quero saber, e a fama, como está lidando? Você já disse como foi um pouco essa mudança. – ele falou me encarando.

            - Fama? Eu não acho que tenha alguma fama, pelo menos, não positiva. – era mais um desabafo.

            - Não? – ele fez cara de espanto como se algo que eu tivesse falado algum absurdo. – Você sempre está nos jornais.

            - Estou, bem nesses últimos três meses eu sempre estou. Mas, eu saio muito feia nas fotos, uma pior que a outra. – Adam riu e a plateia o acompanhou. – Aquela da festa que eu dei no apartamento é a pior, eu nem fiquei bêbada e parecia que eu estava trilouca. – mais risadas.

            - Eu sabia que era engraçada. – Adam comentou rindo. – Não acho que as fotos sejam tão ruins...

            E nesse momento percebi que várias fotos minhas que tinham saído nos jornais e na TV estavam passando atrás de nós, no telão. Todos estavam olhando e quando apareceu a minha segurando a champanhe, a da festa, um mar de risadas se espalhou pelo estúdio.

            - Realmente, está horrível. – Adam comentou rindo.

            - Eu disse. – comentei tentando fingir que essa frase não me atingia, quando na verdade me atingia. Senti minhas orelhas queimando e meu estômago revirando. Já sabia as manchetes do dia seguinte. Queria tanto parecer que eu era uma pessoa boa, humilde, mas me vi fazendo chacota de mim mesma. Não sabia como podia piorar.

            - Carolina, precisamos tirar uma foto melhor! – ele exclamou sorrindo e um minuto depois um homem segurando uma câmera profissional, daquelas cheias de frescura com uma lente gigante e aqueles flashes que levantam, apareceu. Ele ficou de frente para nós. – Perfeito, não é mesmo? – e a plateia riu.

            Quando vi o programa de Aysha, eu pensei que Adam era um homem sério, ele não tinha feito piada dela, nem mostrado fotos mal tiradas dela. Pelo contrário, mostrou todo o sofrimento que ela passou. Chegou a mostrar a foto dela depois que apanhou dos estupradores. Parecia um outro tipo de sensacionalismo. Mas, no meu caso, parece que a audiência aumentava quando riam de mim. Foi triste pensar nisso.

            - Venha, vamos tirar uma foto! – ele se levantou da sua poltrona e foi até o sofá, sentando-se ao meu lado. Passou o braço sobre o meu pescoço e deu o seu melhor sorriso. Eu fiz o mesmo. O que mais eu podia fazer? Já que estava no inferno, a solução era abraçar o capeta.

            Depois Adam voltou para o lugar dele e o fotógrafo foi embora e menos de dez minuto depois a foto apareceu no telão. Nesse tempo ficamos falando sobre a minha dificuldade em se adaptar nesse novo mundo.

            - Olha lá, essa está bem melhor! – Adam comentou quando a foto apareceu na tela. Eu sorri e concordei.

            - Ao menos não tenho cara de alcoólatra. – a plateia riu com meu comentário e me senti aliviada. Era bom rirem comigo, não só da minha cara. Bem que nesse caso imagino que era devido as duas coisas.

            Provavelmente, a minha foto com Adam estaria rondando os jornais, revistas e redes sociais da manhã seguinte. Talvez, nas redes sociais já estivessem sendo espalhada. Triste.

A Herdeira (Concluído)Onde histórias criam vida. Descubra agora