Vitor
Já tava agoniado esperando a vagabunda, saudade da porra dela, Lais tava escondendo alguma coisa talvez eu fosse descobrir hoje.
— Fala tu chefe, tua mulher tá aí. – eu tava na boca, e foi quando o muleque subiu pra me avisar.
Assenti com a cabeça bem suave e vi ela entrar na minha sala com uma cara de quem comeu e não gostou.
— Que foi em? Já tá com essa cara de bosta. – ela deu risada e me beijou.
— Fala pra esses mandado aí, que eu entro a hora que eu quiser. – gritou.
— Cala a boca sua galinha, não aguento ouvir você cacarejar. – gritou Dedé lá de fora.
— Vai se fuder filho de chocadeira. Fiquei sabendo que tu tava chorando porque achou que eu tinha morrido é bobomzinho? – ele mandou o dedo do meio pra ela e os muleque deu risada zoando ele.
Na moral, Fernanda era a mina certa, se dava bem com todo mundo, sem frescura e pá, sei que a vida dela tinha um luxo, ela tem uns bagulho mo de rico, mas eu consigo da tudo pra ela também.
— Entra aí minha patroa. – ela entrou na minha sala e já foi sentando na minha cadeira.
Não aguentei essa menina, é folgada pra caralho, mas não to nem vendo, sou mo apaixonado nela.
— Precisamos conversar! – ela suspirou.
— Tu não vai embora.
— To grávida.
Eu fiquei olhando ela, que tinha um semblante preocupado, na moral eu nem sabia como reagir com um bagulho desse, ela tava grávida... caralho, eu ia ser pai, porra, acertei em cheio na minha gata.
— Tu tá zoando? – ela já ficou nervosa.
— Não. Eu quero aborta!
Agora o bagulho ficou louco, tenho lá paciência com essas ideias? A mina vem, falar que tá com uma cria minha na barriga e vem falar que quer tirar? Eu tiro ela na porrada e deixou minha cria.
— Tá maluca filha da puta? – gritei com ela, e pude ouvir a movimentação lá fora.
— A gente não pode ter um filho Vitor, não temos estrutura, responsabilidade, porra nenhuma! Tu já viu minhas atitude? Eu pareço uma criança! – ela já chorava, então ela me transmitiu toda insegurança que tava passando.
— Vou falar só um bagulho pra tu, a gente não sabe tanta coisa nessa vida e aprendemos... então vamo aprender junto criar o nosso filho ou filha tio, vai da certo, é só a gente colar junto morou?
Foi então que ela desabou, essa mina é louca.
— Eu estou insegura!
— Eu também caralho, mas vai da certo é só a gente querer tendeu? Vamo que vamo, que agora é só vuco vuco de vagar pra não machucar minha cria.
Ela caiu na gargalhada, nem parecia que estava morrendo de chorar.
— Dedé filho da puta, vou logo contar pra tu um bagulho.
Ele olhou estranho eu com a cabeça pra fora da sala e Fernanda chorando atrás.
— Vocês dois parece marido e mulher. – Fábio falou rindo.
— Seu cu, viado do caralho. – mandei o dedo do meio pra ele – se liga que gozei certinho.
Fernanda meteu o tapão em mim e começou a rir, já os moleque? Saiu tudo pra fora e começaram atirar, se louco, tudo felizão, igual eu morou?
Dona encrenca já começou a brigar, falando que ia acabar pegando uma bala perdida em alguém.
— Na moral, esse moleque vai ser o mais foda da favela. – Patinho falou.
— Vocês nem sabe o sexo ainda infelizes.
— Se for menina, pisou o pé pra fora é só tiro em quem olhar. – Fábio falou rindo, Fernanda no começou não gostava dele, mas to ligado que ele queria pegar ela de primeira, agora já são suave.
— Deus me livre de vocês, preciso ir pra casa aí, quem vai me levar numa motoca maneira. – ela falou rindo.
— E agora você monta na garupa de vagabundo é? – Falei já encrencando.
— Só de bandidão, por isso vivo pendurada na sua. – me beijou subindo na minha moto, vou logo falando, essa porra é o amor da minha vida mesmo.
Já sai a milhão com ela pendurada na garupa, mina não liga pra nada, responsa total, sempre que tem uma oportunidade quer vê eu pilotando e empinando a moto.
— To mo feliz mo. – dei um beijo gostoso na minha mulher, me sentindo realizado de todas a maneira possível.
— Fiquei com medo de você não querer.
— Tá maluca? A vida é todinha nossa, se um quer os dois quer, sempre foi assim não foi?
Ela assentiu e meteu um beijo gostoso.
— A gente vai ter que ir pra São Paulo amanhã.
— Tu acabou de voltar do hospital, não é certo a gente viajar agora.
— Meu pai vai querer te conhecer e vê quem me deixou buchada, se preparada que ele vai tontear tu mas ideia todinha.
Eu já comecei a não gostar, nem sei como o meu sogro vai ser, nem como as coisas funciona lá, se louco já fiquei doidão.
Fernanda subiu pro quarto pra tomar um banho, do nada começaram a bater na porta que nem doidos, já fiquei na ativa porque meus homi não mandaram nenhum papo.
Abri a porta suavão, e encarei um casal bem na minha frente, uma mulher morena com os cabelo curto, já um cara branco dos olhos verde e com o olho meu puxado.
— Você que tirou a minha filha de mim, seu desgraçado! – o cara já sacou um revólver na minha cara e meus homens já mirou os fuzil na cabeça dele que ficou suave, nem tremeu na base.
— Para com isso Cícero, tu tá ficando maluco, a gente veio buscar nossa filha não arruma briga.
— Mãe? Pai? – Fernanda apareceu enrolada de toalha, deve ter visto a muvuca que estava lá fora.
— Filha. – a mãe se desmanchou de lágrima abraçando ela e o pai começou a chorar a abraçando.
Eu conhecia o pai de Fernanda de algum lugar, só não sabia de onde.
— Podem deixar, eu assumo por aqui. – falei para os meninos.
— Chefe ele entrou com um bando de cara aí pra subir no morro. – olhei pra Fernanda que sorriu amarelo.
— Esqueci de ter falar, meu pai é um dos comandantes do PCC.
Dei uma risada nasal e quase quis explodir a cara da vagabunda, me fala tu se não é uma sínica.
— Vou nem te falar nada na moral, loira.
Ela riu, sabia que eu já tava com medo do pai dela, não por ele ser bandido e pá, mas por ser pai dela.
— Entrem fiquem a vontade, eu vou me vestir.
Ela saiu toda feliz e eu mandei o aviso para os muleque que tava tudo suave, era só a família da Fernanda que veio pra uma visita.
— Porque você tomou minha filha de mim? Foi pra me atingir né? Minha menina nunca fez nada assim, sei que ela é maluca mas isso jamais, ela nunca largaria os pais.
— Eu convenci ela vim pra cá numa coisa doida que ela vai explicar aí pro senhor, e agora a gente mantém um relacionamento da hora, vou até ser pai.
Pra que eu falei isso?
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Diante do morro
FanfictionEla curte baile, tem um sorriso leve, gosta de se envolver, mas não senta pra traficante. Ele é envolvido, tem tudo no poder, controle de tudo e de todos, menos o controle dela.
