Vitor
Eu nunca tinha sido desafiado de tal forma e normalmente as mulheres caiam ao meu pé, ela era diferente não tinha medo de me encarar , não tinha medo de agir como quisesse, ela me deixava louco e eu quase matei ela. Eu estava drogado, sei que não é justificativa porém eu tinha alucinações quando isso acontecia, eu via tudo que aconteceu na minha infância na minha mente, o homem que deveria ser meu pai o meu melhor herói, bebia e me batia, mas batia para deixar novas cicatrizes todos os dias e o problema quando eu me drogava era claro, eu o enxergava e ali estava ele na minha frente onde eu tinha forças para enfrenta-ló para matá-lo aos poucos, mas eu acabei atingindo a pessoa errada, não era essa minha intenção, vê todos que gostavam dela me olhando com cara de decepção foi triste demais, Lais e Adriel compreendeu mas me deram aquele sermão, falando que eu não deveria me drogar que eu me transformava e virava outra pessoa.
— Você pode pegar água pra mim? – ela perguntando enquanto olhava para a televisão que passava bob sponja, pensa numa menina infantil.
Eu levantei sem falar nada, não conseguia olhar para ela e imaginar o quanto a machuquei, eu acredito que ela jamais iria me perdoar não consigo imaginar o quão monstro consigo ser, ela podia ser a pessoa que estaria comigo o resto da vida e eu estraguei tudo.
— Vou ficar em casa com você esses dias? O Adriel vai ficar cuidando das outras coisas, o médico disso que talvez você não precise de muitas sessões de fisioterapia.
— Não precisa ficar, manda o Pedro e o Carlos pra cá. Eu prefiro!
— Pelo amor, estou tentando te ajudar, não surta.
— Não sou eu quem surto, você que quase me matou de porrada. – disse irônica.
— Eu cuido de você e pronto, seus amigos ainda estão de mudança vai demorar um pouco, então se toca!
— Vitor, eu não quero você próximo demais, eu tenho pavor de você, eu olho pra você e sinto medo, vontade de chorar, você quase destruiu a minha vida então acredito eu que você não tem moral nenhuma para abrir a boca pra falar merda e me destratar, sei que está tentando se redimir do seu jeito todo ogro aí mas não sou dessas, é triste mas Deus não me deu o poder de perdoar...
— Tudo bem, eu vou tentar ser mais calmo com você! – suspirei pesado.
Sei que eu estava errado, mas eu nunca tinha lidado com uma situação parecida eu apenas sofria por conta das coisas que ocorriam, era difícil de acreditar mas era nítido que era difícil vivenciar isso, eu não era capacitado para amar, nem ser amado.
— Quer tomar banho? – perguntei pra ela que assentiu.
Tirei ela da cadeira e fui levando a mesma para o nosso quarto.
— Vou ter que te ajudar, espero que não fique chateada com isso, mas as meninas aqui não são confiáveis para vim te dar banho e a Lais teve que fazer uma viagem de emergência na casa da minha tia.
Ela assentiu, estava longe e calada... entendia completamente, pela primeira vez na vida eu compreendia o silêncio de uma pessoa e o respeitava da forma mais dolorosa o possível. Coloquei ela sentada na cama, ela tinha força porém não podia fazer esforço... tirei a roupa dela por completo, mas a cena mais triste foi ela se olhando no espelho e vendo o próprio corpo, eu senti um aperto enorme no coração e foi então que eu percebi o tamanho do estrago, as lágrimas desceram no rosto dela e eu só pensava o quão idiota eu era, eu tirei uma menina de dentro da casa dela pra acabar com ela e menos de um mês.
— Me desculpa por favor, eu posso te explicar porque fiz isso, me perdoa. – sei que existe essa história que bandido não chora, mas a situação era tão triste que quem chorava era eu, chorei por arrependimento e por esta vendo uma pessoa tão incrível destruída por minha causa.
— Isso não tem explicação Vitor, você destruiu cada pedaço de mim, meu corpo inteiro dói, meus olhos mal abrem, minha cabeça parece que vai explodir, acredita em mim, a minha dor tem total explicação já a sua não!
— Eu te vi nele...
— Nele quem maluco? Você é doente!
— Eu tive uma infância difícil, meu pai me espancava e todo vez que eu me drogo vejo ele e mesmo que eu esteja falando coisas relacionadas a você eu via ele. Me desculpa, é difícil pra mim.
— Você é doente, tem que se tratar! – ela me olhava assustada.
— Eu não sei lidar com essas coisas, me ajuda.
— Eu ajudo Vitor, você não pode colocar sua infância no seu presente o que tinha que ser já aconteceu, você tem que acreditar que você é melhor agora.
— Ele queimava o cigarro nas minhas costas, raspava meu cabelo, ele me batia Fernanda, doia tanto. – chorei como se não tivesse amanhã.
— Você me bateu, e doeu um tanto! Não se torne aquilo que mais te machucou. Eu posso te ajudar, mas você tem que ser o principalmente a querer mudar.
— Eu quero, não posso perder pessoas que gosto e até mesmo amo.
Estava sendo sincero com ela, e eu queria mesmo mudar e isso só poderia acontecer se ela me ajudasse a mudar.
— Daqui pra frente vai ser tudo diferente.
— Não de droga mais por favor... – a mão dela passou pelo meu rosto de forma delicada, o que me fez arrepiar de uma forma que só eu podia sentir.
— Eu prometo! Agora deixa eu cuidar de você, eu espero que um dia me perdoe.
— Uma dia tentarei, por enquanto aceito sua ajuda e você a minha.
Assenti e beijei a testa dela devagar, levei ela pro banho e aproveitei cada segundo ali ao lado dela, sabia que logo as coisas podiam mudar, não apenas por ela voltar a se virar sozinha, mas eu poderia machucar ela e acabar me arrependendo novamente, e não era isso que eu gostaria, eu queria aprender a perdoar, perdoar meu pai e principalmente queria que ela me perdoasse.
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Diante do morro
FanfictionEla curte baile, tem um sorriso leve, gosta de se envolver, mas não senta pra traficante. Ele é envolvido, tem tudo no poder, controle de tudo e de todos, menos o controle dela.
