William girou a chave de casa com o maior cuidado que podia para não fazer barulho. Seu carro estava estacionado em frente ao duplex que Crystal vivia, o que indicava que ela já havia chegado em casa do trabalho. Ele podia escutar música vindo de dentro e apostaria um braço que ela estava preparando comida japonesa para se empanturrar assistindo Dirty Dancing.
Na ponta dos pés ele deixou a mala no lobby e fechou a porta atrás de si. Caminhou com máximo de cuidado que podia, mas sem deixar de apreciar a sensação de se sentir em casa.
O cheiro inebriante de lavanda que havia no ambiente. Blues tocando no último volume. A sala desorganizada, com almofadas coloridas e os retratos de Nova York.
A voz de Etta James dominava o ambiente e quando ele chegou a cozinha engoliu em seco ao ver Crystal em sua calça de yoga, mas ao invés do velho blusão de Yale vestia uma de suas camisas.
Caíam-lhe até pouco abaixo do traseiro, este era movimentado sensualmente no ritmo da música enquanto ela enrolava o arroz na esteira.
William se encostou no batente da porta, cruzando os braços na frente de seu peito e assistindo aquele momento. Oh, ele ficaria ali até que Crystal o notasse.
— Whoo, I would rather, I would rather go blind, boy Then to see you walk away from me, child, no.
Crystal cantou numa voz melódica e surpreendentemente agradável para os ouvidos. William ficou surpreso porque ele nunca tinha a ouvido cantar – nem mesmo no chuveiro.
Foi então que ela se virou para pegar um tempero e o viu na porta. William achou que ela iria dar um grito de susto, mas Crystal apenas ficou parada e levou as duas mãos a boca para conter seu próprio guincho.
— Oi baby. — disse indo na direção dela.
Ficar longe dela havia sido bom para algumas coisas. Primeiro para que William percebesse o quanto Crystal havia se tornado essencial em sua vida, o quanto ela fazia diferença em sua rotina e que ele estava completa e perdidamente apaixonado por ela.
A segunda era para apreciar sua real beleza. Não apenas aquela exterior, seu corpo sensual ou os cabelos extremamente bem cuidados, mas aquela que a tornava mais atraente que era sua generosidade, dedicação, o carinho que ela tinha por seus filhos e o quanto ela havia mudado nos últimos quatro meses da jovem de anseios egoístas que havia conhecido.
— Eu senti tanto sua falta. — Crystal choramingou. — Por favor, diga que não tem mais turnês.
— Não tem mais turnês. — murmurou apertando-a em seus braços. — Na próxima você irá comigo. Não ficaremos mais separados por tanto tempo.
— Ótimo.
Apertou-a forte contra seu corpo, aspirando seu cheiro e a embalando no ritmo de Etta James. Ele sentiu os braços dela o apertarem ainda com mais força e Crystal enterrar a cabeça em seu peito.
Era a primeira vez que ela sentia paz nos últimos vinte e cinco dias. Quase um mês longe de William! Havia sido um verdadeiro martírio, havia sido uma prova de resistência que parecia não ter fim. Os últimos dez dias em especial haviam sido a prova de que Crystal só estava em Londres ainda por causa dele.
Inclinou o pescoço para trás e ficou nas pontas dos pés. William curvou o pescoço para baixo e beijou seus lábios, as mãos acariciando as laterais de Crystal enquanto ela correspondia ao contato de suas bocas.
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The Other Woman
RomanceCrystal Sinclair é uma advogada nova-iorquina, nascida e criada em grande estilo na alta sociedade de Manhattan. Após o fracasso de seu relacionamento com um jovem ambicioso, ela aceita um trabalho em Londres e decide apostar na cidade da Rainha par...
