Capitulo 32

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Lais

— Ela está grávida, isso é normal de acontecer durante a gestação.

Eu olhei diversas vezes para enfermeira e somente a voz da Fernanda vinha em minha cabeça.

Flash Back

— Ah, Lais... se eu tivesse um filho agora eu pensaria em abortar, não sei se estou preparada pra isso tudo, pra ter um filho, pra viver uma vida de responsabilidade... eu gosto do Vitor, mas acho muito recente ainda...

— Só se prevenir Fer, vocês transam demais. – rimos – mas devem se prevenir, porque talvez um aborto não seja apenas prejudicial para o feto, mas para todos os outros envolvidos...

— Eu realmente sei disso, por isso tenho medo, das coisas irem além do que planejei... eu espero sinceramente que Deus não me proporcione isso, não agora!

— Sinceramente? Reveja seus atos de fé, acredite ou não, Deus não é a favor do aborto.

— Deus é a favor do amor, não sei se eu saberia amar uma criança.

— Claro que sim, você pode ser doida, rolezeira, mas caramba, tu tem uma fé inexplicável, não é religiosa mas tem um negócio que contagia e passa para a gente sabe? Pensa bem no que você está pensando... isso pode acabar virando contra você.

— Eu realmente tenho que pensar, mas como nem eu, nem você está grávida vamos curtir essa cachaça.

Flash Back

— Senhora, está tudo bem?

— Claro, desculpa... eu posso falar com ela? Ou da as notícias?

— Ela já sabe, pediu que eu a chamasse!

Eu assenti e fui acompanhando a enfermeira, a minha cabeça borbulhava diversas coisas...

— Oi fer...

— Eu não quero esse filho Lais, eu não posso ter ele minha vida vai desmoronar...

— Você não pode pensar assim, lembra da nossa conversa? Vai da certo!

Bateram na porta e então o doutor entrou.

— Olá Fernanda, se sente melhor? – ele pegou a ficha dela que estava pendurada na cama.

— Tudo sim doutor!

— Ansiosa pelo bebê? – ela apenas assentiu com um sorriso de canto. – o pai já sabe?

— Ainda não, mas quando eu receber alta ele saberá. – ela sorriu.

Talvez, ela se adaptasse com a ideia de ter um bebê, eu estava preparada para que ela tivesse esse bebê, seria importante para ela e também para o Vitor.

— Então, o papai já pode ficar realizado! Você está liberada, aconselho que você comece logo o pré natal para não ter nenhum complicação na hora do parto.

— Obrigada doutor.

Eu vi ela levar a mão pra barriga devagar e acariciá-la, seria um ato de amor? Ou ela está a com dor? Eu não sei nem como reagir diante essa situação...

— Vai se ajeitar que eles já estão te esperando.

Fernanda

Eu não estava preparada para vê Vitor ainda, eu apenas estava ansiosa por isso, a verdade é que estou com medo da reação dele, e da decisão que iremos tomar diante esse bebê, eu sei que ele não está preparado para ser pai, assim como eu não estou preparada para ser mãe, por isso o aborto foi a solução mais óbvia que eu decidir, mas pensando bem, podíamos criar essa criança, condições a gente teria, tanto para sustentar, tanto para educar... mas, e o morro? Os inimigos? As ameaças? Eu não tenho nem como pensar sobre isso, eu não conseguiria vê meu filho longe de mim, não que esteja criando um sentimento de mãe, não criei ainda esse sentimento materno... mas, os pensamentos surgem... sei que existe um feto dentro de mim, e que ele pode ser tirado a qualquer momento, mas o que eu mais quero é Vitor, conversar com ele, respeitar a nossa decisão, a mas é você que está carregando o bebê... sim sou eu, mas ele tem uma grande influência diante esse filho, ele é o pai do meu bebe e também o cara que eu gosto. Talvez, os meus pais fiquem felizes em saber que estou grávida e que um cara bacana.

— Tudo bem aí Fernanda? – Lais perguntou lá de fora.

— Tá tudo sim, amiga! Já estou saindo. – ela deu risada, já sei a besteira que ela pensou.

"Tá cagando"

Essa era sempre as brincadeira que Lais tinha comigo quando eu demorava no banheiro, aguento essa menina? Eu sou só um pouco vaidosa e demorada ninguém entende esse meu lado princesa de ser!

SENHOR!!!!

Como que eu vou ter um filho? Não tenho maturidade nenhuma, é tipo maturidade? ZERO!

— Estou preparada para ir, estou afim de uma boa conversa com Vitor, eu e ele precisamos resolver isso é nossa viagem pra São Paulo.

Sorri da forma mais sincera pra ela, sei que Lais jamais apiária uma aborto, acredito que Vitor também não...

— Fala aí patroa.

— Sai fora patinho.

— Tá melhor aí? – ele sorriu.

Procurei por Vitor mas ele não estava, talvez o perigo esteja por aqui e ele não veio, sei que a polícia sabe que ele tem uma mulher agora então aonde eu vou, normalmente tem alguém atrás e mim, vigiando ou fazendo qualquer coisa... talvez descobriram meu internamento no hospital.

Estou sim, cadê o Vitor? – perguntei só por curiosidade para confirmar minhas suspeita.

— Patroa, os rato tá tudo atrás dele morou? Eles descobriram que tu tava colada na dele e que veio parar aqui, o bagulho ficou louco no morro, Vitor tava nervosão querendo vim, mas o Adriel deixou ele colar não.

Graças a Deus existe meu bendito Adriel, imagina um filho e um pai preso? Mais uma justificativa para pensar num aborto, não é fácil se envolver com esses cara... ah, ainda mais sendo mulher do chefe.

— Bora subir o morrão então Patinho.

Ele apenas riu e saiu do estacionamento do hospital.

Diante do morroOnde histórias criam vida. Descubra agora