Fernanda
Não posso mentir que os momentos que eu estava vivendo com Vitor eram bons e especiais, mas eu não podia esquecer do ocorrido e nem da minha família, eu estou perdoando ele aos poucos e tenho certeza que em certo momento eu irei conseguir.
Eu estou me arrumando para o baile que vai ter no complexo do alemão, dizendo o Vitor que o chefe de lá é muito amigo dele, às vezes sinto medo de está me misturando e acabar pagando pato por alguém.
Falar de amor nunca foi fácil para mim, principalmente com as decepções que eu já sofri, agora eu já estou conseguindo encarar uma nova fase da minha vida, uma fase carismática, onde eu estou me apaixonando pelo cara que eu acreditei que eu iria odiar.
— Fala potranca, já tá pronta? – Vitor entrou no quarto dando risada pro celular.
— Que tu tá vendo aí otario? – ele me olhou curioso.
— Tá com ciúmes tá? – me abraçou por trás, me mostrando o vídeo do ticole.
— Como tu é idiota cara, eu não acredito que eu namoro alguém assim.
— Ticole é muito bom.
— TOMA AQUI EDUARDO. – Lais entrou cantando.
— É de família ser idiota assim? Só pode!
Eles deram risada e eu terminei de passar meu gloss.
— Tu com essa boca de quem chupou frango.
— Eu deveria era tá chupando pica! – olhei pra ele segurando o riso que já fechou a cara.
— Na moral, tu pega pesado nas brincadeira.
Eu sorri beijando a bochecha dele, enquanto Lais passava lápis de olho.
— Tu era riquinha lá né? Olha esse lápis da MAC, rouba bastante Vitor pra sustentar os vícios da sua princesa. – eu acabei rindo.
— Que nada, esse lápis eu ganhei da minha tia, que realmente é rica... como ela me adorava, sempre me dava coisas.
— Agora tu não ganha, tu compra tudo que tu quiser.
Era nítido que Vitor amava essa vida, ostentação, coisas caras, mas eu acredito que isso não durará pra sempre, quem tá nessa vida ou sai sem nada ou sai morto.
— pode deixar meu gato.
Eu beijei a bochecha de Vitor e já fomos saindo do quarto.
Vitor não reclama mais das minhas roupas e respeita tudo que eu falo, acredito que eu fui moldando alguns dos seus defeitos com o tempo.
— Vai pelada patroa. – Dedé falou rindo, os meninos adoravam provocar... sabendo que meu brodi ia ficar no fervo.
— É da tua conta é? Quem tem que ligar é meu gato ali, não você. – falei zoando ele, os vapor que estava com ele tudo deu risada.
— Linda demais minha mulher, ave maria!
— Tu tá virando é mandando. – Fábio chegou rindo.
Sabe aquela sensação que a pessoa não é boa? É o que eu sinto com Fábio, Dedé brinca, Adriel é super amigo... mas, Fábio não! Eu vejo inveja e alguns sentimentos ruins nele que são fáceis de ser percebidos.
— Melhor mandado do que sem mulher. – Vitor bateu na aba do boné dele.
Acredito eu que mesmo com todo esse jeito de bandido, o idiota não vê malicias nas pessoas que ele conhece a muito tempo, ele confia demais... eu aprendi a confiar desconfiando.
— Vamos logo, que eu quero vê se esse baile é fervo mesmo.
— Tu sossega, que minha mina vai no teu embalo e eu sinto vontade de matar as duas.
Uma festa que nós fomos, eu resolvi me embriagar... só que eu demoro horas pra ficar completamente bebada, já Lais foi minutos e ela já estava louca, querendo pagar calcinha, e eu rindo, Adriel louco e Vitor querendo ir embora igual um velho de oitenta anos, vê se eu aguento essas peças.
— Olha, eu não faço mal a ninguém, eu sou meio digital influencie mas ok. – subi na moto de Vitor, onde ele já estava pronto para dirigir.
— Eu te mato truta.
— Cola comigo Lais, que é sucesso.
Ela só dava risada, pensa uma menina besta... ali existia amor, entre ela e Adriel, era nítido o companheirismo, o respeito e tudo que estava presente.
— Se segura mozão! – Vitor saiu empinando a moto descendo a favela abaixo, vê se eu aguento esse morro da rocinha.
Foi diversos becos e vielas, moto sendo empinada os meninos fazendo aposta de quem corria mais, e eu só orando pela minha vida linda, que por um só exemplo eu sou muito jovem pra morrer.
— misericórdia, Jesus que me protegeu, eu vi a morte na minha cara a cada segundo. – falei me benzendo quando chegamos na entrada do baile.
— Tu não é rolezeira que vivia de moto pra cima e pra baixo?
— Rachas são em pistas retas, não em becos e vielas mal iluminados... onde tem buraco... rachas são em BR. – falei segurando a mão do mesmo.
— Esse bagui é coisa pra playboy, meu bagui é descer e subir morro, empinando a minha motoca e botando o terror aonde eu passo.
— Ai você me cansa na moral.
A gente entrou pro baile, que estava acontecendo na quadra, o bagulho já tava fervo... mas aqui era diferente, mais sinistro, vários caras armados e Vitor? Cumprimentado quase todos.
Subimos pro camarote e estava lotado de meninas, e muitos homens também, sinceramente? Já não gostei, elas olharam pro meu brodi já com desejo, não da cara, tento ser uma mulher imponderada que não xinga as outras mas só passou pela minha cabeça: VAGABUNDA, PIRANHA!!! Quando uma morena passou trombando no meu brodi e piscando, tu olhou? Ele também não! Respeito total na quebrada.
— Na moral, essa mina tá de graça com minha cara, sou sussa mas deixa que eu enfio um murro nessa fuça dela.
— Calma paixão, sou todinho seu! – falou rindo e me dando um selinho.
Um cara alto e totalmente tatuado chegou, ele tinha uma aparecia de quarentão e eu fiquei chocada o quão gato ele era.
— Gatinha nova Vitor? Vamos dividir.
Mudei a concepção para pedófilo, se toca!!!
— Respeita Jabu, essa é minha mina... fiel! – ele me puxou mas não fiz questão de esboçar nenhum sorriso.
— Tu não fala não?
— Costumo falar com quem me agrada, então eis aqui sua resposta.
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Diante do morro
FanfictionEla curte baile, tem um sorriso leve, gosta de se envolver, mas não senta pra traficante. Ele é envolvido, tem tudo no poder, controle de tudo e de todos, menos o controle dela.
