Livro 1. Série Dark Souls.
Kananda Wright sempre foi atraída pelos bad boys, aqueles que fumavam e possuíam tatuagens espalhadas pelo corpo. Ou talvez, que só se vestissem de preto. Não importava, ela adorava observar os homens. Mesmo que a sua vida...
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COM O RESTO da coragem que consegui reunir naquele momento, limpei a boca lambuzada pelo beijo e olhei por onde ele tinha desaparecido. Desgraçado. Nojento. Por que? Por que jogar aquelas palavras duras e terríveis em minha cara?
Porque ele pode. Porque não respondi a altura. Porque não fui forte o suficiente.
Baixei os olhos e mordi os lábios com firmeza, para não chorar pelas grosserias que ainda cutucavam minha cabeça. Meu interior retumbava. Doía. Queimava. Suas palavras pinicavam meus pensamentos.
O que Lorenzo tinha acabado de fazer? O que Gabriel tinha acabado de fazer?
Por que inventar que tínhamos feito sexo? O que ele ganhava com isso? Por que os irmãos Willer eram um problema e por que entrei no meio deles desse jeito?
O que mais impressionou, foi a facilidade com a qual Lorenzo acreditou na história inventada. E que veio me punir por isso. Com que direito? Nós não tínhamos absolutamente nada, apenas um beijo. E se tivéssemos, nunca o trairia em sã consciência.
Ele deixou muito claro o que pensava sobre mim. Que eu não seguia certos padrões.
Eu sabia e gostava. Mas não desse jeito. Não quando era tratada como uma vagabunda, e pior, injustamente. Como Sara diria, Você é a cópia de Kristin Wright e seu pai. Não precisa nem de DNA para comprovar a falta de inteligência."
Quem era o meu pai? Nunca soube. Minha mãe jamais contou e muito menos, minha avó.
Porque. Você. Mereceu. Voltei mentalmente ao corredor quando as palavras de Lorenzo atravessaram meu peito novamente. Como facas afiadas. As palavras dele... Não, ninguém merecia algo tão desprezível como ter uma parte da alma rasgada tão brutalmente, sem escolha.
Fechei os olhos quando a leva de pensamentos arrepiou meu corpo dos pés à cabeça.
— Tenso — Scott disse.
Ah.
Somente então, lembrei que ele tinha presenciado toda aquela cena patética. E que ele fazia parte do clube rival ao de Enzo. Passei as mãos pelos cabelos, querendo desaparecer dali.
Para sempre, se possível.
— Você... — Comecei, mas ele me interrompeu.
— Quer conversar a respeito? Posso não parecer a melhor escolha, mas — olhou para os lados com ironia —, não tem ninguém aqui. E você parece precisar de ajuda.
Eu preciso. Minha próxima sessão de terapia seria apenas na semana seguinte. Era uma espera longa, ainda mais se tinha um homem enorme, parecendo amigável e prestativo a minha frente, se oferecendo para ouvir minhas lamúrias.
Respirei fundo.
Se ainda fosse amiga de Cristina... reconsiderei. Eu tinha tido bastante tempo na noite anterior para pensar. Ela tinha bebido e eu que fora lá fora, porque bati em um homem e estava com medo dele me esfolar viva. Talvez ela não tivesse tanta culpa assim.