Capitulo 46

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Vitor

Enterrar alguém não era fácil, nunca foi, principalmente quando esse alguém era da sua família, mas a parte mais difícil de todas era da a notícia pra aqueles que você tanto ama.

— Dona Val, seu Cícero. – gritei no portão deles.

Dona Val apareceu com um sorriso de orelha a orelha, ela ainda não sabia o que tinha acontecido, mesmo sendo uma velha, não era fuxiqueira.

— Meu filho lindo, quanto tempo você não aparece aqui em? – ela me olha e analisa.

— Posso entrar?

Ela dá espaço e eu entro, seu Cícero tá sentado no sofá chupando manga, se fosse outra ocasião já começaria a zoeira, mas não, hoje não era a ocasião, hoje era um dia triste, um momento triste.

— Val, você sabe que você é uma mãe pra mim né?

Ela me olha sorrindo, era um carinho que dava pra sentir de longe, eu sei que eu tinha meus demônios, mas ela era um anjo.

— Fala logo meu menino o que você quer? É bolo? O Lucas que veio mandar você pedir né, ele fala que com você é mais fácil. – ela riu e seu Cícero deu risada negando.

— Você mima demais esses meninos meu bem! – ela o abraça de canto e a vontade de chorar me consome.

— Val, Cícero... o Lucas, ele levou um tiro.

Seu Cícero soltou a faca que segurava com tudo e val se assustou.

— Meu Deus, ele já esta no hospital?

— Ele tá morrendo Val, ele tá indo embora. – meu coração não aguentou, ficou pequeno demais, e as lágrimas caíram sem ter nenhuma explicação.

Val abraçava seu Cícero que chorava, Lucas era filho único, os pais nunca quiseram ele nessa vida mas aconteceu que uma época a diabete de Seu Cícero atacou, ele não podia trabalhar e alguém tinha que cuidar dele, então foi quando Lucas se misturou e entrou no tráfico, o moleque era bom, conhecia as manhas da ruas, o único problema era que não tinha o sangue ruim, não deixava ninguém pra trás, se precisasse morrer pra salvar alguém, morreria é assim ele fez.

— Não Vitinho, meu filho não ia sumir assim ano, ele tá bem...

— Como aconteceu isso?

— Ratão queria estuprar a Fernanda lá em casa, foi a comemoração do meu filho, tava todo mundo, aí ele tava folgando pro lado dela, ele viu que ela não é essas meninas qualquer e se irritou, começou a xingar ela um bando de coisa, aí do nada a roda já formou e tals... ele do nada apontou pra ela e atirou, só que Dedé entrou na frente.

Val fez um formato de espanto na boca.

— Ele salvou teu filho e tua mulher...– Val falava devagar, o medo me consumia, medo dela me culpar ou culpar minha família, a primeira família que eu criei.

— Meu filho era dono de um coração imenso.

— A meu filhinho, ele sempre falava dessa menina que você tá vitinho, ele falava o quão gostava dela e que ela enchia o saco dele, direto chegava falando que puxou os cabelo dela, eu doida pra conhecer ela mas ele dizia que só você podia apresentá-la.

— A Val, eu nem sei o que falar não... o que o Lucas fez, ninguém faria não.

— Eu quero vê ele.

Eu senti o quão ela estava abatida, mas sempre era assim, ela ficava triste e fingia que ficaria tudo bem, apoiava todos ao redor e depois desabava, já Seu Cícero não, ele era intenso, chorava sem medo de falarem se ele era homem ou não, ele era o sentimental da relação.

Val foi buscar a bolsa e eu já fiquei lá fora esperando eles, o morro estava quieto, parecia que todos já sabiam da notícia, o cara mais firmeza desse bando tava partindo aos poucos, ele estava morrendo, não tinha mais esperança.

Val e Seu Cícero saíram abraçados e entraram no carro, fomos o caminho inteiro até o postinho que atendia a gente que era do tráfico em silêncio, parecia que já sentíamos o clima pesado que estaria lá.

— Eai JV, tu precisa tirar sua mina de lá, ela tá brancona já. – eu assenti, eu tinha deixado Fernanda aqui pois a mesma disse que não teria coragem de olhar para os pais dele, na cabeça dela ela tinha matado Lucas.

— Fala comigo seu corno, fala por favor, eu deixo você escolher o nome do bebê, mas tem que ser fofinho assim sabe, nada de Enzo e Valentina que é muito brega, nenhum nome com W porque o Vitor não gosta, vai ser tão divertido ter você como padrinho, você vai ser a madrinha junto com a Lais e o Adriel o padrinho... – Fernanda falava enquanto chorava abraçada ao corpo de Lucas, todo mundo ao redor olhava pra ela sem saber o que falar ou fazer. – fala comigo, me escuta, a gente precisa de você, volta por favor, você é forte, eu não acredito que eu te matei não Dedé, por favor... – a voz dela se alterou e enquanto ela abraçava ele a mesma gritava que o matou, eu me apavorei é só vi quando dona Val abraçou ela, ali tinha sentimento, ali era mãe, ela sabia o que fazer.

— Você não matou meu menino não, ele te salvou pois te ama, assim como ama seu bebe e o irmão dele, para minha filha. – Val segurava ela que chorava muito, mas quando olhou certo pro filho as lágrimas dela aumentaram. – Porque com ele meu Deus? – ela gritou e se jogou no chão.

Seu Cícero foi até ela, enquanto Fernanda a abraçava eu olhava tudo distante, não sabia o que tava nem se passando na minha mente mais, eu só conseguia vê as coisas.

— Tira essa dor meu senhor, tira essa dor de mim, meu Deus! Me leva no lugar do meu menino. – dona Val berrava e todo mundo já chorava, uma médica veio tentando a acalmar e nada adiantava.

— vem aqui mãezinha. – segurei ela em meus braços a puxando pra um abraço.

Coloquei Val sentada numa cadeira enquanto traziam água pra ela.

— Cuida da sua menina meu filho,ela não pode passar por isso. – Val falava tremendo.

Gente, desculpa a demora... eu estava doente então fudeu tudo, eu ainda estou meio zoada mas já dá pra voltar a escrever e pa!!!

Diante do morroOnde histórias criam vida. Descubra agora