Fernanda
Eu estaria mentindo se eu dissesse que não estava me sentindo culpada pela morte de Dedé, ele entrou na minha frente e salvou a minha vida, a minha e do meu bebê, ele era fiel, tenho certeza que realmente quando eu dizia que era um anjo eu não podia discordar disso, pois ele foi e sempre será.
— Amor, você precisa descansar. – Vitor me puxou de perto de Dedé, eu segurava a mão dele com força como se nunca fosse soltar, de maneira alguma.
Eu apertei a mão dele, e por um impulso eu senti ele apertando a minha.
— Vitor ele apertou minha mão. – eu falei desesperada.
— Fernanda, o Dedé tá em estado vegetativo, ele não apertou sua mão, só um milagre na vida dele pra salvar, só Deus, e eu tenho quase certeza que Deus não vai da uma ajudinha pra nós. – falou sorrindo fraco.
— Toca nele amor, toca na mão dele...
Eu o puxei devagar e ele colocou a mão dele na de Dedé, eu senti Vitor chorar e ali foi a primeira vez que eu vi o quanto os dois se amavam, era lindo, irmãos, amigos, traficares, bandidos, mas, com bom coração.
— Achei que você tinha virado homem, viadinho. – Dedé falou abrindo os olhos ao pouco, e fechando rapidamente por conta da claridade, vi os aparelhos apitar e sai correndo atrás do médico, ele estava tendo uma parada cardíaca.
— Ele acordou doutor.
O médico me olhou não acredito e foi correndo até o quarto, esses "hospitais" pra bandido é top na nave viu.
— Dona Val, ele falou. – eu dizia sem conseguir respirar, minha falta de ar tava atacando. – bombinha... – eu ia e voltava, foi quando vi a enfermeira tacando a bombinha na minha boca com tudo.
— Respira com calma. – ela dizia sorrindo olhando pros lados.
— Pode ir lá, eu sei cuidar disso aqui. – sorri pra mesma.
Ela saiu e foi em direção ao quarto, precisava da equipe completa, o caso de Dedé não era qualquer caso, ali foi a prova viva que Deus existe... eu nunca fui essas pessoas religiosas, nem com fé absoluta, mas sempre acreditei em Deus e na capacidade que ele tem de tornar as coisas melhores possíveis, hoje eu tive o melhor retorno da minha vida, eu tive a sensação de ter alguém de volta, como se eles saísse da vida dos mortos e estava aqui, novamente, ao meu lado, mostrando tudo que ele era, uma pessoa única e importante.
— O médico disse que vai fazer alguns exames e depois podemos vê-lo. – Vitor chegou sorrindo.
— Eu nem acredito que ele voltou. – o abracei forte, ele olhou pro lado vendo os meninos tudo reparando. – credo bando de urubu, sai fora.
Fábio mandou o dedo pra mim e me deu um super sorriso, vou falar pra tu, pra essas cobras que o Vitor cria sorrir é só com um apocalipse.
— Agora você vai pra casa, e eu vou resolver um assunto pendente, tu tem que se cuidar, e parece que o Dedé ouviu o bagulho dele escolher o nome do bebê, tu é mo boca aberta. – falou reclamando.
— Para, tadinho do meu friend, eu só falei porque achei que ele não estava ouvindo, deixa ele vim com nome de clorosvaldo, que ele se vê comigo.
— Cada um com seu cada qual, vocês que se virem pra lá.
— Deus me livre. – dei risada.
Fazia tempo que eu não sorria, muito menos tinha a sensação que tudo iria ficar bem, é meu Deus, mais uma vez o senhor foi mais que um Pai, esse é o único que nunca falha.
Vitor
Eu estava subindo pra boca, possuído pelo ódio, tu acha que tudo que se faz na favela não é cobrado? Tá ligado que o legado é pra quem pode, e também tem aquele ditado: "manda quem pode, obedece quem tem juízo".
Não obedeceu? O pau comeu.
— Fala tu Ratão, tá da hora viver assim? – desde o dia que Dedé tá no hospital ele não come e nem bebe água, os moleque da xixi pra ele beber só pra pegar na maldade.
— Filho de uma puta.
Dou um murro na cara dele.
— Tá maluco porra, já não basta ter metido a folga na minha quebrada? Tu vai vê o diabo agora!
Eu dei uma sequência de socos na cara dele, quando vi que já tinha quebrado o nariz do mesmo e se batesse mais ele iria ficar desacordado eu parei, peguei uma barra de ferro que tinha no canto da sala e comecei a esquentar no fogo que eu tinha pedido pros moleque fazer.
— Tu tá maluco porra? – ele gritou já entendendo o que eu estava disposto a fazer.
— Tu não queria da beijinho na mulher dos outros? Não quis atirar no meu irmão? Tudo na vida tem consequências! Lei do retorno existe filho.
Quando a barra de ferro estava bem quente, coloquei uma luva e peguei a mesma, coloquei Ratão de quatro totalmente amarrado e meti no cu dele sem dó, na minha favela homem que pega mulher a força tem vez não porra!
Ele berrava de dor, enquanto eu nem ligava, os moleque que estava na sala filmava, outros riam e os outros estavam assustados, na moral? Sou bom pra todo mundo, só não pisa na minha cabeça, que eu te piso pelo corpo inteiro.
— Enterra ele vivo! – falei pros moleque que agora me olhavam assustado. – Eu não mando nessa porra não? Tão olhando o que? Faz o caralho que to pedindo! – falei nervoso.
A agilidade começou, acendi um baseado e assistir o rato sendo enterrado, tu quer tortura maior que essa? Vai morrer pedindo ar.
Eu to ligado que Deus nunca vai me perdoar por umas coisas dessas, mas a lei da terra não é a lei do céu não, Deus é pai e aqui embaixo somos todos padrastos.
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Diante do morro
FanfictionEla curte baile, tem um sorriso leve, gosta de se envolver, mas não senta pra traficante. Ele é envolvido, tem tudo no poder, controle de tudo e de todos, menos o controle dela.
