- Onde você estava com a cabeça? – a voz do Ângelo se sobressaiu, saiu tão alta e aguda, brava e cínica. Eu tremi na minha cadeira. – Uma festa no MEU hotel! Uma festa num hotel de alto luxo! Você é o que, sua menina atrevida? Acha que só porque pode ser a minha neta, isso te dá o direito de fazer uma completa algazarra por aqui? Heim? Me responde! Onde está o seu cérebro?
- Me... desculpe... – falei de um jeito tímido, não muito comum a minha personalidade.
- Desculpa? Você acha que tudo se resolve com desculpas?! – ele, que estava em pé, andando de um lado para o outro, pegou um jornal sobre a mesinha que ficava no centro da sala e jogou no meu colo. Estávamos em seu escritório. Era uma sala ampla com uma mesa de madeira e uma cadeira digna de um rei, com uma cristaleira magnífica cheia de licores e whisky, além de uma estante pilhada de livros. No centro tinha um sofá e duas poltronas e uma mesinha de centro.
Olhei para o jornal nas minhas coxas. Era o meu rosto gigantesco com uma garrafa de champanhe – que eu havia pedido. Nem vi que horas alguém tirou essa foto, mas estava na cara que alguém que veio na festa fez questão de doar ou vender essa fotinho para um jornal importante. Em letras imensas diziam: Provável herdeira de rede de hotéis comemora conquista.
Meus olhos se esbugalharam. – Meu Deus do Céu! – exclamei espantada.
- Você nem sabe se é ou não minha herdeira e já colocou o nome do meu hotel no lixo, sua encrenqueira!
O que eu podia dizer? Tudo o que ele falava era verdade!
- Calculamos um prejuízo de 400 mil, levando em conta tudo quebrado e as bebidas caríssimas que foram consumidas.
Fiquei sem palavras com o valor... Eu era endividada, desempregada e não tinha como pagar nem minhas dívidas da minha casa, imagina tudo isso.
- Hoje vamos tirar sangue para o teste, de qualquer forma, você vai ter que pagar esse prejuízo. – dizendo isso, ele abriu a porta do escritório e saiu. Eu fiquei sem me mexer, olhando para minha foto com a champanhe. Um minuto depois, ele voltou. – O que está esperando? Venha logo!
Obedeci em silêncio. Eu me sentia um completo lixo tóxico. Eu passava pelo corredor e parecia que todo mundo estava me encarando. Um olhar acusador. Até os hóspedes pareciam me encarar. Descemos do elevador até a garagem, onde um carro nos esperava. Entramos e quando saímos, pude ver os fotógrafos e repórteres ávidos por uma foto nossa. O Ângelo só ficou olhando para o seu celular hiper caro e vire e mexe ligando para alguém.
- Já disse que não vou me manifestar sobre isso, Menezes! Você que se vire, é meu assessor ou o quê? – ele bravejava no celular. – Que coletiva de impresa, o quê! Não vou me manifestar até ter o resultado, você acha que eu quero ficar mostrando a cara dessa menina atrevida e dando bola para os seus deslumbramentos sobre o dinheiro que eu tenho.
Olhei alarmada para ele. Argh! Ele falava como se eu não estivesse presente e ainda estava falando mal de mim. – Hey, eu estou aqui! – exclamei. Mas, ele nem ao menos me olhou.
- Que se dane!
A conversa com o Menezes era agitada. Nem sei quanto tempo ele ficou falando e bravejando, só sei que uma hora ele se despediu, e aparentemente desligou na cara do Menezes – que era um homem sofrido, lembrei do episódio na delegacia. – Vamos!
E lá fui eu. Estávamos numa clínica chique, umas enfermeiras nos levaram até uma salinha e cada uma colheram nossos sangues.
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A Herdeira (Concluído)
Chick-LitCarolina nunca pensou que a sua vida poderia mudar da água para o vinho - Literalmente. Ela só queria ir para a academia, fugir do trabalho, sambar e ser Madrinha de Bateria, apesar de saber que não tinha influência nenhuma para ser uma. Mas, depoi...
